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16) Maria Clara Machado
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As histórias
de mulas-sem-cabeça, contadas por pretos velhos na fazenda
dos avós, no interior de Minas Gerais, causavam um misto
de atração e terror. "Era um medo gostoso",
contou Maria Clara Machado a ISTOÉ. Aquele sentimento ambíguo
plantou uma sementinha que fez com que ela se tornasse uma especialista
na arte de fantasiar. Ninguém conseguiu enfeitiçar
as crianças brasileiras com a magia do teatro como Maria
Clara. Filha do escritor Aníbal Machado, a dramaturga é
de Minas (nasceu a 6 de abril de 1921 em Belo Horizonte), mas foi
criada na zona sul do Rio de Janeiro - "dizem que mineiro tem
mania de mar", brinca ela. "Tive uma infância muito
livre, solta, em contato com rios, árvores e cavalos.
Imaginação
Iniciou a carreira artística com o teatro de bonecos e, em
seguida, passou a escrever histórias infantis. Do pai herdou
o rigor com o idioma. "Ele contratou um professor de português
para me aperfeiçoar." Até hoje, não sabe
por que escolheu escrever para crianças. "Isso aí
é um doce mistério", diverte-se. Chegou a produzir
duas peças para adultos, Os embrulhos e As interferências.
"São exemplos típicos de teatro do absurdo. Não
por coincidência, afinal, tudo que parece absurdo requer um
pouco de imaginação e tem a ver com as crianças",
deduz.
Há 48
anos, fundou o Teatro do Tablado, que se mantém até
hoje. Além de levar ao palco peças para divertir a
garotada, o Tablado é uma escola de teatro que formou sucessivas
gerações de grandes atores brasileiros. Por lá
passaram artistas consagrados como Rubens Correa, Malu Mader e Fernanda
Torrer, entre tantos outros. "É como se todos fizessem
parte da mesma família. Afinal, fiquei para titia e tenho
muitos sobrinhos, incluindo meus antigos e novos alunos", brinca.
Aos 77 anos (ela franze a testa para calcular a idade), é
ainda muito ativa. Dá aulas diariamente. Não tem mais
fôlego para dirigir, mas não perde ensaio geral e está
sempre dando palpites. "O segredo é só fazer
aquilo que dá prazer."
VOCÊ
SABIA?
Aos nove anos de idade, Maria Clara sofreu um baque. Perdeu a mãe,
que tinha 30 anos e morreu ao dar à luz o sexto filho. O
pai, o escritor Aníbal Machado, logo depois, casou-se com
tia Selma, irmã da esposa que havia falecido. "Naquele
tempo, a psicologia era pouco desenvolvida. Só me recuperei
adulta, quando fiz psicanálise."
EM CENA
· O boi e o burro no caminho de Belém (1953)
· O rapto das cebolinhas (1954)
· Pluft, o fantasminha (1955)
· A bruxinha que era boa (1955)
· O cavalinho azul (1960)
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