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15) Ziembinski
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Quando chegou
ao Brasil, em julho de 1941, aos 33 anos, Ziembinski não
falava uma palavra de português e achava que todas as peças
em cartaz no Rio de Janeiro tinham o mesmo nome: "Hoje".
O destino do judeu polonês, que passara dois anos fugindo
da guerra, era Nova York, onde nunca esteve. Desembarcou no Rio
e ficou tão encantado com a cidade que não teve coragem
de ir embora.
Zibgniew Ziembinski
já era um consagrado ator e diretor do teatro europeu quando
chegou aqui. Aos 23 anos, tinha sido diretor do Teatro Nacional
de Varsóvia. Descobriu Os Comediantes, um grupo de atores
bem-nascidos que tinham no teatro mais um passatempo. Ziembinski
transformou-os em atores profissionais e mudou a cara do teatro
brasileiro com a montagem da ousada Vestido de noiva, de
Nelson Rodrigues, em 1943. Em cena, colocou 132 efeitos de luz e
20 refletores - alguns deles emprestados do jardim do Palácio
da Guanabara.
Um diretor polêmico,
que se dizia o "criador do teatro brasileiro". Odiado
por uns, idolatrado por outros. Severo, enérgico e escandaloso.
Muitos dos atores com quem trabalhou nas 94 peças que dirigiu
tiveram vontade de assassiná-lo com requintes de crueldade.
Ensaiava até a exaustão e, enquanto nada ficasse como
queria, ninguém ousava ir embora. "Até o dedo
mindinho tinha que ficar na posição que ele mandava",
conta Paulo Autran.
Foram 50 anos
de teatro, 35 deles no Brasil. Passou pelo TBC e pelo Teatro Cacilda
Becker. Também foi pintor e fotógrafo até 1978,
quando morreu, aos 70 anos. Para o crítico, Sábato
Magaldi, Ziembinski foi "um monstro do teatro, figura extraordinária
que pairou sobre a beleza do Rio de Janeiro."
VOCÊ
SABIA?
Dormindo em cena durante uma peça, Cleide Yáconis
lhe cutucou. Assustado, deu tal pulo que a calça apertada
rasgou. As cortinas foram fechadas.
EM CENA
· Vestido de noiva (1943)
· Dorotéia (1950)
· Pega-fogo (1950)
· O santo e a porca (1958)
· Jornada de um longo dia para dentro da noite (1958)
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