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O Brasileiro do Século

14) Procópio Ferreira
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Procópio estava sentado à mesa de um bar, quando um estranho se apresentou. O sujeito chegou dando mil abraços e desandou a falar que Procópio era um mestre, que a mãe, o pai e o resto da família eram fãs dele... E perguntou: "E aí, alguma novidade?" O ator, com sua peculiar presença de espírito, respondeu: "Tem, sim: essa nossa intimidade."

Assim era Procópio Ferreira. Em 61 anos de carreira (1917/1978), atuou em 461 peças. Sua popularidade era tanta que fazia 18 apresentações por semana. Desfilava para milhares de pessoas em conversíveis pelas ruas do Rio de Janeiro, onde nasceu.

Quando entrou para a Escola Nacional de Teatro do Rio, aos 18 anos, foi expulso de casa. Em 1917, estreava no teatro e cinco anos depois já tinha sua própria companhia. Na época, a moda no Rio era ter um "boneco do Procópio" em casa.

Suas mulheres foram tantas quanto os procópios vendidos. Diz a lenda que tinha filhos por todo o País. Se fosse verdade, teria dobrado a população brasileira, porque viajou por lugares que artistas de seu porte jamais conheceram, como longíquos municípios do interior do Piauí. Getúlio Vargas dizia que o ator colocou mais cidades no mapa do Brasil do que muito cartógrafo. No próximo 8 de julho completaria 100 anos. Morreu em 1978, aos 79 anos.

VOCÊ SABIA?
Numa peça, tirava da gaveta um revólver e matava um sujeito. Um dia, o truque falhou. Sem a arma, chutou a barriga do outro e gritou: "Morra!" O sujeito caiu dizendo: "Morro, sim! O sapato está envenenado!"

EM CENA
· Amigo, mulher e marido (1917)
· Deus lhe pague (1932)
· Anastácio (1935)
· Divórcio (1948)