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16) VICTOR BRECHERET
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Em 1907, alguém
deixou cair uma revista francesa na calçada da rua Barão
de Itapetininga, no centro de São Paulo, sem saber que fazia
um favor para a arte brasileira. O fato é que um adolescente
de 13 anos que passava por ali, fazedo seu percurso diário
da casa para a escola, apanhou a publicação. Não
entendia nada de francês, mas ficou fascinado pelas reproduções
de algumas obras do escultor Rodin. Era Victor Brecheret, (nascido
em São Paulo a 22 de fevereiro de 1894), que resolveu matricular-se
no Liceu de Artes e Ofícios naquele mesmo dia.
Quando concluiu
o curso, em 1912, foi encontrar-se com a mãe na Itália.
Depois da morte do marido, em 1896, ela voltou para a terra natal,
deixando o filho no Brasil aos cuidados dos tios. Em Roma, Victor
foi o discípulo mais aplicado do escultor Dazzi, até
a morte do ídolo Rodin. Em 1917, foi a Paris só para
acompanhar os funerais do escultor, e acabou se apaixonando pela
atmosfera cultural da cidade. Ficou por lá até o início
dos anos 30, quando a saudade apertou e ele voltou ao Brasil. Nessa
altura, era o escultor mais importante do modernismo brasileiro.
Tinha participado da Semana de 1922, enviando algumas obras diretamente
de Paris.
Sem palavras
Era homem de poucas palavras. "Sempre calado, só se
comunicava através de seu trabalho", disse Victor Brecheret
Filho a ISTOÉ. Em 1936, iniciou sua principal obra - que
levou 33 anos para ficar pronta -, o Monumento às Bandeiras,
hoje um velho conhecido dos paulistanos que passam diariamente em
frente ao Parque do Ibirapuera.
Em 40 anos de
produção intensiva, espalhou 18 esculturas pela capital
paulista e dezenas de outras em museus do Brasil e do Exterior.
"A arte era um sacerdócio para ele. Mesmo nos finais
de semana, projetava esculturas pelos cantos da casa", lembra
o filho. A esposa, Juranda, com quem viveu 19 anos, avisou: "Trabalhando
desse jeito, vai morrer cedo." Sem desviar os olhos da escultura
que fazia, respondeu: "Um artista não precisa viver
muito, basta que fiquem suas obras." Morreu de parada cardíaca,
em dezembro de 1955. "Brecheret foi a escultura de São
Paulo", resumiu Oswald de Andrade.
VOCÊ
SABIA? Convidava o amigo Lasar Segall para jantar e dizia: "Vamos,
Lasar, você banca hoje que, numa próxima oportunidade,
será a minha vez." Depois de comerem, convidava o amigo
para um cafezinho. Aí Victor fazia questão de pagar
e dizia: "Ótimo, agora estamos quites. O próximo
jantar é por sua conta."
OBRA DE ARTE:
· Monumento às Bandeiras, Parque do Ibirapuera-SP
(1936 a 1953)
· Duque de Caxias, Praça Princesa Isabel - SP (1941)
· Fauno, Parque Trianon-SP (1942)
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