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15) VILANOVA ARTIGAS
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dos votos
De repente batiam
na porta da casa do velho Artigas, no bairro do Campo Belo, em São
Paulo. Quem era? Certamente um admirador que trazia uma garrafa
de vinho como "pedágio" para ouvir a fala simples,
entre os dentes, que crescia do metro e sessenta do arquiteto e
professor João Batista Vilanova Artigas.
Comunista ferrenho,
Artigas foi afastado das aulas em 1969, durante o regime militar,
depois de 30 anos lecionando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
da USP, que projetara e ajudara a fundar. Mas não abandonou
a vocação de mestre e continuou reunindo em sua casa
alguns dos mais de dois mil arquitetos que ajudou a formar. Também
abria a porta para personalidades. "O Luís Carlos Prestes
apareceu cinco vezes por lá e o Carlos Marighela até
levou uma mordida do Lobo", lembra o filho Júlio, referindo-se
ao pastor alemão que, às vezes, recebia os visitantes
com ferozes dentadas.
Nascido em Curitiba
(a 23 de junho de 1915), Artigas veio a São Paulo aos 17
anos para estudar Arquitetura. Frequentava grupos de artistas plásticos
(onde conheceu a esposa, Virgínia, com quem teve dois filhos)
e desenhava modelos vivos, o que era considerado uma maluquice pelos
colegas. O esforço resultou em projetos modernos e ousados
que privilegiam o espaço coletivo. Ganhador de prêmio
internacionais e um dos fundadores do Instituto dos Arquitetos do
Brasil, voltou à FAU em 1980 para ocupar o cargo de auxiliar
de ensino, recuperando a cadeira de professor titular quatro anos
mais tarde. Morreu pouco depois, a 5 de janeiro de 1985, para se
transformar num paradigma do ensino de Arquitetura no País.
"Se as formas são absurdas, é porque as premissas
são irracionais", repetia.
VOCÊ
SABIA? Por brincadeira, calculou tudo o que havia bebido a vida
inteira: "Deve dar US$ 1 milhão." Apreciava vinho
e uísque. Retirava o rótulo das garrafas e colava
na parede.
OBRA DE ARTE:
· Estação rodoviária de Londrina-PR
(1950)
· Estádio do Morumbi-SP (1952)
· Faculdade de Arquitetura e Urbanismo/USP (1961)
· Estação rodoviária de Jaú-SP
(1973)
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