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14) ALBERTO GUIGNARD|
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Certa vez, perguntaram
ao pintor Alberto da Veiga Guignard como ele sabia que havia terminado
um quadro. "Quando ele faz 'tiiim'...", respondeu o pintor.
Sempre visto como um menino ingênuo, era também simples
no seu modo de trabalhar. Um dia, guardou no bolso um pão
e depois seguiu por uma rua de Belo Horizonte (MG) espalhando migalhas
para que os pássaros comessem. Aí retratava a cena.
Guignard era capaz de pequenas malandragens, como assinar quadros
de seus alunos por achá-los bonitos ou até furtar
objetos para poder pintá-los. Certo dia, surrupiou de uma
igreja em Ouro Preto (MG) um vaso de prata. Uma beata chamou a polícia,
que bateu à sua porta. Mesmo ouvindo os berros dos policiais,
o "santo" (como o chamava Di Cavalcanti) não atendeu,
e a porta foi arrombada. Levado a julgamento, foi absolvido pelo
Tribunal de Justiça, que reconheceu ter o pintor se apoderado
do vaso apenas com o intuito de retratá-lo para depois devolvê-lo.
Nascido em Nova
Friburgo (RJ) a 25 de fevereiro de 1896, aos 21 anos matriculou-se
na Real Academia de Belas Artes de Munique (Alemanha) e foi influenciado
pelo expressionismo. Em 1929, retornou ao Brasil e, a convite de
Juscelino Kubitschek, prefeito de Belo Horizonte na época,
mudou-se para Minas Gerais em 1944 para ministrar cursos de pintura.
A partir de então, Guignard foi reconhecido por retratar
as montanhas mineiras e as cidades históricas do interior.
Uma de suas marcas registradas eram os balões de São
João.
Nos anos 50,
o alcoolismo fez com que passasse a depender da ajuda de alunos
para comer e morar. Muitas vezes, precisou ser carregado para a
casa pelos amigos. Chegou a trocar obras-primas por pratos de comida
ou garrafas de bebida, até que, a 26 de junho de 1962, morreu
de parada cardíaca, no Hospital São Lucas (MG), depois
de tentar apertar a campainha para chamar o enfermeiro.
VOCÊ
SABIA? Para sair do sufoco financeiro, usava uma tática
infalível. "Pinto um Santo Antônio e vendo barato.
Há sempre moças solteiras dispostas a comprar",
dizia Guignard.
OBRA DE ARTE:
· A família do fuzileiro naval (1938), Instituto
de Estudos Brasileiros (USP)
· São Sebastião (1960), Acervo do Banerj-RJ
· Noite de São João (1961), coleção
particular
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