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03/05/2001
O
significado do Ano Internacional do Voluntariado para as empresas
As
empresas públicas ou privadas, queiram ou não, são agentes sociais
no processo de desenvolvimento
Herbert
de Souza
Elcio
Anibal de Lucca (*)
A
Assembléia Geral das Nações Unidas, em 20 de
novembro de 1997, proclamou 2001 como o Ano Internacional do Voluntariado.
De lá para cá, houve uma conscientização
generalizada da necessidade de se institucionalizar o voluntariado
entre os vários agentes sociais.
A
dificuldade do Estado em garantir recursos financeiros para suportar
algumas despesas crescentes, como na saúde, que vem evoluindo
a um ritmo acelerado por conta até mesmo da maior expectativa
de vida - e a educação, que exige mais investimentos
para a qualificação da mão-de-obra, num prazo
mais longo -, tem sensibilizado a sociedade em prol dos mais carentes.
A
figura institucionalizada do voluntário surgiu a partir desse
contexto de escassez de disponibilidade oficial para os programas
sociais, do aumento da miséria e, portanto, da marginalização
em alta e da segurança da sociedade em risco.
O
voluntariado é a pura expressão do espírito
cívico no exercício da solidariedade, da qualidade
de vida e do desenvolvimento. Cabe lembrar que o voluntariado não
é uma atitude nova no País. O brasileiro possui uma
longa tradição em programas desse tipo. Os trabalhos
realizados nas comunidades de base, vinculados a ordens religiosas,
são exemplos dessa iniciativa.
Por
essa razão, a transposição de ações
individuais ou isoladas de voluntariado para o âmbito da Responsabilidade
Social das empresas tem sido bem sucedida.
Os
líderes empresariais precisam ter em mente que em qualquer
negócio uma organização só tem sentido
se os seus resultados trouxerem benefícios ao homem. As empresas
que têm atuação mais focada na cidadania constatam
que essa prática gera um grande reconhecimento e admiração
da sociedade. Entretanto, as iniciativas sociais das empresas devem
estar totalmente desvinculadas de seu negócio, tanto estratégico
quanto administrativo, e sem a expectativa de algum tipo de retorno,
até mesmo para que seu programa de Responsabilidade Social
não perca a credibilidade.
A
filantropia é o instrumento mais conhecido e praticado na
relação entre empresas e comunidades carentes. Porém,
o voluntariado é o mais envolvente.
Não
existe ainda no Brasil um perfil característico de voluntariado
empresarial. O que se tem visto é a diversidade. Existem
programas estruturados e mais antigos até os mais novos e
os informais.
As
empresas devem definir a forma de apoio social com que seu comportamento
organizacional mais se identifica, lembrando que a principal característica
de um programa de voluntariado é a flexibilidade de atuação.
No
voluntariado corporativo, os profissionais envolvidos têm
exercitado novas habilidades e vivenciado experiências e papéis
inéditos. Esse programa é uma forma de gerar lideranças
sem abandonar o espírito de equipe, tão necessário
para as empresas. Ao criar projetos comunitários, os profissionais
estão exercitando e ampliando seu conjunto de competências.
Em termos pessoais, as pesquisas mostram que todos aqueles que praticam
o voluntariado se sentem mais motivados e confiantes no dia-a-dia.
Para
as empresas, o voluntariado contribui para um clima organizacional
muito mais positivo e sinérgico. Na SERASA, a Responsabilidade
Social tem sua prática fundamentada no voluntariado. O programa
é tido como modelo pelo Guia da Boa Cidadania Corporativa
da Revista Exame, em que dentre 400 empresas pesquisadas foram selecionadas
apenas dez que mais se destacaram para constar da publicação.
De
qualquer forma, muito antes dessa tendência, há dez
anos, para ser mais exato, a SERASA já desenvolvia os primeiros
passos de seu programa de voluntariado, sempre compromissado única
e exclusivamente com o exercício da cidadania e da ética,
que compõem seus valores.
Com
o advento do Ano Internacional do Voluntariado, a SERASA está
em consonância com o apelo mundial e acha que todas as empresas
devem fazer o mesmo.
Por
essa experiência, digo que o voluntariado vale a pena! O atual
time de voluntários conta com 569 Ser SERASA - como são
identificados aqueles que trabalham na empresa - e seus familiares
(que também se sentiram sensibilizados pelas atividades desenvolvidas).
O
programa definido pela SERASA está dirigido para aqueles
que não tiveram oportunidade, mas que contam com a dedicação
de nossos voluntários, que abrem mão de horas com
suas famílias e compartilham a competência de seu trabalho,
dando as ferramentas para que esses cidadãos menos favorecidos
recuperem sua auto-estima e busquem por si próprios sua inserção
na sociedade.
Acredito
que a maior contribuição que todas as empresas e seus
profissionais podem dar neste Ano Internacional do Voluntariado
é criar ou consolidar seus programas de voluntários
promovendo ao próximo dignidade, contribuindo efetivamente
para o resgate da dívida social. Como destacado, o voluntariado
não é novidade para os brasileiros mas, em termos
corporativos, muitas vezes está no inconsciente da empresa,
basta identificá-lo e concretizá-lo.
(*)
Elcio Anibal de Lucca é administrador de empresas
pela Fundação Getúlio Vargas/SP e Presidente
da SERASA
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