Ana Cristina Aleixo
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Da
esquerda para a direita: Severino Antinori , Panayiotis
Zavos e Brigitte Boissolier
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Uma mulher deverá dar à luz ao primeiro clone humano.
Isso mesmo. Pelo menos é o que afirmou o italiano Severino
Antinori, um dos mais polêmicos especialistas em reprodução
humana, durante um encontro ocorrido na semana passada, nos Emirados
Árabes Unidos. Nem seu escritório em Roma, nem o de
seu colega de pesquisa, Panayiotis Zavos, confirmaram a informação.
Também não se sabe ainda a nacionalidade da gestante.
Tanto um, quanto outro, restringiram-se apenas a dizer que vão
falar sobre o assunto daqui a duas semanas.
O assunto caiu como bomba na comunidade científica. Todos
sabiam
que as experiências com clones humanos caminhavam a passos
largos, mas não se esperava que chegasse a uma conclusão
tão rápida. Em março de 2001, a dupla Antinori-Zavos
já havia anunciado - em uma reunião na Academia Nacional
de Ciências dos EUA - que estavam trabalhando com óvulos
de 200 casais inférteis de todo o mundo para obter um clone.
Segundo eles, este é um processo simples que consiste em
transferir o núcleo clonado para o óvulo de uma mãe
hospedeira.
Até aí, nada de surpreendente. O problema é
que ninguém sabe como controlar este processo. As chances
de o feto sofrer deformações ou, ainda que venha a
nascer, desenvolver doenças congênitas ou um
câncer são grandes. Só para se ter uma idéia,
para se chegar à
ovelha Dolly - a primeira experiência de sucesso nesta área
- foram necessárias quase 280 tentativas.
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Natsuko
Yoshikawa, a gueixa da Clonaid
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É o que lembra o médico Roger Abdelmassih,
uma das maiores autoridades em reprodução humana assistida
do País. Abdelmassih é o papa das técnicas
de fertilização em proveta e foi responsável
pelo nascimento dos gêmeos de Pelé. "Em menos
de nove meses saberemos se a declaração de Antinori
é verdadeira ou não", afirma. "Não
há dúvidas de que já é possível
obter um clone humano, mas, até agora, o resultado das experiências
feitas com animais são muito ineficientes." Pessoalmente,
Abdelmassih não aceita a criação de clones
humanos sem a garantia de que "eles" terão uma
vida saudável. Esta é também a opinião
do padre Marcio Fabri dos Anjos, da Arquidiocese Metropolitana de
São Paulo. "Somos contra a clonagem humana", diz.
"Experiências
como a realizada na novela O Clone são fantasia."
Não é difícil de se imaginar que, mesmo sem
ter a confirmação da gravidez, cientistas, autoridades
do governo e organizações civis reagiram com furor
à notícia. Vários são os países
em que experimentos como esses são proibidos. O Reino Unido
é o que mais bate o pé
contra a clonagem. Nos Estados Unidos a prática é
permitida, mas
não pode ser financiada pelo governo. Além do posicionamento
do
poder público, há ainda outro entrave: a falta de
uma legislação internacional que defina os padrões
éticos a serem seguidos. É um dos pontos que deixam
a comunidade científica em polvorosa. Não é
à toa que o anúncio do clone de Antinori causou reações
contrárias nas principais universidades e laboratórios
do mundo inteiro. Segundo a revista New Scientist, que divulgou
a notícia em seu site, há um misto
de surpresa e revolta entre os especialistas.
De fato, as pesquisas sobre clonagem humana estavam ainda engatinhando.
Em novembro do ano passado, a empresa americana Advanced Cell Tecnology
(ACT) chegou a criar três embriões clonados, cada um
com seis células. Mas, nenhum deles sobreviveu. O revés
jogou um balde de água fria nas pesquisas lideradas pela
equipe de Antonioni e de sua maior adversária, a bioquímica
Brigitte Boissolier,
do laboratório americano Clonaid. Ambos travam uma guerra
declarada para obter o primeiro clone humano. Antinori estava em
desvantagem. Em agosto do ano passado, o Clonaid apresentou a gueixa
Natsuko Yoshikawa, que seria a primeira a gestar um clone humano.
A idéia emperrou porque o governo americano não deu
seu aval. Agora, neste cabo de guerra, parece que o italiano está
levando a melhor. De
qualquer forma, é ainda cedo - muito cedo, aliás -
para cantar vitória. Claro que a clonagem é uma arma
poderosa, mas ninguém sabe
muito bem o que pode fazer com ela.
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