157401 de dezembro de 1999  

  L I V R O S
Dinheiro sim

Um escritor tem que trabalhar oxigenado. É o pensamento do baiano João Ubaldo Ribeiro, que em matéria de vendagem de livros só perde para Jorge Amado e Paulo Coelho. “Pra começo de conversa, preciso de dinheiro, pelo menos até minha mulher acertar na loteria. E entre trabalhar com prazo ou trabalhar sem prazo, eu prefiro não trabalhar, então...” Segundo Ubaldo, esta história de “concentração, clausura, é pura cascata”. E faz uma lista: “Dostoievski vivia acossado por seus editores. Da Vinci, Rembrandt e Goya pintavam sob encomenda. Mozart e Bach tinham prazos apertadíssimos. E Balzac criava com os credores esmurrando a porta, ele escrevia com pena de ganso, não tinha computador”, ironiza. Ubaldo considera o computador “uma máquina primitiva e burra, criada por corporações destituídas de princípios e que ninguém entende.” O escritor, que assinou um contrato com a Editora Nova Fronteira até 2010, sem maiores comprometimentos exceto publicar o que escrever, no momento trabalha em um novo romance e colabora na roteirização para o cinema de uma de suas histórias, ao lado do diretor Cacá Diegues, sob o título provisório de Deus é brasileiro.

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