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Foto: STEIN/PAPALUZ
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Veríssimo encara o ofício de escritor como outro qualquer
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L I V R O S
Escrita a jato
LUIZ CHAGAS
A idéia do escritor como aquele ser recluso e compenetrado, que aguardava a inspiração de coração aberto, evitando não afugentá-la nos envolvimentos com a realidade imediata, para muitos não passa de uma moda antiga, um devaneio romântico. Cada vez mais, a atividade literária se assemelha à jornalística, em que o produto final, a notícia ou, no caso, o livro, cumpre data de fechamento e o fluxo criativo tem de obedecer a um organograma. Isa Pessoa, diretora editorial da Objetiva, chama esta tendência de profissionalismo. “Tudo é questão de uma postura ativa e criativa por parte da editora de inventar, sugerir idéias para os autores”, diz ela. “Nós propomos e caso o autor aceite vai haver um deadline.” Há até aqueles que, assumidamente, dizem que escrevem só por dinheiro. O gaúcho Luis Fernando Verissimo, por exemplo, que acaba de lançar a trilogia Vide Verissimo (Editora Objetiva) e está sempre às voltas com vários projetos simultâneos, é determinado. “Hoje se considera escrever um ofício como qualquer outro, como a carpintaria, no sentido de que não é possível nem preciso esperar inspiração especial para fazer um bom armário.” Com o jornalista e escritor carioca Carlos Heitor Cony a experiência de agora produzir em ritmo McDonald’s ocorreu de outra forma. Após um hiato de 23 anos, em que não escreveu “porque foram anos felizes da minha vida”, ele lançou quatro romances em seguida desde 1996. “Não tenho tendência a sacralizar a atividade de escritor”, avisa. “Existe uma diferença entre procriar e constituir família. Escrevi Quase memória (Companhia das Letras) em 30 dias porque tinha o interesse de entregar o livro logo e outros projetos para tocar.” Se o assunto é tocar projetos, o escritor e médico sanitarista gaúcho Moacyr Scliar é o campeão no assunto. Somente nesta década lançou nada menos do que 24 romances. Os mais recentes são A mulher que escreveu a Bíblia (Companhia das letras) e A colina dos suspiros (Editora Moderna), sem contar os inúmeros artigos para jornais de todo o País. “Eu parto da premissa de que sou um cara que escrevo, então eu sento e escrevo mesmo”, diz ele. Scliar atribui a velocidade à sua aposentadoria ocorrida há 11 anos - embora continue professor de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina - e ao surgimento do computador, que aprendeu a utilizar nos anos 80 com o filho Roberto, então com nove anos. “Antes eu ficava rabiscando os papéis, guardanapos na hora do almoço, e ia ficando uma zoeira no meu bolso, às vezes nem entendia minha letra.” Atualmente, ele pode ser visto batucando as teclas de seu laptop na sala de espera de aeroportos. Até já se acostumou a ouvir: “E aí, Scliar, escrevendo outro livro?” Colaborou Celso Fonseca Leia também: Dinheiro sim
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