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C I N E M A
Reza brava
Religiosidade é tema de Fé e Santo forte
Uma misteriosa sincronia uniu os cineastas Ricardo Dias e Eduardo Coutinho, respectivamente diretores dos documentários Fé e Santo forte, em cartaz em São Paulo, dois impressionantes retratos da religiosidade brasileira. Durante mais de um ano, Dias acompanhou festas santas pelo Brasil afora. Entre outros rituais, filmou os festejos de Nossa Senhora Aparecida (São Paulo), o Círio de Nazaré (Pará) e a lavagem do Bonfim (Bahia), conseguindo pelo menos duas sequências antológicas - um enterro em Juazeiro do Norte (Ceará), cujo cortejo é atravessado por gestos ancestrais dos acompanhantes, e uma sessão espírita em Uberaba (Minas Gerais), quando registra as reações da mãe que recebe mensagens do filho morto num acidente de carro. “Procurei investigar o assunto meio desarmado e sem preconceitos”, afirma Dias. O mesmo procedimento se dá em Santo forte. Mas, ao contrário de Fé, que se pretende um mosaico, Eduardo Coutinho centra-se apenas numa comunidade carioca, a favela Vila Parque da Cidade, situada na Gávea. Sem cacoetes jornalísticos, o cineasta ouviu os moradores contando suas experiências com o mundo espiritual. O resultado é uma verdadeira aula de cinema. I.C.
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