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ACM
deu chabu
Num "estilo" Jânio Quadros, o
senador baiano se disse vítima de "poderosas forças" e renunciou
ao mandato sem nenhuma revelação bombástica contra FHC
Leia
as reportagens de ISTOÉ que deram
origem ao caso do painel do Senado:
Abaixo da cintura
Fisgado pela voz
É hora de agir
Ana
Cristina Aleixo
| Roberto
Barroso/Agência Brasil |
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Em seu discurso de renúncia, iniciado às
15h15 no Plenário, o senador Antonio Carlos Magalhães
(PFL-BA) apresentou-se como vítima de uma farsa montada com
a ajuda de "poderosas forças" e disse que embora
tenha sido crucificado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar,
não se calará diante dos fatos. "Desmascarei
e continuarei desmascarando os ladrões, os criminosos de
todos os crimes, julgadores de minha conduta ética que são
desprovidos de conduta própria para fazê-lo",
ameaçou ACM.
Em seguida, o senador criticou o presidente Fernando Henrique Cardoso
e citou dados dos órgãos do governo para alertar que
o País está à beira da falência: de dezembro,
de 1994, a março, de 2001, a dívida líquida
do setor público passou de R$ 153 bilhões para R$
589 bilhões e o passivo externo líquido chega a 70
% do PIB. O senador reclamou ainda das taxas de desemprego e das
cargas tributárias e aconselhou FHC a "mudar a orientação"
no tempo que lhe resta para ver se consegue recuperar o prestígio
que o elegeu duas vezes. ACM lamentou ainda o preço elevado
que a população irá pagar pela crise energética.
O senador também criticou o Judiciário, citou a absolvição
do ex-deputado Sérgio Naya no caso do desabamento do edifício
Palace II, no Rio, e disse que o juiz Nicolau dos Santos Neto, o
"Lalau", será solto.
"Mas o que mais me aterroriza é o apagão moral",
emendou o cacique baiano, referindo-se novamente à atuação
do Conselho de Ética no episódio de violação
do painel eletrônico. Para ele, os senadores não buscaram
a justiça, mas sua condenação política,
o que satisfaria o governo. ACM reclamou da falta de isenção
dos integrantes do conselho, mas disse sair do processo convencido
de que eticamente tinha razão e que FHC o alforriou do compromisso
de acompanhar até o fim o longo declínio de seu governo
"Sem mandato, sinto-me mais livre do que nunca para trabalhar
pelo Brasil."
Com a renúncia, a vaga de ACM no Senado será assumida
pelo seu suplente, Antônio Carlos Magalhães Júnior,
seu filho mais novo.
ACM anunciou ainda que está voltando para a Bahia para receber
o carinho de seus amigos; artistas, motoristas de táxi, comerciários
que reconhecem seu valor. 
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