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Política
Procurador
confirma reportagens
de ISTOÉ
Em depoimento ao Senado, Luiz
Francisco confirmou
as transcrições do encontro com ACM. Jornalistas
também foram ouvidos
Ana
Cristina Aleixo
O
procurador da República Luiz Francisco de Souza confirmou
nesta quarta, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do
Senado, a veracidade das transcrições das fitas contendo
a conversa com o senador Antonio Carlos Magalhães ao Ministério
Público e publicadas com exclusividade por ISTOÉ.
Souza, que foi o responsável pela gravação,
disse ainda que os seus dois colegas presentes na reunião,
Guilherme Schelb e Eliana Torelly, tinham pleno conhecimento do
fato.
O procurador
afirmou estar arrependido de ter mostrado as fitas somente a jornalistas
da ISTOÉ. "Me arrependo de ter divulgado a um grupo
de jornalistas, e não ter convocado uma coletiva de imprensa.
Foi uma tolice", disse Souza que aproveitou para mais uma vez
pedir que seja criada uma CPI para investigar as denúncias
feitas pelo senador baiano. Os jornalistas da revista envolvidos
também confirmaram o conteúdo das reportagens.
O repórter Andrei Meireles disse que o procurador pediu ao
diretor da ISTOÉ em Brasília, Tales Faria, o empréstimo
de um gravador para registrar a conversa. Segundo Meirelles, Souza
justificou sua atitude como uma precaução e firmou
um acordo com os jornalistas da revista - ele, Mino Pedrosa e Mário
Simas Filho - para que a reportagem não gravasse o diálogo
com o procurador.
Após
o encontro com o senador, Souza teria permitido que os repórteres
ouvissem a fita e anotassem o conteúdo, com o compromisso
de não publicar a existência de uma gravação.
A transcrição foi feita com base em duas fitas audíveis,
segundo Meireles. O jornalista explicou que, após a repercussão
da primeira reportagem, o procurador surgiu com uma terceira fita,
inaudível, com a qual foi elaborada a segunda reportagem.
Nessa ocasião, Luiz Francisco teria dito aos jornalistas
que havia deixado as duas outras fitas com os outros procuradores
que tinham participado do encontro com o senador.
Meireles
e Mino reafirmaram que, na primeira fita, ACM falava claramente
na existência de uma "lista" sobre quem votou a
favor e contra a cassação do ex-senador Luiz Estevão
e também da expressão "chegar ao presidente da
República", referindo-se à conseqüência
que teria a quebra do sigilo telefônico do ex-auxiliar do
presidente Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Jorge Caldas Pereira.
Meirelles disse que eventuais diferenças entre a ordem dos
diálogos publicados pela ISTOÉ e a transcrição
do perito Ricardo Molina pode ser conseqüência do fato
de os jornalistas terem voltado várias vezes a fita para
entender o conteúdo.
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