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Trabalho
sem patrão
Briga por nome da sigla enterra fusão de partidos
trabalhistas
Aziz
Filho
| Renato
Velasco |
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As
negociações para a fusão do PDT ao PTB voltaram
à estaca zero. O ex-governador Leonel Brizola, de 78 anos,
se rendeu aos apelos de seus seguidores - envergonhados em aderir
a um partido com a marca do adesismo fácil - e exigiu a mudança
da sigla. A proposta foi rechaçada pelos deputados do PTB.
O fim da sigla enterraria o que talvez seja o último símbolo
do trabalhismo, que nos anos 50 fez do PTB um dos três maiores
partidos do País e que, paradoxalmente, tem em Brizola seu
herdeiro histórico. Em 1980, um ano depois de voltar de um
exílio de 15 anos, Brizola perdeu a sigla do PTB na Justiça
Eleitoral, fundando o PDT.
"Brizola foi sincero. Ele tem uma turma de patrulheiros que
não admitem entrar no PTB, mas não abrimos mão
da legenda. Ela tem 55 anos e está viva", diz o presidente
do PTB no Rio, deputado Roberto Jefferson, que participou do almoço
na casa de Brizola, quando foi feita a proposta de mudança
de nome, com os deputados Miro Teixeira (PDT-RJ) e José Carlos
Martinez, deputado e presidente do PTB. Jefferson é um dos
ícones do PTB atual que os brizolistas não engolem.
A
fusão com o PTB seria uma forma enfrentar a reforma política,
que deverá exigir um mínimo de votos, provavelmente
5%, para uma legenda se manter. Se faz sentido do ponto de vista
legal, a idéia de que a fusão resgataria a força
do trabalhismo na Era Vargas beira o delírio. O crescimento
do PT e outros partidos de esquerda, a mudança radical da
economia e a falta de líderes carismáticos são
obstáculos intransponíveis à restauração
do trabalhismo à imagem do antigo PTB.
"A
economia era muito menos diversificada e o PTB da época nada
tem a ver com o de hoje. O herdeiro do trabalhismo foi o PDT, que
só tem decrescido de 1989 para cá e está terminando
junto com Brizola. É difícil aparecer alguém
para ser o fio condutor desta história", descarta o
cientista político Wanderley Guilherme dos Santos. Para ele,
o modelo econômico da gestão Fernando Henrique, com
a retirada do Estado de muitos setores econômicos, tornou
o Brasil ainda mais distante dos anos Vargas. Não foi à
toa que Fernando Henrique, numa frase histórica, afirmou
que sua eleição era o fim da Era Vargas.
Para
a cientista política Maria Celina D´Araújo,
especialista nos anos Vargas, está em baixa o modelo político
fundado na existência de um líder carismático
que distribui favores do Estado e fortalece corporações.
"Há muito espaço para partidos com discurso de
defesa do trabalhador, mas não no sentido antigo. A sociedade
caminha para a universalização dos direitos, ao contrário
do trabalhismo varguista, que só reconhecia os trabalhadores
formais e a burocracia", avalia Maria Celina. Ela lembra que
Fernando Henrique desferiu um golpe no modelo getulista, principalmente
com as privatizações. "Mas não se zera
a história de uma hora para outra. Muitas criações
de Getúlio se mantém, como o imposto sindical, o sindicato
único e os privilégios do Poder Judiciário
e dos militares." Quanto à fusão com com o PTB,
se ocorrer, segundo Maria Celina, representará "a extinção
do PDT junto com Brizola". 
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