|
Pop
romântico
A banda gaúcha Nenhum de nós está
de volta com o ótimo Histórias reais
Ana Cristina Aleixo
|
Divulgação |
 |
A banda Nenhum de Nós, que estourou em 88 com a música
Camila, Camila, está de volta às paradas com
o CD Histórias reais, seres imaginários que
reúne dez canções inéditas. Com composições
inspiradas em experiências vividas por amigos dos integrantes
do grupo e um som bem anos 60, o vocalista e baixista Teddy Corrêa
espera tocar fundo o público. "O romantismo nas rádios
é muito superficial. Como falo de coisas verdadeiras e que
podem acontecer com qualquer um, daí o nome do disco, as
músicas devem atingir as pessoas de maneira muito forte",
aposta ele.
 |
Mas Teddy não canta apenas amores e desamores, culpas e
desculpas entre os pares como em Amanhã ou Depois,
carro-chefe deste novo trabalho que já pode ser conferido
nas rádios. A faixa O Sorriso de Jennifer conta a
história de um garoto que se veste de mulher à noite
e corre perigo nas ruas e Quem se importa fala de uma adolescente
que busca a saída de seus problemas nos excessos: "Comprimidos,
pega um beck/ E o que mais pintar/ Bebe além de seus limites/
E sempre passa mal".
Ainda que estas letras dividam o encarte do CD com diversas fotos
de jovens de todos os estilos e em todas as poses, Teddy nega que
seja um trabalho voltado para o público adolescente. "São
retratos de uma época pela qual todos passaram; recortes
das vidas de cada um", explica.
| Divulgação |
 |
Depois de passar alguns anos distante da mídia, a banda
espera que o público se interesse pelos seus trabalhos anteriores.
"Não estamos preparando terreno para lançar um
acústico ou uma coletânea", frisa o guitarrista
Veco Marques. "Nós estamos numa fase de compor bastante
e vamos aproveitar isso", completa. Histórias reais
é o nono disco da banda que, em 94, lançou o Acústico
ao vivo, gravado no Theatro São Pedro, em Porto Alegre,
seguido de Mundo Diablo, de 96, em que contam com parceiros
como Edgard Scandurra (Ira!) e Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso).
Aliás, o ex-líder do Paralamas é o responsável
pelo solo de guitarra final de Nego, quinta faixa do CD.
O guitarrista Carlos Stein conta que Hebert Vianna foi procurado
pela Sony para que avaliasse o trabalho semi-pronto. "Ele não
só aprovou, como também apareceu no estúdio
para deixar sua assinatura paralâmica", brinca Stein.
Outra participação especial em Histórias
reais é a do fã-clube S.E.R.. Em uma visita ao
estúdio onde o conjunto gravava a canção Uma
História Real, os integrantes tiveram suas vozes gravadas.
A conversa aparece no final da canção, que trata da
"paixão platônica" de um fã pelo seu
ídolo. Mas, segundo a banda, seus fãs não têm
do que se queixar. "Sempre os recebemos, trocamos até
idéias com eles. Procuramos diminuir o 'silêncio quase
sólido entre nós'", afirma o vocalista, referindo-se
a um dos versos da música. Entre as muitas bandas de que
é fã, a banda destaca R.E.M como uma grande influência.
O som do recém-lançado álbum de R.E.M. também
é inspirado nos anos 60. "Na verdade, eles foram influenciados
por nós", diverte-se Teddy. 
|