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Literatura
O
sítio do pica-pau amarelou
Um dos maiores escritores brasileiros,
Monteiro Lobato é jogado para o fundo das prateleiras por briga
judicial ao mesmo tempo em que Harry Potter é fenômeno de vendas
no
País
Luciana
Ackermann
Quando
se lê a lista dos livros mais vendidos nas livrarias brasileiras
últimos meses, vê-se que a literatura infanto-juvenil tem posição
de destaque. No topo estão os livros sobre Harry Potter, um menino
inglês aprendiz de feiticeiro. Sua história, publicada em quatro
volumes, corre o mundo em milhões de exemplares que provocam filas
nas portas da livrarias. No Brasil, centenas de milhares de meninos
e meninas fizeram os pais desembolsarem vários reais na compra das
duas edições em português. O encanto de Harry Potter confirma que
a criança brasileira gosta e quer ler bons livros. Ao repassarmos
esta lista, nota-se que algo está faltando: histórias fantásticas
de um certo Tio Barnabé, casos de uma tal de Dona Benta, estripulias
de uma boneca de pano chamada Emília. Estes são alguns dos personagens
do escritor Monteiro Lobato, que por várias décadas encantam o País.
Uma briga pelo direito de publicação faz com que as
novas gerações corram o risco de não conhecer o dia-a-dia do Sítio
do Pica-Pau Amarelo.
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Álbum
de família
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Monteiro
Lobato
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Enquanto
herdeiros de Lobato e Editora Brasiliense não chegam a um acordo,
a literatura infanto-juvenil brasileira acaba sendo prejudicada.
É que no final 1998 a editora reeditou o livro Reinações de Narizinho
e lançou mão de algumas mudanças, as quais a família do autor não
deu seu aval. A partir daí, travou-se a briga judicial que tem freado
qualquer iniciativa referente a Lobato, faltam investimentos de
publicidade, divulgação de suas obras e a reedição de alguns títulos
que estão esgotados. Com isso, todos perdem, afinal muitas crianças
podem estar deixando de mergulhar no encanto e na magia de suas
histórias. Seus livros para crianças estão nas prateleiras das livrarias,
as vendas são constantes, mas nada compatível ao legado deixado
pelo mestre. Isso acontece ao mesmo tempo em que a coleção da escritora
inglesa J.K. Rowling, Harry Potter, faz a festa com centenas de
milhares de exemplares vendidos no Brasil nosegundo semestre deste
ano.
Longe
de compartilhar o mesmo ponto de vista, a família de Lobato quer
rescindir o contrato e estabelecer uma parceira com outra editora.
Já a Brasiliense, que idealizava dar continuidade ao projeto de
republicar a obra Reinações de Narizinho em três volumes, paralisou
o trabalho no primeiro deles Reinações de Narizinho - No Reino das
Águas Claras, que já é alvo de uma série de apreensões e liberações.
A
editora desmembrou o livro em três volumes, acrescentou um glossário
de palavras da época e também o intertítulo "no Reino das Águas
Claras". O engenheiro aposentado Jorge Kornbluh, representante dos
herdeiros do escritor de Taubaté, esclarece que não houve autorização
para qualquer tipo de alteração, ferindo assim a Lei dos Direitos
Autorais. São quatro os titulares dos direitos do autor: Os netos
Joyce Campos Kornbluh e Rodrigo Monteiro Lobato, a ex-mulher de
Rodrigo, Marlene Pacca de Lintz e o já citado Jorge Kornbluh, marido
de Joyce.
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Reprodução
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Em
1945, Lobato assinou contrato com a Editora Brasiliense, da qual
foi sócio-fundador, concedendo os direitos de editar todos os seus
livros. Mas segundo Kornbluh, de acordo com a lei, nenhum editor
pode modificar um livro. Para a neta de Lobato, o mais grave de
toda essa situação é que ao dividir o texto da obra em três partes,
o leitor é obrigado a desembolsar mais do que pagaria se pudesse
comprar o texto integral num único volume.
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