| Energia
nuclear II |
07/12/2000
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Lixão
radioativo
Restos de material nuclear devem ser guardados
por até 300 anos, mas faltam locais apropriados no País
Hélio
Contreiras
| Marcelo
Sayo/Ag O Globo |
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| Rejeitos
das Usinas Nucleares de Angra I e Angra II, em depósito
provisório da Eletronuclear |
Com
duas usinas nucleares em funcionamento, um instituto de pesquisas
e um de radioproteção, além de clínicas
e hospitais que usam a energia nuclear em diagnósticos e
tratamentos, o Rio de Janeiro é a cidade brasileira que mais
produz lixo atômico. Só em Angra dos Reis, onde está
a Central Nuclear Álvaro Alberto, já estão
estocados 4,5 mil tambores com rejeitos radioativos. "Esse
material não pode ficar nestas condições por
tempo indeterminado", diz a ISTOÉ o assessor da presidência
da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Alfredo Tranjan.
O engenheiro reconhece que é preciso resolver logo o problema
do destino do lixo das duas usinas. "Com o início de
funcionamento de Angra 2, recentemente, passamos a produzir o equivalente
a mil tambores de rejeitos nucleares por ano". Nos quinze anos
de operação de Angra 1, o plano do depósito
definitivo foi se arrastando na burocracia federal. Mas a CNEN acaba
de chegar à conclusão de que é melhor construir
o depósito dos rejeitos em área próxima das
usinas, para evitar os riscos do transporte de material radioativo.
O material radioativo terá de ficar estocado durante 300
anos, para evitar riscos para a vida humana, inclusive câncer.
O Instituto de Radioproteção e Dosemetria, localizado
no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste carioca, faz o controle
das instituições nucleares brasileiras. Seu diretor,
Ayrton Caubit, defende a construção de depósitos
nos estados que têm maior quantidade de rejeitos nucleares.
"É uma maneira de se evitar o risco e o elevado custo
do transporte de material radioativo", diz. Para o engenheiro,
este é ainda um recurso capaz de evitar adiamentos sucessivos
para uma solução destinada a garantir segurança
à população. Caubit argumenta que não
há mais condições de se discutir o problema
politicamente. "É necessária uma solução
técnica, racional e segura". Ele cita a decisão
do governador de Minas, Itamar Franco, de proibir a passagem de
rejeitos nucleares no Estado. Isso reduz a possibilidade de se escolher
um depósito único para o País, que envolveria
o problema do transporte.
Os estados que produzem maior quantidade de lixo nuclear são
Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. No Estado do Rio
de Janeiro há rejeitos não só das duas usinas
de Angra, mas também da Fábrica de Combustível
de Resende, do Instituto de Engenharia Nuclear da Ilha do Fundão
e do Instituto de Radioproteção e Dosemetria, além
dos produzidos em clínicas, hospitais e em alguns segmentos
da indústria. Em São Paulo há rejeitos radioativos
do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares, da USP,
e do Centro Tecnológico da Marinha, localizado em Iperó,
a cerca de 20 quilômetros de Sorocaba. Em Belo Horizonte há
lixo nuclear do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear,
da antiga mina de urânio de Poços de Caldas. Na Bahia
também terá de haver um destino para os rejeitos da
mina de urânio de Caetité, no interior do Estado, e
também em Pernambuco, onde está sendo construído
o Centro Regional de Ciências Nucleares do Norte e Nordeste.
O depósito mais caro para os rejeitos nucleares deverá
ser o do Rio de Janeiro, cujo custo poderá chegar a US$ 10
milhões. O projeto será baseado no construído
em Goiânia, onde foram colocados os rejeitos do césio
137, que provocou o acidente de 1987 e custou US$ 2 milhões.
O engenheiro Alfredo Tranjan, que coordenou o projeto de Goiânia,
afirma que para o depósito do Rio de Janeiro irá o
combustível nuclear que não será reutilizado.
Os que ainda podem ser usados em usinas ficam nas piscinas construídas
em Angra 1 e 2. Tal como o da capital goiana, o depósito
fluminense permitirá que o material radioativo seja colocado
em um subterrâneo, sem riscos para a população.
No de Goiânia foi criado um Centro de Proteção
Ambiental, que já recebeu mais de 40 mil visitantes. O centro
é monitorado com frequência por técnicos da
CNEN e, segundo Tranjan, "foi construído com paredes
de 60 centímetros, protegido com camadas de concreto e à
prova de intrusão (atentados e abalos sísmicos)".

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