| INTERNET Invasores
de rede Série de ataques revela segurança
precária na Internet do País Leia
também: Entrevista
com um hacker Juca
Rodrigues Nas
últimas semanas, dezenas de sites brasileiros tiveram suas home pages alteradas
ou tiradas do ar por hackers, os intrusos cibernéticos. Anti Security
Hackers, Jaba com Girimum Hacking Club e Hackers Family são
alguns dos grupos que dizem fazê-lo apenas para testar a segurança
dos sistemas. Na maioria dos casos, no lugar de uma página correta é
colocada outra com a marca da confraria invasora, nomes em código dos membros,
por exemplo Vugo Verbal Killer, ^ZigFred^, ScorpionKTX e HardCore, e-mail para
contato e texto denunciando as falhas do local invadido. Todos eles afirmam serem
hackers "do bem" que estão apenas dando um alerta aos responsáveis
pelas páginas. A
maioria dos ataques bem sucedidos acontece contra pequenas empresas ou organizações
pouco conhecidas e endereços do governo. As primeiras geralmente têm
uma estrutura mínima, portanto com pouco investimento em sistemas de proteção,
que são caríssimos. Já a burocracia pública impede
uma resposta rápida ou então não fica muito preocupada em
rastrear os eventuais atacantes. A Secretaria de Saúde da Paraíba,
a Secretaria da Fazenda de Tocantins e a Procuradoria Regional do Trabalho do
Paraná foram alguns dos órgãos públicos atacados na
Rede entre fins de outubro e começo de novembro deste ano.
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| Homepage
da Telemar/ES em 24 de outubro | Prestadoras
de serviços públicos e grandes corporações constantemente
sofrem tentativas de assalto virtual. A Telemar, companhia telefônica que
opera do Rio de Janeiro até o Amazonas, viu a página de sua subdisiária
no Espírito Santo ser usada para um manifesto contra telefones com defeito.
Vários grupos reivindicam a glória de ter arriado a bateria da Ford
Brasil em 24 de outubro, o que a empresa nega. A direção da montadora
"confirma que houve uma tentativa de invasão detectada em tempo pelo
sistema de segurança, sem impacto na home page." Dor
de cabeça Mas
são as companhias especializadas em proteção as que mais
sofrem com os arrombadores digitais. Os membros do Jaba com Girimum Hacking
Club alardeiam ter posto fora do ar o site da Módulo, justamente a
maior empresa de segurança do País. Suas páginas teriam "caído"
duas vezes, uma na segunda quinzena de outubro e outra no dia 10 de novembro último.
Para Fernando Néry, presidente da empresa, isso é apenas obra de
"um garotinho querendo aparecer". Segundo ele, mudanças de provedor
e de prédio no Rio de Janeiro são a causa desses problemas. "Nós
mudamos nosso site de hospedagem, algumas vezes nós ficamos fora do ar
porque estamos em manutenção. De qualquer maneira, empresas de segurança
sempre sofrem ataque o tempo todo. Nesse caso específico, devido à
insistência, estamos com ação em paralelo com a polícia
do Estado de onde esse rapaz está atacando, já sabemos qual é,
para fazer um flagrante. Nós procuramos não dar nenhum tipo de publicidade
desse tipo, porque ele quer exatamente isso." Após
uma invasão, os hackers esperam que os invadidos os contratem para "fechar
os buracos" em seus computadores, como fala Vugo, do Anti Security Hackers
(leia entrevista). Para
o ex-hacker Wanderley de Abreu Jr., 22, conhecido como Storm, isso sempre ocorreu.
"Esses ataques ocorrem em cima de bugs (falhas) dos softwares, todos já
conhecidos. Como as empresas brasileiras não têm um grupo especializado
para cuidar de segurança ou às vezes ninguém para sequer
fazer as correções necessárias, o pessoal que tem acesso
aos bugs pinta e borda." Storm hoje é especialista em segurança
de redes e também trabalha para o Ministério Público do Rio
de Janeiro, rastreando e caçando foras-da-lei virtuais. Para ele, "é
muito ruim, muito ruim mesmo a segurança dos sites brasileiros, inclusive
de alguns grandes bancos que se dizem totalmente seguros." Storm não
vê solução a curto prazo. "Antigamente, a onda era montar
uma gangue e sair batendo uns nos outros por aí, a moda agora é
montar um grupo hacker. Existem sim, pessoas, não grupos, profissionais
e que fazem isso para viver. Estas você consegue contar nos dedos e ninguém
vai saber a extensão dos danos que elas causam, por uma total falta de
preocupação com a segurança nas empresas."
Leia
também: Entrevista
com um hacker |