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SAÚDE
Ligações
perigosas
Estudo diz que a radiação emitida
por telefones celulares
pode causar desde câncer até catarata
Luciana
Ackermann
O telefone celular, uma das mais bem-sucedidas invenções
tecnológicas, com centenas de milhões de unidades
vendidas no mundo, está na berlinda. Há quem defenda
a tese de que o equipamento pode trazer riscos à saúde
do ser humano. Um dos fazem coro à avaliação
é Vitor Baranauskas, professor de engenharia elétrica
e computação da Unicamp, que lança neste mês
o livro O celular e seus riscos. Entre as doenças
que o estudioso aponta estão diferentes tipos de câncer,
tumores benignos e cataratas, principalmente quando o sistema imunológico
do usuário está debilitado. Baranauskas, que participa
da Sociedade Brasileira de Microondas e faz parte de uma comissão
que tenta fazer com que o governo e as entidades responsáveis
como a Anatel mobilizem-se sobre a questão, é enfático
ao explicar que toda a nova tecnologia introduzida na sociedade
sempre traz benefícios e riscos ao mesmo tempo. Com o celular
essa realidade não é diferente, trata-se de um novo
tipo de tecnologia que aumenta a comunicação entre
as pessoas e oferece a possibilidade de mobilidade. Em contrapartida
é um equipamento de radiação eletromagnética.
"Sabe-se há muito tempo que a radiação
está relacionada aos efeitos biológicos e fisiológicos.
Não estamos falando de fantasmas. Tudo está relacionado
à ciência. Trata-se do princípio básico
de efeito e causa".
De acordo com o professor, bastam 28 segundos para que um ratinho
em contato com um telefone celular ligado entre em colapso cerebral.
O rato pode sofrer uma parada respiratória conseqüente
das correntes geradas pelas ondas eletromagnéticas do aparelho.
Segundo Baranaukas, a indústria de telefonia celular diz
que o cérebro do rato não pode ser comparado com o
do ser humano, que tem de três a quatro quilos, o do rato
pesa cerca de 100 gramas. Ele rebate esse conceito e afirma que
o cérebro humano é muito complexo e não se
pode tratar de maneira tão simplista. Existem órgãos
que absorvem muito mais radiação eletromagnética
do que outros, por exemplo, a córnea.
Seis
minutos por dia
O
processo aconteceria da seguinte forma: a radiação
jogada em cima do cérebro humano também gera correntes
elétricas, que vão se contrapor ao equilíbrio
normal do organismo, que não está adaptado às
agressões eletromagnéticas. A potência elevada
da radiação e a freqüência das ondas poderiam
causar a ruptura do DNA e a alteração do sistema imunológico,
esses dois fatores juntos causariam diversos tipos de câncer,
principalmente o cerebral, já que o crânio é
a área mais atingida pela radiação. E isso
acontece porque o comprimento das ondas emitidas por um aparelho
celular é de aproximadamente 30 cm, o que coincide com a
distância do pescoço a cabeça, podendo causar
forte ressonância no cérebro humano. Com isso, o usuário
recebe de 60 a 40% da radiação emitida pelo celular
ao utilizá-lo com a antena à dois centímetros
de distância da cabeça. Os próprios fabricantes
recomendam que o aparelho seja usado no máximo seis minutos
por dia, sempre com antena levantada. Já os aparelhos com
antena fixa, mais modernos, emitem menos radiação
quando usados próximos das estações rádio-base
(ERBs). O problema destes últimos é o uso em locais
distantes das ERBs, pois é necessário uma radiação
mais potente para haver sinal.
Tais
informações constam nos manuais de uso, porém
é necessário que as empresas invistam em campanhas
educativas mostrando ao consumidor o uso correto do produto. "O
telefone celular é apresentado sempre como um produto que
pode ser usado por qualquer pessoa, sem nenhum tipo de risco em
potencial para a saúde do usuário; entretanto, poucos
sabem que a indústria de telefones celulares ainda não
conseguiu demonstrar que a quantidade de radiação
introduzida por estes aparelhos no nosso cérebro não
é danosa", fala Baranauskas.
Velhos
e perigosos
Os
aparelhos antigos seriam ainda mais nocivos, mesmo tendo antenas
estendíveis, a potência de radiação é
maior e não há qualquer menção sobre
esse fato. Baranaukas credita este fato ao receio de que o consumidor
reclame e consiga um recall dos fornecedores.
O professor
destaca que não existe um padrão internacional atualizado
para o uso de radiação, pois o que há vem desde
a época da Segunda Guerra Mundial, quando as microondas eram
usadas na construção de radares destinados à
prevenção de bombardeios. "Não havia preocupação
com a vida dos operadores desses radares. Então, estabeleceram-se
critérios muito brandos, que gira em torno de 0,010 watts
por cm2 o suportável pelo homem. E os operadores ficaram
com câncer na próstata".
Entretanto,
desde de outubro de 2000, todos os telefones vendidos nos Estados
Unidos têm de vir com uma tarja vermelha alertando os consumidores:
"Esse produto emite radiação eletromagnética
e pode fazer mal à saúde".
| O
uso correto |
| Vitor
Baranauskas relata os principais cuidados que o consumidor deve
ter com os celulares:
Escolher aquele que possui o menor nível de irradiação,
os vendedores podem não têm tais informações,
mas a empresa oferece um código do aparelho e ao digitá-lo
no aparelho surge a informação sobre o nível
de potência.
Também é aconselhável adquirir aparelhos
que tenham antena estendível e sempre puxá-la
completamente, pois caso contrário o celular trabalha
com uma potência maior da qual deveria.
Não falar ao celular dentro de automóveis (isso
consta no próprio manual). Tal restrição
não está atribuída apenas ao fato dos
possíveis acidentes de trânsito, pois o carro
é uma estrutura metálica e a radiação
do celular não consegue sair do espaço com muita
facilidade, tendo apenas a janela para se dispersar. Então
o celular trabalha no carro com uma potência muito maior
do que seria recomendável à saúde O certo
seria estacionar o carro, sair dele e puxar a antena para
atender o celular ou instalar um kit viva voz. O ideal seria
que as indústrias automobilísticas e de celulares
unissem para que o veículo já fosse fabricado
com um aparelho embutido.
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