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  Reportagens 07/02/2001

SAÚDE

Ligações perigosas
Estudo diz que a radiação emitida por telefones celulares
pode causar desde câncer até catarata

Luciana Ackermann

O telefone celular, uma das mais bem-sucedidas invenções tecnológicas, com centenas de milhões de unidades vendidas no mundo, está na berlinda. Há quem defenda a tese de que o equipamento pode trazer riscos à saúde do ser humano. Um dos fazem coro à avaliação é Vitor Baranauskas, professor de engenharia elétrica e computação da Unicamp, que lança neste mês o livro O celular e seus riscos. Entre as doenças que o estudioso aponta estão diferentes tipos de câncer, tumores benignos e cataratas, principalmente quando o sistema imunológico do usuário está debilitado. Baranauskas, que participa da Sociedade Brasileira de Microondas e faz parte de uma comissão que tenta fazer com que o governo e as entidades responsáveis como a Anatel mobilizem-se sobre a questão, é enfático ao explicar que toda a nova tecnologia introduzida na sociedade sempre traz benefícios e riscos ao mesmo tempo. Com o celular essa realidade não é diferente, trata-se de um novo tipo de tecnologia que aumenta a comunicação entre as pessoas e oferece a possibilidade de mobilidade. Em contrapartida é um equipamento de radiação eletromagnética. "Sabe-se há muito tempo que a radiação está relacionada aos efeitos biológicos e fisiológicos. Não estamos falando de fantasmas. Tudo está relacionado à ciência. Trata-se do princípio básico de efeito e causa".

De acordo com o professor, bastam 28 segundos para que um ratinho em contato com um telefone celular ligado entre em colapso cerebral. O rato pode sofrer uma parada respiratória conseqüente das correntes geradas pelas ondas eletromagnéticas do aparelho. Segundo Baranaukas, a indústria de telefonia celular diz que o cérebro do rato não pode ser comparado com o do ser humano, que tem de três a quatro quilos, o do rato pesa cerca de 100 gramas. Ele rebate esse conceito e afirma que o cérebro humano é muito complexo e não se pode tratar de maneira tão simplista. Existem órgãos que absorvem muito mais radiação eletromagnética do que outros, por exemplo, a córnea.

Seis minutos por dia

O processo aconteceria da seguinte forma: a radiação jogada em cima do cérebro humano também gera correntes elétricas, que vão se contrapor ao equilíbrio normal do organismo, que não está adaptado às agressões eletromagnéticas. A potência elevada da radiação e a freqüência das ondas poderiam causar a ruptura do DNA e a alteração do sistema imunológico, esses dois fatores juntos causariam diversos tipos de câncer, principalmente o cerebral, já que o crânio é a área mais atingida pela radiação. E isso acontece porque o comprimento das ondas emitidas por um aparelho celular é de aproximadamente 30 cm, o que coincide com a distância do pescoço a cabeça, podendo causar forte ressonância no cérebro humano. Com isso, o usuário recebe de 60 a 40% da radiação emitida pelo celular ao utilizá-lo com a antena à dois centímetros de distância da cabeça. Os próprios fabricantes recomendam que o aparelho seja usado no máximo seis minutos por dia, sempre com antena levantada. Já os aparelhos com antena fixa, mais modernos, emitem menos radiação quando usados próximos das estações rádio-base (ERBs). O problema destes últimos é o uso em locais distantes das ERBs, pois é necessário uma radiação mais potente para haver sinal.

Tais informações constam nos manuais de uso, porém é necessário que as empresas invistam em campanhas educativas mostrando ao consumidor o uso correto do produto. "O telefone celular é apresentado sempre como um produto que pode ser usado por qualquer pessoa, sem nenhum tipo de risco em potencial para a saúde do usuário; entretanto, poucos sabem que a indústria de telefones celulares ainda não conseguiu demonstrar que a quantidade de radiação introduzida por estes aparelhos no nosso cérebro não é danosa", fala Baranauskas.

Velhos e perigosos

Os aparelhos antigos seriam ainda mais nocivos, mesmo tendo antenas estendíveis, a potência de radiação é maior e não há qualquer menção sobre esse fato. Baranaukas credita este fato ao receio de que o consumidor reclame e consiga um recall dos fornecedores.

O professor destaca que não existe um padrão internacional atualizado para o uso de radiação, pois o que há vem desde a época da Segunda Guerra Mundial, quando as microondas eram usadas na construção de radares destinados à prevenção de bombardeios. "Não havia preocupação com a vida dos operadores desses radares. Então, estabeleceram-se critérios muito brandos, que gira em torno de 0,010 watts por cm2 o suportável pelo homem. E os operadores ficaram com câncer na próstata".

Entretanto, desde de outubro de 2000, todos os telefones vendidos nos Estados Unidos têm de vir com uma tarja vermelha alertando os consumidores: "Esse produto emite radiação eletromagnética e pode fazer mal à saúde". 

O uso correto
Vitor Baranauskas relata os principais cuidados que o consumidor deve ter com os celulares:

• Escolher aquele que possui o menor nível de irradiação, os vendedores podem não têm tais informações, mas a empresa oferece um código do aparelho e ao digitá-lo no aparelho surge a informação sobre o nível de potência.

• Também é aconselhável adquirir aparelhos que tenham antena estendível e sempre puxá-la completamente, pois caso contrário o celular trabalha com uma potência maior da qual deveria.

• Não falar ao celular dentro de automóveis (isso consta no próprio manual). Tal restrição não está atribuída apenas ao fato dos possíveis acidentes de trânsito, pois o carro é uma estrutura metálica e a radiação do celular não consegue sair do espaço com muita facilidade, tendo apenas a janela para se dispersar. Então o celular trabalha no carro com uma potência muito maior do que seria recomendável à saúde O certo seria estacionar o carro, sair dele e puxar a antena para atender o celular ou instalar um kit viva voz. O ideal seria que as indústrias automobilísticas e de celulares unissem para que o veículo já fosse fabricado com um aparelho embutido.

 



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