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Fã
por um dia
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Previsível e pirotécnico
Por
Marina Caruso
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Marina
Caruso, à esquerda
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A diferença de idade entre mim e as mil adolescentes
que estão se revezando nas 58 barracas armadas à frente
do estacionamento do Anhembi não é grande. É,
no entanto, gigantesca, a distância entre o que gosto de ouvir
e a paixão que elas nutrem pelos Backstreet Boys. Quando
saí de casa na Quinta-feira 19, para encarar a maratona de
24 horas com os jovens ensandecidos, já sabia disso. O que
não esperava era que toda aquela loucura fosse me comover.
Cheguei no acampamento às 17hs. Minha primeira
preocupação foi arrumar um espaço para armar
a barraca onde dormiria e ficaria até as 17hs do dia seguinte.
Lugar na fila vale ouro por ali. Tem gente vendendo a vaga por R$
1 mil. Receosa, me aproximei das meninas da tenda de número
1 para pedir uma sugestão. Aperta daqui, tira mochila dali
e, pronto, eu já estava muito bem ajeitada no que seria equivalente
à barraca número zero, na frente de todas as pessoas
que há pelo menos três semanas não saem da frente
do lugar do show que só ocorrerá nos próximos
dias cinco e seis.
Expliquei o propósito da reportagem para a
garotada. Eles -- é preciso dizer eles pois existem 5 ou
6 meninos no meio daquela mulherada toda - vibraram criticando o
que havia sido escrito até agora. "Tão dizendo
que a gente é maluco". Até aí, normal,
eu também pensava assim. "Se outros repórteres
fossem ficar acampados como você teriam outra opinião",
advertiam. Dito e feito.
Enquanto o fotógrafo Max G. Pinto, guerreiro
que me acompanhou nessa jornada, fazia algumas tomadas gerais do
acampamento, eu decidi me sentar para bater um papo com algumas
pessoas das primeiras barracas. Na hora, me passaram a melhor cadeira,
ofereceram água e refrigerante. Propus um teste com a minha
"lição de casa" sobre Backstreet - nome
dos pais, signos, bichos de estimação, aquelas coisas
só quem é fã de verdade é que sabe.
Sugeri como prêmio para o fã vencedor um pacote de
bolachas. "Ah não, há 20 dias que a gente só
come bolacha", reclamaram em uníssono. "Leve o
vencedor para assistir à coletiva de imprensa", replicaram.
Bastou um simples "vou tentar" para que
uma das adolescentes começasse a chorar compulsivamente e
dessa forma desencadeasse um efeito dominó de lágrimas.
De repente percebi que aquela infeliz idéia de teste seria
capaz de alagar o Anhembi. Desisti da prova de conhecimentos e ofereci
as bolachas crente que aquilo fosse ser um gesto bacana de consolo.
Que nada. Há semanas que a manteiga da barraca 4 é
passada no pão da barraca 7 e degustada com o cafezinho da
barraca 23. Diante de todo espírito de equipe daquelas pessoas
, minha modesta ajuda não parecia fazer muita diferença.
Afinal, não é à toa que, sem o pretexto do
show, os jovens do Anhembi já estão programando outro
acampamento no ano que vem. Só para matar a saudade dessa
espécie de Woodstock careta que eles acabaram criando. Justo.

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