Luciana
Ackermann
| Arte:
Alfer |
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Fonte:
Ministério da Saúde
Número de infectados e óbitos em milhares de pessoas
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Há
20 anos a Aids começou a apavorar o mundo. O pânico,
o desconhecimento, o temor, o preconceito e a discriminação
foram instalados. Na época ninguém sabia o que era.
Tratava-se de uma doença misteriosa e mortífera. A
grande maioria dos casos acontecia entre homossexuais, fazendo-a
ser chamada de peste gay. Mais tarde verificou-se a incidência
da doença também entre hemofílicos e usuários
de drogas injetáveis. Suas características laboratoriais
apontavam-na como de origem viral, que causava a queda súbita
e grave das defesas imunológicas. Hoje o nome do vírus
causador da doença é conhecido pelos quatro cantos
dom mundo: HIV. De lá para cá, ocorreram muitas mudanças.
As mulheres, praticamente fora das estatísticas no início,
hoje estão no centro das campanhas de prevenção.
O contágio se dá quase que igualmente entre ambos
os sexos. Estudo do Banco Mundial, feito no início da década
de 90, dizia que o Brasil teria 1,2 milhão de infectados
pelo vírus Aids em 2000. Felizmente as projeções
catastróficas não se confirmaram. Estimativas do Ministério
da Saúde mostram 540 mil portadores do vírus no Brasil,
143 mil mulheres. Segundo o ministro da Saúde, José
Serra, o quadro da doença no País está estabilizado,
mas a incidência entre as mulheres é preocupante. "Conseguimos
impedir a progressão da doença e o País está
longe de estar entre os piores do mundo".
| Arte:
Alfer |
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Fonte : UNAIDS
Número de infectados e óbitos no mundo no ano
2000 (em milhões de pessoas) |
Para
Paulo Roberto Teixeira, coordenador do Programa Nacional de Doenças
Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, do Ministério
da Saúde, um dos principais avanços refere-se à
melhoria do tratamento em função da terapia tripla
e de sua distribuição gratuita, iniciativa reconhecida
mundialmente. Desde 1991 os pacientes recebem de graça medicamentos
para o combate à doença, primeiro o AZT, hoje o famoso
coquetel e remédios voltados às infecções
oportunistas. Atualmente, 98 mil portadores do HIV recebem auxílio
do governo. Com o coquetel, que é composto por doze anti-retrovirais,
os gastos previstos neste ano estão em torno dos US$ 332
milhões. Teixeira avalia que essa política, além
de assegurar a sobrevida dos pacientes também representa
um fortíssimo impacto social com redução nos
custos das internações hospitalares. Além de
que o paciente continua sendo produtivo. A redução
do número de óbitos é de cerca de 30% e a diminuição
de doenças oportunistas de 60 a 80%.
| O
MUNDO INFECTADO |
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Para
o infectologista Caio Rosenthal, do Instituto de Infectologia Emílio
Ribas e do Hospital do Servidor Público, o Congresso de Vancouver,
em 1996, foi um marco no combate ao vírus. Ali, foram anunciados
os primeiros resultados do uso de esquemas combinados de medicamentos.
Falava-se inclusive na cura. Depois de dois anos começaram
a aparecer os primeiros casos de falhas, o HIV sofre constantes
mutações genéticas, dificultando a eficácia
das combinações de remédio. "Hoje pressupõe-se
que uma pessoa precisa começar a tomar o remédio em
uma fase precoce e o fazer durante 60 anos para que haja uma chance
de cura". Já o infectologista Michal Gejer, também
do Instituto Emílio Ribas, não indica o uso de medicamentos
precocemente. Ele argumenta que o vírus acostuma-se às
drogas e cria resistências. Também aponta os efeitos
colaterais que são acumulados ao longo dos anos, sendo que
os resultados ainda são discutíveis. Gejer afirma
que não há medicamento que não traga riscos
para saúde. Ele explica que o HIV pode ficar até oito
anos sem se manifestar e para iniciar um tratamento deve-se considerar
três elementos ou quando um deles for suficiente e necessário:
primeiro são os sintomas, por exemplo, uma infecções
como meningite e pneumonia, uma febre, diarréia, emagrecimento,
quando isso acontece é fundamental providenciar o tratamento
no ato. Os outros dois fatores que não podem deixar de ser
avaliados são as condições imunológicas
e virológicas, o que é feito por meio de exames laboratoriais.
Gejer explica que a partir do momento em que uma pessoa descobre
ser portadora do HIV, o vínculo ao médico é
obrigatório. O ideal seria que o paciente se consultasse
a cada três meses. É de extrema importância que
o paciente siga à risca o tratamento, evitando o surgimento
de vírus resistentes. Não se trata de uma tarefa fácil.
São comuns crises de náusea e diarréias. Os
comprimidos também levam o corpo a sofrer deformações,
como o afinamento dos braços e pernas e o acúmulo
de gordura no tronco e abdome. Há ainda a possibilidade de
indução a problemas cardíacos e ao diabetes,
além dos riscos de falência terapêutica diante
de qualquer combinação de drogas. Neste caso o coquetel
pára de agir e a carga viral que estava baixa volta a crescer.
