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ELEIÇÕES
OAB
Advogados
em guerra
Eleição para presidência da OAB
tem sujeira na cidade,
bate-boca e até insinuações de corrupção com futebol
Luciana
Ackermann
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Na
próxima quinta-feira os advogados de todo Estado de São
Paulo irão escolher os dirigentes da seção
paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Acirrada e bem
polarizada, a disputa envolve apenas dois grupos. De um lado estão
os candidatos da situação com a chapa Avança
OAB, encabeçada por Carlos Miguel Aidar. Do outro está
a Oposição Unida, liderada por Roberto Ferreira. Quem
vencer nas urnas terá um mandato de três anos e o orçamento
de R$ 69 milhões para 2001. O órgão reúne
cerca de 150 mil associados. A chapa Avança OAB representa
a continuidade da atual gestão. Entre as principais propostas
de Carlos Miguel Aidar, atual secretário-geral, está
a capacitação profissional através da Escola
de Superior de Advocacia e do departamento cultural, assim como
a ampliação dos núcleos da escola no interior,
além da introdução do ensino a distância
em tempo real por meio da intranet da OAB. Outro ponto que Aidar
destaca refere-se à prerrogativa do advogado na primeira
instância. "Temos de cuidar para que os juízes
sejam mais humanos na primeira instância. Não dão
ao advogado a atenção devida e necessária.
É preciso que tenham consciência de que o advogado
é indispensável para a administração
da Justiça. Isso tem sido uma queixa dos profissionais em
quase todo o Estado. Trata-se de um trabalho de conscientização
através das corregedorias de justiça e dos presidentes
dos tribunais estaduais", resume Aidar.
Já a oposição pretende reformular as ações
da entidade. De acordo com Roberto Ferreira, o principal objetivo
é resgatar o papel da OAB junto à sociedade civil.
"A OAB de São Paulo tem sido submissa ao Poder Judiciário
e nós queremos abrir um canal de comunicação
com a sociedade. Por exemplo, criando um 0800 Tele-criança
poderemos atender denúncias de maus tratos e com um 0800
Tele-cidadania que receberemos informações contra
qualquer tipo de preconceito, seja raça, religião
e também reclamações do atendimento do servidor
público em geral".
Aidar discorda da argumentação de Ferreira e aponta
que a OAB esteve presente em vários episódios importantes
da sociedade civil como nos conflitos da Febem, na violência
da favela Naval, em Diadema e nas manifestações do
impeachment do prefeito Celso Pitta e na reforma processual.
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O
candidato da oposição alega ainda que está
entre suas principais metas a redução da taxa de anuidade,
que atualmente é de R$ 450. Ele destaca que é uma
das anuidades mais caras de todos os profissionais liberais do País.
"Pretendo socializar o acesso porque ao reduzir as taxas haverá
o maior ingresso de advogados", avalia Ferreira. Também
fazem parte de seus ideais a defesa intransigente das prerrogativas
dos advogados, a criação do hospital do advogado,
a cooperativa de crédito e a reformulação total
do convênio da OAB com a procuradoria do Estado. Ele ainda
dispara: "O pior de tudo é o atrelamento da OAB com
o futebol e o candidato da situação foi convocado
para depor na CPI do Futebol. Não quero saber de cartolagem
na OAB".
Aidar rebate e diz que se orgulha muito de ter sido dirigente esportivo
no passado: "Peguei um clube em uma situação
difícil (São Paulo), deixei com dinheiro em caixa
e vitorioso. E não vejo problema nenhum, se eu realmente
for convocado, pois até o momento recebi, apenas, um requerimento.
Caso isso aconteça, vou depor tranqüilamente. É
evidente que esse tema tem sido usado pela oposição
e não tem nenhum conteúdo prático a não
ser discurso político".
Deixando as farpas de lado, os dois concorrentes lançaram
mão a banners, cartazes e outdoors a fim de estar à
frente da OAB e ambos alegam que após o término da
disputa irão recolher os materiais de campanha eleitoral.
Resta saber se irão cumprir suas promessas.
Eleição:
De acordo com informações do Raif Kurban, presidente
da comissão eleitoral da OAB de São Paulo, só
poderão votar aqueles que estiverem quites com as anuidades
até 1999, inclusive, considerados, também, aqueles
que estiverem em dia com os pagamentos parcelados, atualizados até
31 de outubro corrente.
O pleito acontecerá no próximo dia l6 de novembro,
das l0 às l8 horas.
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