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| A médium: poderes que
a ciência não explica, mas que os fatos comprovam |
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| Mediunidade |
| A senhora do tempo |
Ela prevê catástrofes, desvia chuvas
e mexe nos ventos. A médium Adelaide
Scritori, que recebe o Cacique Cobra
Coral, ganha fama mundial. Você pode
acreditar neles? |
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Por Marco Damiani
Colaborou Carina Rabelo |
É possível ser mais forte que a natureza, alterar
os ventos, dirigir as chuvas, abrir o sol entre nuvens pesadas?
Não responda agora. Guarde seu julgamento para depois de
conhecer melhor a mulher na foto ao lado. Adelaide Scritori é
vista por muitos como uma senhora do tempo, capaz de prodígios
inquietantes no campo das mudanças climáticas. Seus
poderes intrigam cientistas, desafiam céticos e amealham
uma legião de clientes e admiradores que incluem o primeiro-ministro
inglês, Tony Blair, o presidente do Comitê Olímpico
Internacional, Jacques Rogge, e os administradores das duas maiores
cidades do País, Cesar Maia, do Rio de Janeiro, e Gilberto
Kassab, de São Paulo. Adelaide esteve no centro de fatos
desconcertantes como a súbita elevação de 29
graus centígrados na temperatura de Londres, a abrupta interrupção
de chuvas torrenciais em Santa Catarina e o deslocamento para o
mar de temporais que castigariam o Rio de Janeiro. Ela sustenta
ser uma médium que se comunica com o Cacique Cobra Coral,
espírito capaz de manobrar fenômenos naturais. Sempre
reclusa e avessa a entrevistas, a médium Adelaide pela primeira
vez quebrou o silêncio e falou a ISTOÉ sobre os mistérios
do seu dom. “Minha missão é minimizar catástrofes
que podem ocorrer em razão dos desequilíbrios provocados
pelo homem na natureza”, diz.
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| O Cacique Cobra Coral é um espírito que
já foi de Galileu e Abraham Lincoln |
Nos últimos dias, Adelaide foi chamada por autoridades paulistanas
para reverter as chuvas previstas para caírem sobre a cratera
aberta nas obras da linha 4 do metrô, o que atrapalharia as
escavações em busca de vítimas. “Temos
a necessidade da vossa interferência”, registrou em e-mail,
momentos depois do acidente, o secretário adjunto de subprefeituras,
Ricardo Teixeira. Vinte e quatro horas mais tarde, o mesmo Teixeira
assinou documento oficial de agradecimentos. “Pudemos constatar
que choveu em vários locais da cidade, conforme previsto, menos
na região afetada pelo desastre das obras do metrô, permitindo,
através desse desvio, a continuidade das operações
no local.” Ele prosseguiu lembrando que as buscas iriam continuar
e, por isso, solicitou “a não ocorrência de chuvas”.
Outra vez o sol, é certo, se fez naquela região.
Histórias desse tipo fazem de Adelaide, aos 53 anos, uma
médium de fama mundial. Filha do também médium
Ângelo Scritori, que morreu aos 104 anos, em 2002, ela nasceu
acompanhada de uma profecia. Geava fortemente sobre o sítio
da família, no norte do Paraná, quando sua mãe
entrou em trabalho de parto. Toda a plantação de café
da pequena propriedade foi perdida, mas Ângelo contou depois
que, naquela noite, o espírito do Padre Cícero (1844-1934)
se manifestou, como costumava acontecer, por meio dele. Avisou,
daquela feita, que a mais nova integrante da família teria
poderes para se comunicar com outro espírito, um ente poderoso
o suficiente para alterar fenômenos naturais. Sete anos depois,
já menina, Adelaide lembra ter recebido pela primeira vez,
no centro espírita freqüentado pelos Scritori, as mensagens
enviadas pelo Cacique Cobra Coral.
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Um aviso a Bush: em 3 de
agosto de 2001, Adelaide enviou e-mail à Casa Branca
prevendo tragédias em Nova York e Washington. Após os ataques
de 11 de setembro, ela recebeu em São Paulo
a visita de agentes do Departamento de Estado |
Ao contrário de muitas pessoas que dizem receber espíritos
e entidades, Adelaide tem uma atuação amarrada por
fortes laços com a ciência. Ela criou a Fundação
Cacique Cobra Coral (FCCC) e, nessa estrutura, montou um braço
operacional de previsões meteorológicas. “Antes
de falar com o Cacique, dona Adelaide pergunta o que tem de ser
feito para atender a uma solicitação dos clientes”,
explica o professor Luiz Fernando Matos, graduado em Meteorologia
pela UFRJ e pós-graduado pelo Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais. Ele é o meteorologista-chefe da FCCC. Por clientes
eles chamam os organismos que têm convênios de assessoramento
assinados com a Fundação. Constam da relação,
neste momento, o Ministério das Minas e Energia, os governos
do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e as prefeituras do Rio e
de São Paulo. Em tempo: todos os convênios têm
custo zero para os contratantes. “Nosso acordo tem-se mostrado
produtivo em termos de informações e projeções,
além de elementos de prevenção”, afirma
Cesar Maia. Sobre os poderes de Adelaide em atenuar intempéries,
ele suaviza, sem desmenti-los. “O que posso dizer é
que as chuvas e temporais, desde a assinatura do convênio,
têm sido proporcionais à nossa capacidade de enfrentá-los.”
Em novembro, a médium foi solicitada a desviar uma chuva
grossa prevista para cair nas encostas do morro do Joá, no
bairro de São Conrado, onde funcionários municipais
faziam obras de contenção. Registra-se que a tromba
d’água foi dar em alto-mar.
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A encomenda de Thatcher:
Londres chegou a registrar,
no inverno de 1986, temperaturas de 30 graus abaixo de zero.
A então primeira-ministra Margaret Thatcher pediu ajuda à médium.
Num único dia, o clima esquentou em 29 graus |
As consultas de Adelaide ao seu meteorologista-chefe descem a minúcias
sobre o volume de milibares de pressão atmosférica
e o índice exato de umidade do ar. Tudo para que, quando
questionada pelo espírito do Cacique Cobra Coral, ela possa
monitorá-lo sobre como agir. É difícil, dificílimo
de acreditar, mas até mesmo a cética imprensa inglesa
teve de se dobrar, em 1986, ao inexplicável que ronda a imagem
da médium. Naquele ano, um inverno de 30 graus abaixo de
zero castigou Londres, enchendo de preocupação a então
primeira-ministra Margaret Thatcher. A “Dama de Ferro”
foi aconselhada, não se sabe bem por quem, a pedir os serviços
de Adelaide. A médium aceitou a tarefa e, no dia seguinte
à solicitação, a temperatura já chegava
a um aceitável grau negativo. Ao noticiar a movimentação
de Adelaide e de seus assessores da FCCC, o cotadíssimo The
Guardian apelidou a turma brasileira de “interceptadores
de catástrofes”. Sua fama mundial começou nesta
fase. No ano passado, o governo do primeiro-ministro Blair necessitava
de um 9 de dezembro sem chuvas, em meio a uma temporada de precipitações,
para fazer um anúncio em público. Na data requerida,
Londres, depois de muita água, viu outra vez a face do sol.
E Adelaide de novo ficou com os créditos pela façanha.
Até nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, ela fez das
suas. Chamada para suavizar o calor abafado que descia sobre a cidade,
ela pessoalmente foi até lá e, sim, levou consigo
uma brisa fresca que aliviou os jogos.
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A confiança de Maia: o
prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, é um constante interlocutor
de Adelaide. Ele reconhece que depois de assinar convênio
com a Fundação Cobra Cobral nenhuma chuva no Rio extrapolou
as expectativas |
Os cientistas guardam uma distância regulamentar da médium
e dos feitos a ela atribuídos. Professor e pesquisador do
Instituto de Física da Universidade de São Paulo,
Cláudio Furukawa não encontra na teoria uma explicação
para os casos de mudança climática em que ela se envolve.
“Não há nada na física que comprove um
fenômeno paranormal. Isso tudo foge completamente ao campo
da ciência”, afirma. Ele admite que cientistas que aceitam
o espiritismo ou fenômenos sobrenaturais são discriminados
pelos demais pesquisadores, justamente porque dão crédito
ao que não conseguem provar. O professor Álvaro Vannucci,
membro do mesmo instituto e especialista em física dos plasmas,
acredita que os fenômenos mediúnicos ocorrem segundo
leis naturais ainda não descobertas ou devidamente entendidas
pela ciência atual. “A principal dificuldade de se investigar
estes fenômenos corresponde ao fato de eles não serem
reprodutíveis. Isto não impediu, no entanto, que grandes
cientistas como William Crookes (1832-1919) e Charles Richet (1850-1935)
se envolvessem intensamente com este fascinante assunto.”
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A garantia a Ciro:
eleitora
de Ciro Gomes na eleição presidencial de 2002,
Adelaide cobrou dele a transposição do rio São Francisco. “Perdi,
será impossível”, disse-lhe Ciro. “Não, você será chamado.”
Dias depois, ele virou o ministro responsável pelo Rio |
Noves fora os laços científicos, Adelaide, como médium
de primeira linha, tem premonições que extrapolam até
mesmo os mistérios do tempo. Em 3 de agosto de 2001, antes,
portanto, dos ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos,
Adelaide mandou um e-mail para o presidente George Bush alertando
que uma catástrofe estava para ocorrer em Nova York e Washington.
Disse ainda que o presidente não deveria pernoitar na Casa
Branca entre os dias 11 e 12. Após os ataques, agentes do Departamento
de Estado visitaram a Fundação Cobra Coral, em São
Paulo, à cata de maiores explicações para a previsão.
Saíram de mãos vazias.
Dentro da FCCC, conta-se que a médium manteve estreitas
relações com o ex-presidente do Iraque Saddam Hussein
(1937-2007). Ela previu a data do ataque americano à Bagdá,
durante a primeira guerra do Golfo, em 1990. Impressionado, Saddam
solicitou à médium que fizesse chover na região
da Sérvia, para impedir um ataque terrestre preparado pela
Otan. Foi atendido e o ataque, adiado. Depois de uma visão
terrível, Adelaide enviou em 26 de setembro de 1992 um fax
ao então deputado Ulysses Guimarães. Alertava-o para
não utilizar nenhuma aeronave de pequeno porte na primeira
quinzena de outubro. Ulysses, como se sabe, morreu no dia 12 de
outubro daquele ano, quando o pequeno helicóptero em que
viajava se espatifou no mar. Agora, tome fôlego, leia a entrevista
abaixo e, se quiser, responda: é possível dominar
a natureza?
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