HISTÓRIAS MEDIÚNICAS
 
Renato Velasco  

Do lado de lá
No início de 2006, o carioca Denilson, oito anos, começou a vomitar e foi levado a um hospital. “Antes de sair, ele sussurrou: reza porque estou indo embora”, lembra a avó Rosilane Farias. Denilson perdeu os sentidos, mas se lembra bem do que viu: “Muita gente vestida de branco, parecia ano-novo. Um velho me disse que ainda não era minha hora, porque eu ainda tinha uma missão.” Quatro meses depois, nova surpresa. “Vi meu avô no quarto. Ele disse meu nome, perguntou como eu estava e sumiu.” Detalhe: o avô morreu há 17 anos. A mãe, Adriana Estigarriba, o levou a um centro de candomblé, onde Denilson foi iniciado no sacerdócio. Hoje, só se veste de branco e recebe o espírito de Oxaguian. Dará passes quando tiver 14 anos.

 

Ele prevê acidentes e mortes
Marcos do Sul tinha quatro anos quando
contou ter presenciado a morte do bisavô, falecido antes de seu nascimento. Para convencer a família, imitou o velho com perfeição. Em outra ocasião, disse ter presenciado a imagem de um menino, filho de um amigo de sua mãe, sendo atropelado por um buggy vermelho. Rita de Cássia, a mãe, ligou para a família do acidentado, confirmou a veracidade da cena e levou o filho a um centro espírita, onde sua mediunidade foi reconhecida. No final de 2006, aos 12 anos, ele descreveu os atentados em que traficantes incendiaram um ônibus e provocaram a morte de oito passageiros no Rio. “Fica tudo preto e eu vejo coisas. Não tenho medo, mas sinto dores”, desabafa ele.

Helcio Nagamine  

Susto no berço
A mediunidade de Giovana ainda choca a família. Aos dois anos, a menina só dormia no tapete e esperneava sempre que tentavam colocá-la no berço. Durante a noite, bastava se aproximar do berço com ela no colo para Giovana acordar aos prantos. Um neurologista prescreveu remédios para disritmia cerebral. Cláudia Geminiani, a mãe, preferiu procurar um centro espírita. “Uma médium explicou que um rapaz que havia sido filho de Giovana em outra encarnação a perseguia no berço em busca de carinho”, conta Cláudia. “Ele tinha o rosto desfigurado e os membros comprometidos, por isso assustava minha filha.” Uma vez, Giovana chegou a proferir palavras agressivas em um tom de voz diferente do seu. Leituras do Evangelho ajudaram a amenizar as crises. Hoje com três anos e oito meses, Giovana freqüenta um curso de evangelização e faz uma prece sempre que alguma entidade a assusta.

Max G Pinto  

Amiga dos erês
Paloma (de roupa rosa) adormeceu enquanto brincava e, ao acordar, perguntou à mãe: “Minha amiguinha foi embora?” Vanessa Ballarini estranhou: “Que amiguinha, filha?” Não havia amiga nenhuma. Paloma havia recebido a visita de um erê, entidade infantil ligada aos cultos africanos. Aos cinco anos, Paloma ainda brinca com eles. No templo dirigido por sua avó, em São Paulo, ela e outras crianças participam dos rituais e identificam as entidades que “baixam” no terreiro. É comum ver Paloma acompanhar com os olhos e dar tchauzinho para cima quando os espíritos retornam para o além. “Uma vez, ao entrar no mar, ela viu Iemanjá tocar suas pernas e saiu correndo, assustada”, conta a mãe, que também é médium. No ano que vem, a menina será sagrada abiã, primeiro estágio do noviciado feminino na umbanda. Um dia, deverá suceder a mãe e a avó na condução do templo.

Renato Velasco  
   

Bruxas e cães
Desde os dois anos, Camila não consegue
dormir em seu próprio quarto. A visão de um
cachorro feroz a impede de ficar ali. A mãe, Carla
de Almeida Oliveira, não esquece os gritos que a menina, hoje com quatro anos, dava quando ia
para o berço. “Ela chorava muito, com os olhos sempre fechados. Só parava com muita oração”, diz. Espírita, Carla não entendia o medo que a filha sentia durante as sessões de culto ao Evangelho realizadas em sua casa, no Rio de Janeiro. Nessas ocasiões, Camila costumava ver uma bruxa pela casa, o que a fazia sofrer. “Quando tem visões, minha filha se transforma em outra pessoa. Fica com uma força tão grande que eu mal consigo segurá-la”, conta a mãe. “Se eu não fosse espírita, provavelmente a entupiria de remédios”, pondera.alguma entidade a assusta.

 

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