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| Trevas: maquiagem e trajes
vitorianos compõem o visual fantasmagórico de
herdeiros de Drácula como Kizzy Ysatis, Lua e Lord A.
(a partir da esq.) |
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| Modismo |
| A volta dos vampiros |
Inspirados em filmes e histórias de horror,
jovens retomam o culto aos mortos-vivos |
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| Por Camilo Vannuchi |
As criaturas da noite estão à solta. Caminham de
sobretudo, freqüentam festas góticas e nutrem especial
admiração por caninos pontudos. Em pleno século
XXI, sites e blogs substituem as antigas sociedades
secretas e abrigam caloroso debate sobre temas tão corriqueiros
quanto os perigos da luz do sol e os novos filmes de terror. Segundo
o livro Vampyres: quand la réalité dépasse
la fiction (Vampyros: quando a realidade ultrapassa a ficção),
do francês Laurent Courau, cerca de 15 mil herdeiros de Drácula
perambulam hoje pelas grandes cidades. “Amsterdã, Paris,
Nova York, Veneza e New Orleans são as preferidas”,
cita o autor.
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| O príncipe romeno Vlad Tepes (1431-1476) inspirou a lenda de Drácula por empalar e beber o sangue dos inimigos para intimidá-los |
Courau pesquisou a presença de “vampyros”
no Brasil e entrevistou Lord A., 28 anos. Veterano
na cena gótica paulistana, Lord A. trabalha como
webdesigner durante o dia e, por isso, prefere
manter em sigilo seu nome de batismo. “Há
quem pense que nós fazemos rituais satânicos”,
justifica ele. Segundo o webdesigner, que dá
aulas sobre vampiros em um centro místico
de São Paulo, os fãs que reproduzem o visual e os
hábitos dos mortos-vivos são chamados de “vampyros”,
com y. “Livros de Anne Rice, como Entrevista com o vampiro,
fizeram com que o personagem deixasse de ser um monstro para se
tornar um ser com paixões e dilemas existenciais”,
explica Lord A. Condenado à imortalidade, o vampiro busca
entender a si mesmo e também aceitar a sua condição
de imortal. De maneira análoga, os vampyros da vida real
sentem-se bem ao exercer sua individualidade, mesmo que de uma forma
aparentemente sinistra.
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| A ótima atuação de Max Schrek como o Nosferatu de F. W. Murnau (1922) fez muita gente achar que o ator era de fato um morto-vivo |
Há quem não se contente em ler clássicos de
horror e desfilar em trajes vitorianos. O paulista Cristiano Marinho,
29 anos, por exemplo, alongou
os próprios caninos e, apaixonado pelo assunto, adotou o
pseudônimo Kizzy Ysatis, com o qual assina Clube dos imortais,
seu primeiro livro. Na obra, um jovem é assombrado por um
vampiro enquanto seus amigos se unem para resgatá-lo e percorrem
cenários sombrios da capital paulista. Antes mesmo de ser
lançado, o livro arrebatou o prêmio Rachel de Queiroz
de melhor romance, concedido pela Associação Brasileira
de Escritores. “Quem embarca nessa viagem se transforma. Basta
colocar a capa para que os gestos se modifiquem”, diz o escritor.
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| Em 1992, ao filmar o clássico de Bram Stocker, Francis F. Coppola lançou um inesperado Drácula romântico, vivido por Gary Oldman |
Entre as moças, espartilhos, botas e rendas desempenham
a mesma função. “Tenho dois armários,
um para as roupas convencionais, que uso de dia, e outro para as
que uso à noite”, conta a também paulista Luana
Ferreira, a Lua, 22 anos, dona de uma oficina de customização
de moda. “Fui atraída a esse universo pelo visual dos
personagens e pelo romantismo das histórias”, diz.
Desde o clássico Drácula, escrito por Bram
Stocker em 1897, livros e filmes sobre o assunto não param
de despertar fascínio. Recentemente, foram anunciados dois
novos filmes sobre Vlad Tepes, o príncipe romeno que inspirou
a lenda do Conde Drácula. A Universal adquiriu o roteiro
Dracula year zero (Drácula ano zero), de Matt Sazama
e Burk Sharpless, e a Sony vai adaptar o romance biográfico
The historian (O historiador), de Elizabeth Kostova, com
filmagens previstas para 2007. Dentro e fora das telas, os vampiros
nunca morrem.
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