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Mitos: os personagens
de Angeli
citam os Beatles; já Vovó e
Chapeuzinho preferem adrenalina |
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| Animação |
| Humor adulto |
Wood & Stock e Deu a louca
na Chapeuzinho apostam no
desenho animado sofisticado |
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| Por Luiz Chagas |
Crianças, se cuidem. Enquanto a Disney, a Pixar e a Dreamworks
continuam disputando a preferência de vocês, as animações
dirigidas para gente grande vão conquistando mais
espaço e atenção. Só para se ter uma
idéia, duas produções chegam às telas
esta semana – uma nacional, outra americana. A nossa é
Wood & stock – sexo, orégano & rock and
roll, 2006, e marca a união entre os personagens criados
pelo desenhista paulista Angeli e o diretor de animação
gaúcho Otto Guerra. O projeto levou seis anos para ser finalizado
e tem como destaque vozes bem conhecidas do grande público:
Rita Lee é quem fala pela incorrigível Rê Bordosa
e Tom Zé faz a voz de Raul Seixas numa imitação
perfeita. No filme, Wood se droga e acorda careca e barrigudo, 30
anos mais tarde, casado com Lady Jane e sustentando o amigo Stock,
notório vagabundo. O humor lisérgico tirado diretamente
dos quadrinhos de Robert Crumb dá o tom da história.
Já Deu a louca na Chapeuzinho (Hoodwinked, EUA,
2005) é outra produção para adulto –
dos irmãos Cory e Todd Edwards e de Tony Leech. Investe diretamente
no terreno das grandes produtoras que é a computação
gráfica (CGI) e a idéia foi transformar a história
em uma novela noir, nos moldes de Raymond Chandler. Ninguém
é o que parece. O Lobo Mau, na verdade, é um repórter
investigativo interessado em saber o que tanto a Chapeuzinho fica
zanzando de um lado para outro. A Vovozinha esconde sob o cabelo
uma tatuagem com três letras g (de
granny, vovó em inglês). Ligada em esportes
radicais, suas cenas foram copiadas de filmes como Matrix,
Missão: impossível e Triple XXX.
Para tornar o filme ainda mais sofisticado, os Edwards criaram o
que chamam de “narração em 3D” repetindo
cada cena diversas vezes, sempre sob uma nova perspectiva moral.
Quem narra o filme é um sapo-detetive dos mais sarcásticos
e a diversão maior fica por conta de um esquilo viciado em
cafeína e de um bode-cantor que faz o estilo do caipira americano,
de banjo e tudo. Não há criança que agüente
esse tipo de animação. Mas os adultos se divertem.
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