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Divulgação  
Clones: o grupo Por Siempre venceu
concurso na tevê e passará a tarde
com os ídolos
 
O grupo transforma em
ouro tudo o que toca
 

Mania
A onda rebelde
Com mais de 1,6 milhão de CDs
vendidos e dezenas de produtos
licenciados no País, a banda
mexicana RBD vira mania entre
crianças e adolescentes
Por Camilo Vannuchi

O estudante Glen Gomes, 24 anos, dirigia seu carro pelas ruas de São Paulo, ouvindo sua música favorita em alto volume. Ao parar num semáforo, uma mulher na calçada olhou para ele e começou a rir. Por suspeitar do motivo, o jovem abriu a janela e perguntou, de modo desafiador, qual era o problema. Ela foi direto ao ponto: “Ouvindo isso nessa idade?!” Glen deu uma resposta atravessada. Como vem fazendo ultimamente todas as vezes em que questionam seu gosto musical. “Tem colega que tira sarro, dizendo que é coisa de criança ou de homossexual, mas eu curto o som e ninguém tem nada a ver com isso”, explica. O estudante se refere à banda mexicana RBD, corruptela de Rebelde, nome da novela que faz sucesso por aqui e na qual surgiu o grupo.

Desde que o folhetim, exibido pelo SBT, virou moda, diversos grupos amadores de teatro foram formados por fãs dispostos a reproduzir os movimentos e o visual de seus ídolos. Glen faz parte de um deles. A turma do estudante, batizada de Por Siempre, foi montada às pressas por iniciativa da jovem Rafaela Vicentim, que encontrou outros fãs pela internet. E, junto com Glen, montou uma equipe dedicada, que se inscreveu num concurso de dramatização criado especialmente para a novela. “Em menos de uma semana fizemos a primeira apresentação”, conta Rafaela, 16 anos. Eles venceram. Como prêmio, o grupo – composto ainda por Bianca Sombini, 16, Andrine Rosa, 14, e os irmãos Welington, 23, e Wanderson Mariano, 19 – terá o direito de conhecer os membros do RBD, que fará uma turnê pelo Brasil entre setembro e outubro.

Max G Pinto
Fãs: as amigas Luana e
Julie aprenderam a cantar
em espanhol e brincam
com as roupas da banda

E que turnê! Segundo a produtora Mondo Entretenimento, responsável pela vinda
do grupo, é a maior já realizada por artista estrangeiro no Brasil. O primeiro show será em Manaus no dia 20 de setembro. Os ingressos custam de R$ 70 a R$ 500. De lá, o sexteto seguirá por outras 12 capitais. “Estou guardando dinheiro da mesada desde o começo do ano e já juntei R$ 250 para comprar meu ingresso”, conta a pequena Luana Ammar, dez anos, de São Paulo. A menina é fã da personagem Mia Colucci, uma patricinha estilosa interpretada pela loira Anahí Portillo. Luana faz aulas de canto e, apesar da diferença de idioma, sabe todas as músicas de cor. Ela costuma brincar de Rebelde com a amiga Julie Calderon, oito anos.

A banda é, de fato, um fenômeno de popularidade. Das 13 apresentações, a única não confirmada é a de São Paulo, prevista para 7 de outubro no estádio do Morumbi. A demora na confirmação se deve às exigências feitas pela prefeitura para garantir a segurança do evento e evitar a tragédia ocorrida em fevereiro, quando três adolescentes morreram pisoteados durante uma tarde de autógrafos com o RBD no estacionamento de um hipermercado. “Se não tiver show em São Paulo, vou assistir no Rio”, avisa Caroline Jacinto, 12 anos. Seu plano é compartilhado pelas amigas Gabriela di Salvo, 12, Nathália Reinholez Lima, 13, e Marília Storti, 12, que estão prontas para encarar a viagem – desde que as mães, claro, paguem os ingressos das filhas. E os próprios. “Algumas de nós estão incluídas no pacote”, anota Vânia Rodrigues, que acompanhará a filha Caroline. É um sacrifício? “Acho positivo esse burburinho. Elas precisam extravasar emoções, principalmente quando só se ouve falar de guerra e PCC”, argumenta. Mesmo que essa alegria venha de uma novela de baixo orçamento, repleta de erros de produção e pavorosamente dublada em português.

Na trama, alunos de um colégio grã-fino vivem os conflitos típicos da idade: a conquista da primeira namorada, os problemas provocados pela perda de poder aquisitivo dos pais e a escolha do modelito adequado para arrasar na balada. Tudo regado a beijos, intrigas e muita música. O RBD é o núcleo principal do folhetim. E há muito tempo ganhou vida própria. Anahí Portillo, Dulce Maria Saviñón (Roberta), Maite Perroni (Lopita), Alfonso Herrera (Miguel), Christopher Uckermann (Diego) e Christian Chavez (Guiovanni) já lançaram cinco CDs – dois deles em português – e comemoram a venda de cinco milhões de cópias em apenas um ano, alimentando uma fantástica máquina de dinheiro movida pelos fãs.

Max G Pinto
Ansiedade: a turma de Caroline (à dir.) aguarda os shows da banda no Brasil

Com 1,6 milhão de unidades vendidas no Brasil, o RBD superou os números alcançados pelos grupos Menudo, Back Street Boys e KLB e se tornou o maior sucesso da música adolescente de todos os tempos. Terminou 2005 como os estrangeiros que mais venderam no País, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Discos. E hoje ocupa a confortável liderança no ranking de licenciamento. “Pokémon, Bob Esponja e Hello Kit fazem muito sucesso, mas nenhum deles está de segunda a sábado no horário nobre”, explica David Diesenbrudk, diretor da Redibra, a representante da marca por aqui.

Segundo o executivo, desde o início do ano foram comercializados dez milhões de revistas e pôsteres pela On Line Editora, 35 milhões de envelopes de figurinha pela Panini, 44 milhões de chicletes pela Riclam e pelo menos 150 mil bonecas da Acalanto. Só neste mês, a empresa anunciou novos contratos de licenciamento, totalizando 27 famílias de produtos, entre sandálias e xampu. A Multitoys, por exemplo, comemora a venda de 30 mil fantasias em apenas duas semanas. Além de espalhar roupas iguais às da novela pelas lojas da rua 25 de Março e da Ladeira Porto Geral (pólos do pequeno varejo paulistano), a confecção acaba de fechar parceria com a rede C&A. Como a terceira temporada está no ar, o poder de fogo desses garotos continua em alta. Haja rebeldia.