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Paraíso invadido: em
Abricó,
naturistas querem respeito a suas regras de boa conduta moral
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| Naturismo |
Nudistas versus
suingueiros |
Os adeptos do suingue enfrentam
os naturistas pela praia de Abricó,
no Rio de Janeiro |
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| Por Ricardo Miranda |
Praias costumam ser territórios livres de todas
as tribos, mas uma indesejável invasão está
agitando o mundo nudista. Abricó é uma belíssima
praia entre as montanhas e o mar no Recreio dos Bandeirantes, zona
oeste do Rio de Janeiro. É o orgulho dos naturistas cariocas
por ser sua única reserva nos limites urbanos da cidade,
reconhecida após dez anos de luta na Justiça. Códigos
de conduta rigorosos e até seguranças particulares
– devidamente despidos – garantem a privacidade contra
olhares curiosos. A última ameaça contra o reduto,
porém, vem de onde menos se esperava: de gente ainda mais
desinibida. Praticantes de suingue, a troca de casais, têm
demarcado seu espaço nas areias de Abricó, indo até
as últimas consequências na realização
de suas fantasias. Este ano, vários casais foram expulsos
pelos naturistas, que chamam a polícia quando seus colegas
sem-roupa excedem na intimidade.
O duelo naturistas versus suingueiros será um dos principais
temas do 10º Congresso Brasileiro de Naturismo, marcado para
novembro justamente no
território da discórdia, a praia do Abricó.
Militantes da causa denunciam que outras praias naturistas, como
Pinho, em Camboriú (SC), e Olho de Boi, em Búzios
(RJ), vivem o mesmo dilema. O portal Pelados, na internet, lançou
a “campanha em defesa do verdadeiro naturismo” e o movimento
anti-suingue. Muitos militantes defendem um endurecimento do Código
de Ética Naturista para proibir em suas praias praticantes
da troca de casais. Ex-juiz classista em Brasília, Elias
Alves Pereira, presidente da Federação Brasileira
de Naturismo, está entre os que condenam a mistura. “Eu
respeito todos, mas cada macaco no seu galho”, diz. Freqüentador
de Abricó, o professor Pedro Ribeiro tem recebido em seu
site naturista, o Olho nu, mensagens de revolta. “Muitos
casais querem praticar
suingue em Abricó. E não aceitamos”, afirma
Pedro.
No Rio, os suingueiros têm o seu próprio território,
na praia da Reserva, na Barra da Tijuca, também na zona oeste.
Mas muitos admitem que dão suas escapulidas até Abricó,
reclamando da “linha dura” dos naturistas. Doutor em
antropologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Luiz
Fernando Rojo morou um ano no campo naturista de Colina do Sol,
perto de Porto Alegre, para escrever sua tese “Vivendo no
paraíso”. “A noção do naturismo
no Brasil ainda é muito associada ao vale-tudo, ao desregramento
sexual, por isso é mal compreendido”, observa.
Mas a “pauta” naturista vai muito além do embate
contra casais liberais. Com a proximidade do Congresso Brasileiro
de Naturismo, em Abricó, e também de um congresso
internacional que começa em setembro, na Espanha, os militantes
nacionais preparam sua lista de reivindicações. Já
foram a Brasília defender a aprovação pelo
Senado do projeto de lei 1411/98, que reconhece a atividade, e querem
a ampliação do número de áreas legalmente
reconhecidas. Hoje existem nove praias oficiais e duas dezenas de
clubes. Cada vez mais globalizados, os naturistas querem popularizar
por aqui o uso do passaporte naturista, uma espécie de identidade
internacional do nudista, criar um cartão de crédito
dos sem-roupa
e celebrar o Dia do Naturismo no dia 21 de fevereiro, data em que
nasceu a
pioneira Luz del Fuego. |