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Tática: Heloísa afaga
o gato e
acerta o tom das suas propostas |
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| Eleições 2006 |
| Heleninha paz e
amor |
Senadora adota um discurso mais
suave para conquistar votos |
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| Por Hugo Marques |
A senadora Heloísa Helena foi convencida pelo comando de
sua campanha a abrandar o discurso para não assustar o eleitor
de classe média na corrida à Presidência da
República. “São recomendações
muito afetuosas que temos feito a ela”, revela o deputado
Chico Alencar, do Rio de Janeiro. “Temos que acertar o tom,
mas sem perder a plumagem de guerreira”, afirma. A suavidade
nos discursos de Heloísa Helena começou pelo Senado.
Em maio do ano passado, ao falar sobre taxas de juros, a senadora
pregava o calote da dívida externa. Na sexta-feira 7, ao
abordar novamente os juros da dívida, ela defendeu uma auditoria
e as mudanças nos contratos, dentro do que diz a legislação.
E teve mais recados. Como eterna crítica da “grande
mídia”, a senadora agradeceu o tratamento que tem recebido
das emissoras de televisão na cobertura da campanha.
Até Jesus Cristo ganhou papel menos agressivo nos discursos
de Heloísa Helena. Em junho de 2005, a senadora discorria
um Jesus que entrava nos Três Poderes com chicote na mão
para açoitar o “covil de ladrões” do Executivo
e do Legislativo.
No mesmo dia 7, Heloísa recorreu à imagem do Jesus
traído, que tenta se afastar
do amargo cálice da dor. O PSOL quer evitar comparações
entre a nova imagem
de Heloísa e o Lulinha Paz e Amor de 2002. “Não
é a Heloísa paz e amor, é a
Heloísa paz aos amigos e guerra aos inimigos”, diz
Chico Alencar. Na quarta-feira
12, o novo estilo de Heloísa foi testado na plataforma da
Rodoviária de Brasília. A senadora, que sempre foi
conhecida por ser uma mulher meiga no tratamento fora dos tapetes
azuis do Senado, aumentou a doçura. O camelô de CD
pirata Paulo de Araújo recebeu afagos e ficou impressionado
com a delicadeza dela: “Acho que
vou votar nessa Heloísa Helena.” Todos na rodoviária
esperavam um discurso
em altos decibéis. Mas ao final da caminhada, a senadora
não subiu no caminhão como previsto. Heloísa
preferiu carregar nas mãos uma rosa vermelha,
símbolo do socialismo.
Há uma expectativa no Congresso quanto ao visual a ser
adotado no horário gratuito de tevê. Na caminhada,
a camiseta branca foi substituída por uma camisa de mangas
compridas com babado na gola. Enquanto desfilava entre bugigangas
chinesas e relógios falsificados, Heloísa acalmava
os ambulantes preocupados com os militantes que a seguiam: “Aqui
não é o rapa!” O partido de Heloísa está
colaborando para que ela adote uma imagem menos radical. No entanto,
está mantida a orientação de não aceitar
dinheiro de grandes empresas, para evitar promiscuidade. “A
gente aceita dinheiro de empresário, desde que não
seja de multinacional”, explica Martiniano Cavalcante, o tesoureiro.
Longe da lógica capitalista, o PSOL tem aceitado doações
a partir de 50 centavos. Para engordar o caixa, uma das principais
formas de arrecadação, em Brasília, tem sido
apelar para o estômago através de feijoadas e galinhadas. |