| Meio-ambiente |
| A Califórnia vai
tremer |
Em 1906, um terremoto arrasou São
Francisco. Agora, dizem, o Big One
periga voltar, ainda mais devastador – e
poderá mandar Los Angeles pelos ares |
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| Por Luciana Sgarbi |
Sempre se falou do risco de o Estado americano da Califórnia
enfrentar um gigantesco terremoto, o “Big One”, que
dividiria a região ao meio. A ameaça deve-se à
sua localização sobre uma falha geológica,
de 1,3 mil quilômetros de extensão, batizada San Andreas.
Nos últimos dias, o temor do Big One cresceu. O Instituto
de Oceonagrafia Scripps, nos EUA, constatou que essa falha geológica,
um fenômeno natural que se movimenta de forma imprevisível
a 15 quilômetros abaixo da superfície, “vive
um momento de tensão inigualável se comparado a qualquer
outra ocasião”. Em sua extremidade sul, sob Los Angeles,
não houve nenhum movimento drástico nos últimos
tempos. Isso é bom? Não. Eis o paradoxo do terremoto:
é justamente esse sossego, essa contida panela de pressão,
que dá aos especialistas a certeza de que a Califórnia
vai ruir. “A quietude aumenta a probabilidade de ocorrer um
evento sismológico, essa energia represada é mais
que suficiente para causar o Big One”, diz o cientistaYuri
Fialko, autor do mais detalhado estudo sobre o San Andreas. Em 1906,
foi esse mesmo fenômeno geológico o responsável
por reduzir a pó a cidade de São Francisco. Em 1994,
Los Angeles sofreu 20 tremores consecutivos que abalaram a estrutura
de edifícios em Hollywood e incendiaram casas no Vale San
Fernando. Agora, segundo os geólogos, que nada mais fazem
na vida a não ser estudar o San Andreas e tentar cravar uma
data para o Big One, com a finalidade de que o governo americano
e a defesa civil se previnam e protejam a Califórnia, do
subsolo virá uma explosão que arremessará para
os ares, a uma altura de mais de dez metros do chão, prédios,
casas, árvores, pontes e viadutos. E pessoas.
No interior do nosso planeta, no ponto que os oceanógrafos
chamam de “umbigo da Terra” e no qual se localiza a
fronteira entre a crosta terrestre e os mantos de magma, há
placas tectônicas que se encaixam como peças de um
quebra-cabeça. Em algumas áreas do globo, essas placas
deslizam umas sobre as outras e essa dança gera um atrito
tão forte que empurra a crosta terrestre para cima –
isso é um terremoto. Esse é o caso do San Andreas
que está entre duas dessas placas tectônicas: a do
Pacífico e a Norte-Americana.
O San Andreas foi analisado de cima a baixo com imagens de alta
qualidade obtidas através de satélites que mediram
os abalos sísmicos entre 1985 e 2005. Quando o pesquisador
Fialko cruzou as imagens do defeito geológico com dados de
seus últimos movimentos, percebeu o quanto um lado da placa
da América do Norte vem deslizando além da placa do
Pacífico. Ou seja: elas estão entre seis e oito metros,
aquém da posição em que deveriam estar. Essa
dimensão de deslizamento é equivalente a um devastador
terremoto de magnitude 8 na escala Richter (a escala vai até
9 pontos). Só para efeito de comparação, em
1906 a falha de San Andreas gerou tremores menos intensos de 7,8
pontos e eles foram capazes de desmoronar São Francisco como
se desmantela um castelo de cartas. A “Paris das Américas”
estava no auge do desenvolvimento econômico e urbano quando
tudo o que estava sobre o seu solo foi lançado a uma distância
de seis metros. Dos 800 mil habitantes, cerca de três mil
morreram e milhares ficaram feridos. Rachaduras engoliram postes
e edifícios. No lugar da bela e pujante São Francisco,
ficou uma tétrica cidade fantasma. Os abalos sísmicos
na falha de San Andreas acontecem em ciclos e, pelos cálculos
dos cientistas, o Big One está atrasado, o que aumenta a
tensão dos que residem na região de Palm Springs,
San Bernardino e Riverside. Finalmente, o medo também sobe
de escala porque foi descoberto um ramo do sistema meridional de
San Andreas, chamado Falha San Jacinto, que está se deslocando
duas vezes mais rapidamente do que se acreditava. “É
o próprio sistema nervoso central dessa região”,
diz Yuri Fialko. “E esse sistema nervoso está sob pressão
e muito abalado."
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atômicas promovem uma destruição semelhante ao Big One |