 |
| "Há espaço no Brasil
para disputarmos corações e mentes com um projeto
de justiça social distanciado do neoliberalismo amoral" |
| Heloísa Helena |
"A eleição
não é
só PT versus PSDB" |
A senadora Heloísa Helena prega a entrada
de mais candidatos na campanha e diz que é
justo que mais partidos mostrem seus projetos |
 |
Por Mário Simas Filho
e Rodrigo Rangel
|
Ela mesma se define como uma menina danada, dessas que não param quietas um só minuto. Neste momento, com toda a sua energia, a senadora Heloísa Helena está disposta a sair candidata a presidente pelo PSOL. Ela acredita que, quanto mais concorrentes houver, mais haverá condições para se questionar o “receituário de irresponsabilidade fiscal, social e administrativa representado pelos antigos e pelos novos inquilinos do Palácio do Planalto”. É claro que, com sua linguagem pessoal e intransferível, a senadora está fazendo referências aos adversários do PSDB e do PT. “O povo precisa saber que há alternativas que devem ser expostas e discutidas.” Nos últimos meses, graças a sua participação na recém-encerrada CPI dos Correios, Heloísa Helena ganhou visibilidade nacional e, uma vez candidata, acreditam muitos analistas, tem boas chances de crescer durante a campanha. Segundo as pesquisas atuais, ela pode largar de um patamar de 5% das intenções de voto. Pessoalmente, no entanto, ela não faz contas. A ISTOÉ, a senadora atacou os partidos que buscam alianças “apenas de olho na matemática eleitoral” e avaliou como falsa a polarização entre o PT e o PSDB: “É o mesmo projeto de País, só que dividido em dois palanques”, dispara. Defensora ferrenha do fim do voto secreto no Congresso e, na mesma direção, da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de todos os agentes públicos, ela poderá apresentar na campanha a proposta de um salário mínimo de R$ 1,6 mil. Abaixo, algumas de suas idéias.
ISTOÉ – O PSOL tem como desfraldar a bandeira
da ética que o PT ainda
tenta empunhar?
Heloísa Helena – A história da esquerda
brasileira ou a defesa da ética na política nem nasceu
com o PT nem se encerra com o PSOL. Reconhecemos humildemente que
não constituímos o santuário dos ungidos pelos
deuses da revolução socialista e da ética.
Nós apenas criamos, por obrigação histórica,
um abrigo para a esquerda socialista e democrática que não
se vende para se lambuzar no banquete do poder e não se rende
para ser aceita no convescote do capital. Acreditamos que há
espaço, no nosso querido Brasil, para disputar mentes e corações
com um projeto de justiça social distanciado do pensamento
único neoliberal e amoral.
ISTOÉ – Da forma como está posta hoje, a eleição presidencial pode virar um plebiscito sobre o governo Lula, e uma disputa polarizada entre PT e PSDB. Isso é bom para o debate político?
Heloísa Helena – É fato que setores importantes da sociedade trabalham de forma sofisticada e desprezível para legitimar a falsa polarização PT e PSDB. Mas a eleição não é só PT versus PSDB. Sabemos também das gigantescas dificuldades que esse quadro eleitoral nos impõe. Mas a nossa decisão é não fingir estarrecimento diante da farsa técnica e da fraude política representada pelo mesmo projeto de governo, apenas dividido em dois palanques.
ISTOÉ – Como se posicionar diante disso?
Heloísa Helena – Precisamos apresentar uma alternativa concreta para o Brasil, cumprindo a doce tarefa de desmascarar a verborragia do receituário de irresponsabilidade fiscal, social e administrativa, representada pelos antigos e pelos novos inquilinos do Palácio do Planalto.
ISTOÉ – A eleição presidencial
é um momento para aprofundar o debate
político. Se houver apenas dois candidatos fortes, esse debate
corre o
risco de se empobrecer?
Heloísa Helena – Respeitamos as táticas
de todos os partidos, especialmente quando não estão
referenciadas na medíocre matemática eleitoralista.
Essas táticas devem ser definidas pela coerência com
os objetivos estratégicos dos programas partidários
e na identidade com a alternativa do programa eleitoral apresentado
à sociedade. Daí a justa necessidade de buscar
todos os espaços institucionais para disputar no imaginário
popular, de forma transparente, as convicções ideológicas
que norteiam os projetos para o Brasil.
ISTOÉ – Um partido grande como o PMDB pode ficar de fora da eleição para presidente. Qual a sua opinião sobre essa possibilidade?
Heloísa Helena – A pergunta é legítima, mas prefiro não comentar. Não vamos aumentar os inimagináveis problemas que eles já têm para resolver!
ISTOÉ – A campanha deverá ser pautada
por denúncias em lugar do debate
de um projeto para o País?
Heloísa Helena – Como sertaneja, menina de
tranças correndo pela caatinga alagoana (risos), vocês
não imaginam como eu era danada, eu aprendi a máxima:
“Quem for podre que se quebre!” Assim eles serão
tratados no embate eleitoral. Mas não estaremos na eleição
limitados a tratar dos aspectos putrefatos do parasitismo da máquina
pública, impondo ao eleitorado um estado de náusea
infinita. Nós do PSOL estaremos apresentando as nossas alternativas
para a democratização da riqueza, das políticas
públicas, da terra e do espaço urbano, da informação
e da cultura. Trataremos de propostas que vão da soberania
nacional, requisito irrenunciável de política econômica
mesmo sob a égide da globalização capitalista,
até o cumprimento da obrigação do Estado brasileiro
em adotar suas crianças e jovens, antes que eles sejam tragados
pela prostituição e pelo narcotráfico como
último refúgio.
|