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| • Nasceu no Rio em 13 de
outubro de 1935
• Graduou-se em filosofia na Universidade Federal do
Rio de
Janeiro (UFRJ). Foi professor
visitante no Departamento de
Ciência Política na Universidade de Wisconsin
(1974) e doutorou-se em Stanford (1980). Hoje é professor
aposentado de teoria política da UFRJ, fundador do
Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro
• O livro O cálculo do conflito – estabilidade
e crise na política brasileira ganhou prêmio
na categoria Ensaio, Crítica e História Literária
pela Academia Brasileira de Letras, no ano passado.
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| Wanderley Guilherme dos Santos |
| "A lógica
do blefe" |
Cientista político acusa PFL de
arquitetar impeachment de Lula,
prevê fenômeno Garotinho e
cobra provas contra o governo |
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Eliane Lobato
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Wanderley Guilherme dos Santos acaba de ser consagrado um dos
cinco mais importantes cientistas políticos da América
Latina pela Universidade Autônoma Nacional do México.
Esta é apenas mais uma condecoração deste carioca
graduado em filosofia, Ph.D. em ciência política pela
Universidade de Stanford e laureado pela Guggenheim Foundation.
Mas uma distinção merece destaque: ele antecipou o
golpe que derrubou o presidente João Goulart, em 1964, no
livro Quem vai dar o golpe no Brasil. Aconselha-se, portanto,
a prestar atenção em seus prognósticos. Agora,
prevê que o PFL possa capitanear um pedido de impedimento
do presidente Lula no fim deste ano para que ele enfrente as próximas
disputas eleitorais nessa vulnerável condição.
Ele afirmou que quem desconsidera “o vetor Garotinho”
não está compreendendo bem a dinâmica da competição
presidencial e defendeu que os deputados e senadores que não
provarem suas acusações deveriam ser submetidos à
comissão de ética e perder o mandato. Wanderley Guilherme
dos Santos não busca meias palavras para expor ou fundamentar
seu pensamento. Confira nessa entrevista a ISTOÉ.
ISTOÉ – Como será a disputa presidencial
em 2006? O caixa 2 vai deixar
de existir ou será maquiado?
Wanderley Guilherme dos Santos – Na minha opinião,
o PFL – que é um partido laranja do PSDB – vai
pedir o impedimento do presidente Lula, com ou sem base, no final
das comissões de inquérito, portanto no fim do ano.
O que significa que metade de 2006 estará envolvido no processo
de impedimento do presidente. A oposição tem força
no Parlamento para iniciar isso. É assim que, na minha avaliação,
a oposição faz seus cálculos e é nesse
contexto que estão esperando fazer uma campanha presidencial:
com o Lula, que é o candidato mais forte, sendo submetido
a um processo de impedimento. Quem vai votar nele pensando que poderá
estar impedido mais à frente? É uma manobra suja,
mas viável.
ISTOÉ – Se Lula ficar fora da disputa, quem
se beneficia?
Wanderley – O PSDB é um sério candidato
a chegar ao segundo turno. Mas não se sabe quem vai ser o
candidato. Pelo passado, sabe-se que o José Serra tem suficiente
capacidade destrutiva de concorrência dentro do partido e
no final ser ele próprio o candidato. Isso trará um
pouco de dificuldade de coalizão com o PFL, por conta do
episódio Roseana Sarney (referência ao dinheiro flagrado
na empresa Lunus quando ela era forte candidata ao governo em 2002).
Mas acho difícil que outro candidato, dentro do PSDB, tenha
chance de batê-lo porque Serra não tem limites. Ele
é um político extremamente duro, hábil. Pela
imagem pública transmitida, ele é o José Dirceu
da máquina do PSDB. Não tem brincadeira com ele, domina
mesmo. Agora, é preciso não esquecer que existe um
candidato a candidato chamado Anthony Garotinho, que disputa dentro
do PMDB.
ISTOÉ – Com que chances?
Wanderley – O PMDB, como sempre, vai rachado, seja
qual for o candidato. Se o Garotinho sair pelo partido significa
não só mais tempo de tevê, como também
mais diretórios, a infra-estrutura nacional do PMDB. Ele
não é um candidato fácil. Se Lula e Garotinho
forem para a disputa, o PSDB vai ter que brigar pelo segundo ou
pelo terceiro lugar com o Garotinho. Não se deve brincar
com o Garotinho. Ele derrotou o Serra em seis Estados em 2002, com
um partido que não tinha estrutura nacional. Ele chegou em
segundo lugar em seis Estados, na frente do Serra. Desconsiderar
o vetor Garotinho é não compreender bem a dinâmica
que a competição presidencial pode ganhar. De repente,
como aconteceu em alguns momentos da campanha passada, o PSDB pode
ser obrigado a virar seus canhões contra o Garotinho.
ISTOÉ – E o caixa 2, como ficará?
Wanderley – Acho difícil deixar de existir
porque faz parte da competição. Existe em todos os
países democráticos nos quais a competição
é acirrada. O problema é conseguir restringir isso,
não expor partes fundamentais do Estado nesse jogo e, sobretudo,
fiscalizar e punir. Não fazer vista grossa. Mas há
que se perder a inocência, a pretensão de que é
possível fazer uma legislação capaz de proibir
o caixa 2. Esse caminho não leva a nada.
ISTOÉ – Afinal, o mensalão existe?
Wanderley – As coisas precisam ser provadas. O destino
dos saques seria para pagar acordos de campanha. Mas para pagamento
de votos no Congresso é algo que deve ser provado. Não
digo que não existiu, apenas que tem que ser provado. Porém,
antes que isso aconteça, a oposição aumentou
a aposta na crise. Disse que o mensalão era coisa menor,
e tornou mais relevante o fato de o PT ter ocupado o Estado brasileiro,
estabelecido a corrupção sistêmica para financiar
a perpetuação do partido no poder. Isso é uma
senhora acusação! É preciso ter dados muito
fortes para afirmar algo dessa gravidade. E o que acontece é
que, até agora, nem mesmo questões elementares foram
comprovadas. Como, por exemplo, se Renilda (mulher de Marcos Valério)
mentiu. Aumentaram tanto as acusações, disseram que
tantas coisas já estavam comprovadas e essas autoridades
– presidentes e secretários das CPIs – não
desautorizaram essas afirmações peremptórias.
E, agora, se chegar à conclusão de que não
houve, por exemplo, pagamentos regulares tendo em vista a compra
de votos, como é que fica?
ISTOÉ – Como deveria ficar a situação
dos acusadores?
Wanderley – Se eles mentiram para a opinião
pública, difamaram colegas, afirmaram inverdades, caluniaram
partidos, deveriam responder ao Conselho
de Ética e perder o mandato.
ISTOÉ – Quem são esses deputados e
senadores?
Wanderley – Eu já mencionei e não gostaria
de ficar repetindo como se fosse
uma coisa pessoal. Mas todos sabem: são aqueles que se sentam
na frente
(na CPI), sãos os primeiros a falar, a esganiçar,
são muito eloqüentes,
enfáticos, e também são sempre os últimos
a falar porque se reinscrevem
para a despedida dos holofotes.
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