| Tratamento |
| O sono dos justos |
Aparelhos bucais recomendados
por dentistas tornam-se recursos
cada vez mais usados para
resolver problemas de ronco |
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| Alan Rodrigues |
A advogada Luciana Ferraz, 35 anos, há muito não
desfruta de todos os prazeres da cama. Apesar de ter jurado, há
cinco anos, ficar ao lado de Wagner, 40 anos, na alegria e na tristeza,
ela confessa: “Deus que me perdoe, mas não agüento
mais esse homem.” O desespero de Luciana não tem nada
a ver com a performance sexual do marido. O tormento vivido por
ela é que seu parceiro, assim como 50% dos brasileiros da
sua idade, não pára de roncar. O problema, que atinge
também 5% das mulheres, coloca casais em pé de guerra.
Pesquisa da Universidade de Surrey, na Grã-Bretanha, revela
que o som proporcionado pelos parceiros roncadores tem levado as
mulheres a perderem até cinco horas de sono por semana. Mas
no Brasil muita gente está voltando a dormir como um anjo
depois de recorrer a uma solução simples que ganha
cada vez mais espaço: um aparelho bucal parecido com os ortodônticos,
cujo preço varia de R$ 600 a R$ 2 mil. O aparato, chamado
de aparelho intra-oral, reposiciona a mandíbula. Isso é
importante porque uma das causas do problema é a localização
do queixo, voltado para trás.
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Prático: o aparelho
facilita
a passagem de ar. Segundo Castro, há opções até para quem não
tem dente |
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O ronco é a tradução sonora da diminuição
da entrada de ar pelas vias aéreas devido ao estreitamento
da garganta na parte posterior à úvula (conhecida como
campainha) e atrás da base da língua. Outros fatores
que geram esse estreitamento são excesso de peso, consumo de
álcool e cigarro. Para “romper” essa obstrução
– que ocorre principalmente pelo relaxamento da língua
na hora do sono –, o corpo faz um esforço respiratório
para oxigenar os pulmões. Com esse movimento, a campainha vibra,
fazendo o barulho. Por isso, o aparelho intra-oral é recomendado
para uso noturno. Basta usá-lo para corrigir a passagem de
ar. Mas, para que seja eficaz, é preciso que esteja ajustado
ao desenho da boca. Daí a necessidade de ser indicado por dentistas.
Pioneiro no uso dos aparelhos no Brasil, Ricardo Castro já
desenvolveu dez modelos. “Existem tipos até para as pessoas
sem dentes”, afirma.
Com o uso do aparelho, o empresário paulista Edu Mellane
livrou-se de uma crise conjugal. “Não me separei porque
saía do quarto todas as noites”, conta. Outro dado
é que o indivíduo que sofre desse mal se sente torturado
quando tem de dormir em território desconhecido. “Tinha
vergonha de passar a noite na casa de amigos ou dividir um quarto
de hotel”, recorda-se Wagner Ferraz, que agora usa o aparato.
Se os transtornos sociais e psicológicos não bastassem,
ainda há o risco para a saúde. O estreitamento das
vias aéreas é um dos principais sinais da síndrome
de apnéia obstrutiva do sono, que bloqueia a passagem do
ar por cinco a dez segundos, várias vezes durante a noite.
Esse quadro pode acarretar graves conseqüências. “Vítimas
de apnéia têm três vezes mais chances de sofrer
de hipertensão e infarto, além da sonolência
diurna”, diz Castro.
Além dos aparelhos, outras alternativas contra o ronco
são o respirador mecânico – o aparelho mantém
a respiração uniforme e constante – e evitar
alimentos pesados pelo menos três horas antes de se deitar.
São medidas que ajudam. Afinal, ninguém merece dormir
com um barulho desses. |