| Mito 5 |
Calorias não
importam– evite
gorduras e carboidratos para
emagrecer com sucesso |
Diminuir a ingestão de gorduras ou carboidratos de fato reduz o consumo de calorias e afina a silhueta. Mas suprimi-los de vez do cardápio não garante que a forma conquistada seja mantida. Primeiro porque não é raro abandonar a estratégia depois de algum tempo, já que dietas restritivas podem cansar. Nos EUA, muita gente embarcou na onda dos low-fat (produtos com baixa quantidade de gordura). Mas o apelo saudável criou uma armadilha: quem comia antes um biscoito comum sentiu-se à vontade para comer dois do tipo low-fat. Com isso, houve incremento calórico. Há mais armadilhas nos regimes radicais. Quando se corta o carboidrato, ocorre uma rápida perda de peso. Isso porque, na falta do nutriente – uma importante fonte de energia –, o organismo busca reservas numa substância associada a moléculas de água, o glicogênio. O processo elimina mais o líquido do que a gordura em si. Se a pessoa decide caprichar nos demais grupos alimentares para compensar a falta de carboidratos, o risco é não perder nada mesmo. Ter sucesso no projeto de permanecer com o peso em dia significa que proteínas, gorduras e carboidratos devem estar no prato, porém sem exageros.
| Mito 6 |
Você não
pode perder peso se
tiver o metabolismo ou o código
genético errado |
É verdade que existem certos males que predispõem ao ganho de peso. É o caso do hipotiroidismo (distúrbio que provoca queda na produção de hormônios pela glândula tiróide e gera falhas no metabolismo). Além disso, quem tem pais gordos está mais propenso a lutar contra a balança. De uma maneira geral, porém, falar do “metabolismo preguiçoso” ou da herança genética é mais uma desculpa do que uma justificativa. Em relação aos processos metabólicos, há pouca variação no ritmo à medida que envelhecemos.
O que faz diferença é a atividade física. Exercícios têm a capacidade de acelerar a queima. Fora isso, como ressalta o autor, biologia não é destino. Há, sim, uma relação entre o código genético e a suscetibilidade para engordar. Como explicar, porém, a atual epidemia de obesidade? Teriam nossos genes mudado tanto nos últimos anos? Para Rippe, a resposta está no estilo de vida. Ou seja, o cerne da questão está em comer demais e gastar poucas calorias. O endocrinologista Márcio Mancini, do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, concorda. “Diversos genes podem deixar a pessoa mais suscetível, mas o principal problema é o ambiental”, reforça.
| Mito 7 |
Você pode
melhorar seu
metabolismo dependendo do que,
quando e de que jeito come |
Existem muitas idéias criativas para estimular o metabolismo. São recomendações para comer apenas frutas até o meio-dia, passar o dia tomando sopa de repolho ou evitar alimentar-se depois das sete da noite. Há também quem diga que comer de seis a oito vezes por dia é melhor para o metabolismo do que fazer duas ou três refeições básicas. Com isso, espera-se que o organismo apresse e aumente a sua queima calórica, eliminando quilos mais rápidamente. O que há de verdade nisso?
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Não importa o que você come ou o horário.
No final do dia, é a soma das calorias ingeridas comparada
a quanto você gastou de energia que determina se você
vai ganhar ou perder peso |
Pouco. As proteínas, por exemplo, realmente exigem um pouco
mais de esforço do organismo para ser digeridas. Por isso,
é recomendável optar por alimentos mais leves à
noite para facilitar a digestão. Quanto ao número
de refeições, o endocrinologista Alfredo Halpern,
autor do livro A dieta dos pontos, diz que não há
estudos conclusivos. “Provavelmente o corpo trabalha mais
para absorver os alimentos. Por isso, em teoria, quem faz mais refeições
obriga o organismo a gastar mais calorias durante o processo digestivo”,
diz Halpern. A nutricionista Márcia Daskal, de São
Paulo, acredita que o impacto do aumento do número de refeições
ocorre quando há modificação drástica
dos hábitos. “Por exemplo, se a pessoa que comia duas
vezes ao dia passa a fazê-lo oito vezes, isso regula melhor
o apetite e há mais gasto calórico para digerir”,
afirma.
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• Seja sincero consigo mesmo. Se você acha que pode atingir o objetivo a que se propõe, continue. Caso contrário, mude as metas de maneira que consiga cumpri-las
• Planeje pequenos passos. Não queira mudar tudo de uma vez
• Substitua o que não está funcionando. Se caminhar não é para você, tente outra atividade física, por exemplo |
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| Mito 8 |
Não faz diferença
como você perde
peso. Você pode se preocupar
com a manutenção depois |
Quando bate o desespero, é comum recorrer a métodos
que oferecem resultados rápidos.
A crença é que basta insistir no sacrifício até
chegar à vitória em algumas semanas, para depois voltar
a comer normalmente. Uma vez que o peso extra foi embora, manter-se
magro é algo que pode ser discutido depois. Está aí
um dos maiores erros de uma dieta. O tipo de regime faz diferença
para a continuidade da perda de peso. As dietas
radicais, por exemplo, podem até motivar pela tentadora atração
de perda de peso rápido, mas não fornecem os nutrientes
de que o corpo precisa para funcionar bem e não se encaixam
com a realidade da maioria da população. Além
disso, o emagrecimento rápido leva o organismo a buscar energia
onde ela estiver e a usar todos os mecanismos para gastar menos, como
uma autodefesa. Ficar em jejum ou cortar algum tipo de nutriente,
por exemplo, também pode levar à queda de cabelo, à
irritabilidade e a alterações na textura da pele. Por
isso, Rippe orienta para que a perda de peso seja resultado, basicamente,
de mudanças gradativas na alimentação e no aumento
da frequência de atividade física também de maneira
suave. Assim, a mudança no estilo de vida ocorrerá naturalmente
e se tornará duradoura.
| Mito 9 |
Só existe um jeito
certo para perder peso |
Assim como ninguém é igual a ninguém, as estratégias
para emagrecer também não podem ser padronizadas. Erra
demais quem imagina que o método que deu certo para o amigo
funcionará também para ele. Segundo o médico
americano, há três perguntas básicas que o indivíduo
deve se fazer antes de começar qualquer regime: a dieta realmente
implica diminuição de calorias ingeridas? É saudável?
Está de acordo com a minha personalidade? Se a resposta às
três perguntas
for sim, o.k., pode começar. Caso contrário, o jeito
é procurar um programa
que se adapte a você. Porque uma coisa é certa: se você
não estiver feliz, não conseguirá segui-lo.
A Associação Americana de Cardiologia adverte para que não sejam seguidas:
• Dietas que eliminam laticínios
• Regimes baseados somente na ingestão de líquidos
ou no consumo
elevado de proteínas
• Ingestão de quantidades estapafúrdias de um só tipo de alimento
• Alimentos que “queimariam” gordura
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Ajuda: o indivíduo
que deseja emagrecer pode comunicar suas intenções
e pedir apoio aos familiares e amigos
mais próximos. Deve explicar claramente
como podem ajudar |
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| Mito 10 |
O seu peso é um problema
pessoal
e você precisa resolver isso sozinho |
uita gente considera a decisão de emagrecer um caminho solitário e dependente do grau de comprometimento pessoal para levar a proposta adiante. As pessoas acreditam que os familiares, amigos e namorados, enfim, todos com quem se cultiva algum tipo de vínculo, não têm nenhum envolvimento com a situação. Porém, ainda que seja verdade que a perda de peso é uma decisão altamente pessoal e o comprometimento de cada um com seu programa de perda de peso seja um dos ingredientes do sucesso, é irreal achar que isso não atinge pelo menos as pessoas mais próximas. No dia-a-dia, manter-se acima do peso (com as consequências para a auto-estima) e os caminhos escolhidos para emagrecer afetam a família e os amigos. É difícil, por exemplo, emagrecer em uma casa onde toda noite se pede pizza ou manter-se na academia quando o amigo insiste em fazer outro programa justo na hora da aula. Em alguns casos, o emagrecimento de um dos parentes provoca alterações de comportamento em outras pessoas. “Em geral, os casais suportam bem a mudança e ficam felizes que o cônjuge tenha se tornado mais atraente. Mas também há alguns casos em que um dos parceiros não aceita bem a transformação e tenta sabotar a dieta ou cria atritos. Alguns superam a fase, mas há quem se separe. Porém, esse desfecho mostra que a relação já escondia problemas”, diz o psiquiatra Adriano Segal, do Hospital das Clínicas de São Paulo. |