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| • Autor de 55 roteiros, ator em 42 obras e diretor de 40 filmes.
• Detentor do maior número de indicações ao Oscar de roteirista na história: 13 vezes. Ganhou a estatueta em 1977 como Melhor Diretor, com Noivo neurótico, noiva nervosa.
• Nascido no Brooklyn, é pai de quatro filhos, apenas um deles biológico. Casado com Soon-Yi Previn, filha adotiva de sua ex-companheira Mia Farrow.
• Idade: 69 anos.
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| Woody Allen |
| “Não tentem ser Allen” |
Com dois filmes
prontos, o cineasta
americano
revela
que é bem diferente dos personagens
que
cria ou interpreta |
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Osmar Freitas Jr., Nova York |
Woody Allen odeia dar entrevistas. Mas é um tagarela quando se reúne com amigos. A melhor e uma das únicas maneiras de entrevistá-lo é convencer um conhecido comum a te incluir na lista de convidados para um jantar íntimo com a presença do cineasta . Uma dessas ocasiões aconteceu na semana passada, num apartamento do Upper West Side de Manhattan – hábitat do cineasta e várias vezes cenário de seus filmes. Em volta da mesa estavam seis pessoas, e sobre ela generosas porções de espaguete à primavera e talharim à marinara, salada verde e dois bons tipos de Chianti – estes intocados por entrevistado e entrevistador. A esposa, Soon-Yi, não compareceu e ficou claro que ela e os quatro filhos – adotados ou não – eram assuntos-tabu. O combinado era uma conversa sem gravadores rodando – “Não é uma entrevista: será um papo”, determinou Allen. Permitiu, porém, a penosa cópia da conversa à custa de papel e caneta.
Aos 69 anos – virará setentão no dia 1º
de dezembro –, Woody Allen aparenta fisicamente a idade que
tem. Mas sua mente dá seguidas mostras de ter, no mínimo,
quatro décadas a menos. O vigor intelectual e a erudição
deste que é um dos maiores cineastas americanos de todos
os tempos são palpitantes, mas sem deixar transparecer grandezas
do ego. Simpático, falando num ritmo menos acelerado do que
aquele usado pelos personagens que cria e interpreta, Allen se prestou
a um diálogo do qual participaram todos os comensais. O que
se tem a seguir são trechos pinçados dessa conversa
cujo assunto principal foi seu filme Melinda and Melinda,
que está para estrear nos Estados Unidos, no qual a atriz
Radha Mitchell interpreta a protagonista. A personagem, aliás,
é uma penetra de jantares-festas, do mesmo modo que o representante
de ISTOÉ, neste caso.
ISTOÉ – O sr. mudou recentemente de estúdio. Saiu do DreamWorks e foi para o Fox Searchlight. Por quê?
Woody Allen – Não tive problemas com o DreamWorks. Foi muito bom trabalhar com eles, que aliás apenas distribuíam meus filmes. O Fox também é muito bom parceiro. Para mim, na verdade, tanto faz o estúdio: não há diferença entre os acordos que fiz com ambos. Ninguém lê meus roteiros. É tudo na base do pega ou larga: ou o estúdio quer ou não quer. Meus filmes não custam muito, então eles não arriscam somas enormes comigo. Em compensação, eles não dão palpites sobre casting ou qualquer outro aspecto.
ISTOÉ – Suas produções são mesmo muito econômicas. Enquanto diretores pouco conhecidos embolsam dezenas de milhões de dólares, o sr., que é um veterano, conta tostões. O sr. não gosta de trabalhar com grandes orçamentos?
Allen – Se eu não gostaria de trabalhar com grandes orçamentos? Eu sonho todas as noites com orçamentos luxuriantes. Sonho que tenho US$ 100 milhões, ou mesmo US$ 50 milhões. Faço até por US$ 45 milhões. Todo mundo faz filmes com US$ 100 milhões, e eu fazendo filmes de US$ 15 milhões...
ISTOÉ – Suas produções saem por apenas US$ 15 milhões ou o sr. está exagerando para baixo?
Allen – Todas as minhas produções custam
no máximo US$ 15 milhões. É dureza, tem uma
porção de coisas que eu gostaria de fazer em meus
filmes e não consigo. Pegue o exemplo de Match point,
que está pronto, mas ainda não tem data certa de lançamento.
Chegou um momento em que os contadores me disseram que não
haveria verba para pagar pela música. Um filme todo sem música.
Descobri, então, que se eu usasse ópera poderia musicar.
Aí convenci uma companhia de ópera a fazer a parte
musical. Este é só um exemplo. Existem inúmeras
coisas que eu gostaria e não posso. Não posso ter
efeitos especiais. Meu Deus! Muitas vezes não consigo sequer
refilmar uma cena. Caso uma boa alma me dê US$ 100 milhões
para trabalhar, com certeza vou usar até o último
centavo.
ISTOÉ – Essa é a razão de o sr. filmar apenas em Nova York?
Allen – É uma das razões. Claro que
Nova York, especialmente Manhattan, é o local que eu conheço
mais e minhas obras estão dentro desse ambiente. Eu até
que gostaria de filmar em Paris, por exemplo. Acho Paris uma fabulosa
cidade e acredito que conseguiria ambientar uma história
por lá. Só que não há dinheiro, e eu
também me sinto mais confortável no meu território.
Mas não é verdade que eu não filmo em outras
locações. Por exemplo: Match point –
que está em fase de pós-produção –
foi rodado em Londres. O filme é com Scarlett Johansson,
que é uma atriz maravilhosa e brilhante, e Jonathan Rhys-Myers,
que também é fantástico. A fotografia ficou
linda, pois filmei durante o verão londrino. Estava frio
e cinzento, o que sempre fica melhor na fotografia. Além
disso, em Londres não tem essa história de sindicatos
como aqui nos Estados Unidos, onde há uma hiperespecificação
de funções. Aqui, a pessoa que carrega um fio de eletricidade
não pode ligar a tomada. Só o carregador de fios pode
carregar fios e só o cara que liga tomadas pode ligar tomadas.
É loucura. Tem de ter uma licença especial em limpeza
só para carregar uma vassoura na locação. Lá
em Londres, todo mundo se ajuda sem infringir regras sindicais.
Isso é bom não apenas pelo aspecto financeiro, evitando
a contratação de uma multidão de especialistas.
É bom também pelo clima de camaradagem. É como
fazer um filme na escola de cinema: o cara que serve o almoço
também ajuda a parar o tráfego.
ISTOÉ – Do que trata e quando estréia
Match point?
Allen – Não quero adiantar nada sobre a história,
pois ainda tenho de fazer mudanças. O filme estará
em Cannes e provavelmente entrará em cartaz no
final do ano.
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