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| Cenário ideal:
Osmani, em sua oficina decorada ao estilo retrô. Abaixo,
Lambrettas fabricadas no Brasil |
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| Personagem |
| Pequenas notáveis |
Nas mãos do restaurador Osmani
Araújo de Souza, Lambrettas e Vespas antigas renascem |
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| João Primo |
O clássico La dolce vita (1960),
de Federico Fellini, projetou para o mundo a beleza nórdica
e farta de Anita Ekberg, mas também ajudou a difundir para
o mundo as proezas da Vespa, veículo usado pelo jornalista
Marcello (Marcello Mastroiani) e seu escudeiro, o fotógrafo
Paparazzo – daí a origem do termo paparazzi. Como concorrente
da Vespa, havia a Lambretta, criação de 1947. Moda
na Itália do pós-guerra, as duas marcas eram ágeis,
tinham baixo custo de produção e manutenção.
Até hoje há uma grande opção de modelos
e marcas herdeiros dos originais circulando na Europa. No Brasil,
em 1955, antes de florescer a indústria automobilística,
foi fundada no bairro da Lapa, em São Paulo, a primeira fábrica
da Lambretta – que chegou a atingir, entre os anos de 1958
e 1960, a produção de 50 mil unidades por ano. Em
1982, a fábrica da Lambretta fechou. No ano em que completaria
50 anos no Brasil, as scooters sobrevivem graças ao baiano
Osmani Araújo de Souza, 34 anos, que desde 2001 vive da restauração
dessas pequenas motos.
Sua oficina, no subsolo do prédio comercial no Jaraguá,
na zona oeste de
São Paulo, está adequado ao espírito retrô
do trabalho. O sofá vermelho em corvin envernizado, as poltronas
azuis no mesmo tecido, o abajur de três lâmpadas, algumas
garrafas de vidro de Coca-Cola antigas, uma bomba de gasolina dos
anos 50 e uma estante com várias miniaturas e quadros com
propagandas de época. Ele comprou sua primeira Lambretta
aos 17 anos. Era usada e verde metálica. Foi apelidada de
Jurema.
Enquanto ganhava algum dinheiro fazendo serviços de entrega,
ia aos poucos deixando a Jurema cada vez mais arrumada, até
que um amigo quis comprá-la. Osmani, nem tão fiel
assim, vendeu-a e comprou outra, que restaurou e vendeu depois.
O hobby virou trabalho: “Meu objetivo é deixar a Lambretta
no mesmo padrão da fábrica”, diz Osmani, que
prefere colocar uma borracha ressecada a uma nova mas de cor diferente
da original. Utiliza 35% de peças importadas. O restante
é feito sob encomenda ou garimpado numa das 40 motonetas
que ele tem em estoque. Além das raridades italianas nas
quais Osmani está trabalhando, estão uma scooter alemã
1961 da marca Heinkel de 150 cilindradas e partida elétrica,
que pertence a um colecionador de São Paulo, e uma Cezetta
1962 de 175 cilindradas, fabricada na Tchecoslováquia. Depois
de entrar na oficina, elas só saem funcionando. O preço
médio da restauração é R$ 8 mil. Investimento
que vale a pena. |