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| Alckmin, Arthur Virgílio, FHC e Serra (foto
acima), José Agripino, Cesar e Bornhausen: PSDB e PFL em campos
opostos |
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| Política |
| Começa a pré-temporada |
Partidos já articulam candidaturas para
2006, mas Lula vê “céu de brigadeiro” |
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| Luiz Cláudio Cunha e Weiller Diniz |
Rodeado de estrelas que cobriam os ombros de generais, almirantes
e brigadeiros, no almoço de confraternização
de fim de ano no Clube Naval de Brasília, na quarta-feira
16, o comandante-supremo do PT e das Forças Armadas, Luiz
Inácio Lula da Silva, perscrutou o horizonte com confiança:
“Olho para 2005 e vejo um mar de almirante, um céu
de brigadeiro muito mais tranquilo do que tivemos este ano.”
Olhando um pouco mais à frente, para além dos recifes
da sucessão presidencial, o timoneiro advertiu: “As
eleições de 2006 não podem ser a prioridade
nº 1 do governo.” Não podem, mas já são
a preocupação central do próprio partido do
governo, o PT, e dos partidos de oposição. A duas
semanas do ponto exato que marca a metade da travessia de quatro
anos do governo Lula, os políticos levantam âncora
para enfrentar o mar encapelado rumo às urnas, escalando
os comandantes que vão mobilizar suas equipagens partidárias.
As velas do PT inflaram primeiro, enfunadas pelas pesquisas CNI-Ibope
e CNT-Sensus que mostram Lula como um candidato imbatível
daqui a dois outubros. Na pesquisa Sensus, o presidente oscila entre
43% e 45%, com chances de liquidar a fatura ainda no primeiro turno.
O segundo candidato mais citado, o ministro Ciro Gomes (PPS), não
passa de 16%. Um mar de gente, 73,5%, acredita que a economia vai
melhorar em 2005, o que pode garantir uma rota de chegada mais fácil
para Lula, que começa a descomprimir o salário mínimo
e a diminuir o impacto do Imposto de Renda para agradar às
camadas mais pobres e à influente classe média. Na
pesquisa Ibope, Lula continua embalado, mas sofre uma perseguição
mais próxima do tucano José Serra: 42% contra 33%
do prefeito eleito de São Paulo, aparentemente o único
capaz de forçar um segundo turno presidencial.
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| Registro: João Fontes,
Luciana Genro, Heloísa Helena e Babá: os dissidentes do PT,
hoje no PSOL, já podem lançar candidatos em 2006 |
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O mais emplumado dos tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso, reapareceu em Brasília para um encontro com os vitoriosos
do PSDB nas eleições municipais, aclamado pelos gritos
de “volta, volta”. E duvidou da força de Lula:
“Eu o venci duas vezes. Por que não uma terceira?”Antes
que subisse ao palanque, emendou: “Com outra pessoa, que não
eu.” Mas o tom de candidato de FHC foi avassalador. Chamou
o governo do PT de oportunista, vazio, ridículo, vaidoso.
“Eles tentam afinar a voz para falar com a nossa voz, mas
sai em falsete. A equipe de Lula é ruim. A parte boa é
a da equipe econômica”, alfinetou, ao lado de Serra
e do governador Geraldo Alckmin, que disputam com ele o poleiro
de candidato. Não foi só o maior partido da oposição
que mostrou suas garras. O menor e mais novo deles, o rebelde PSOL,
Partido do Socialismo e da Liberdade, nascido das costelas do PT,
atingiu na terça-feira as 438 mil assinaturas que lhe garantem
registro definitivo – e dá asas para sua principal
liderança, a senadora Heloísa Helena (AL), tentar
o vôo presidencial contra Lula: “Não temos o
direito de ficar em 2006 entre os neoliberais do PSDB e os neoliberais
do PT”, ataca, assumindo já a candidatura. Oficialmente,
quem disparou na frente foi o PFL, aparentemente cansado de ser
um mero fornecedor de nomes para compor chapa dos outros com candidatos
a vice. Agora, eles querem a cabeça da chapa e, na quinta-feira
16, o diretório nacional do partido formalizou em Brasília
a pré-candidatura do prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia.
“Sem contraditório e sem adversário, Lula será
reeleito”, diz o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen
(SC), abrindo o jogo de quem não quer deixar a estrela petista
brilhando solitária. “Nossa estratégia é
levar Lula ao segundo turno, quando o governo sempre fica mais fraco”,
explica o senador.
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| Confusão: convenção
do PMDB rompeu com o governo, mas decisão sobre quem vai controlar
o partido pode acabar sendo resolvida pela Justiça |
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Na margem esquerda da oposição, a bússola
também se orienta pela conquista do Palácio do Planalto.
Num movimento similar ao rebelde PMDB, o PPS formalizou seu rompimento
com o governo, exigindo a entrega de cargos do governo – um
recado direto ao ministro da Integração Nacional,
Ciro Gomes (CE), que disputa o leme do partido com o presidente
da sigla, o deputado Roberto Freire (PE). A guinada irritou um ilustre
imediato, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi: “Se o
barco não está bem, o correto é que mais gente
entre e ajude a remar. Abandonar não é a melhor escolha”,
diz. Enquanto se livra do lastro ministerial, o PPS faz uma aproximação
com o PDT órfão do oposicionista Leonel Brizola. Ao
lado do presidente pedetista, Carlos Luppi, o deputado Freire seguiu
a linha de Heloísa Helena, atacando PT e PSDB: “É
impossível saber qual dos dois é mais atrasado. No
poder, ambos se utilizam de políticas assistencialistas e
compensatórias.” Por isso mesmo, PPS e PDT se mostram
encantados com o discurso do senador Cristovam Buarque (PT-DF),
pernambucano como Freire e brizolista como Luppi, cada vez mais
distante do PT e de Lula, que o demitiu por telefone da pasta da
Educação. “Precisamos construir um projeto alternativo
que fuja do debate em torno do crescimento do PIB, enquanto se concentra
cada vez mais a renda nacional”, lembra Freire, entoando um
canto que cai como música nos ouvidos do economista e professor
Cristovam, sempre preocupado com Bolsa-Escola e criança na
escola.
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O senador Cristovam Buarque, cada vez mais
longe do PT,
pode acabar candidato da
dupla PDT-PPS |
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Sub judice – Os movimentos mais amplos atingem
o PMDB, envolvido num redemoinho que divide governistas e rebeldes
e ameaça romper o casco partidário. A maioria de senadores
e deputados da bancada quer continuar grudado ao Planalto, enquanto
o ex-governador Anthony Garotinho luta para ganhar a máquina
e o tempo do PMDB na tevê como candidato em 2006. A convenção
rebelde de domingo 12, que decidiu pelo afastamento do partido do
governo Lula, chacoalhou a legenda nos tribunais. Na véspera,
um juiz de plantão suspendeu o encontro, reativado por um
recurso ao presidente do tribunal ao anoitecer de domingo. Na terça-feira
14, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Edson Vidigal,
restabeleceu a suspensão. A partir daí, os argumentos
pouco jurídicos embaralharam a questão. Vidigal, diziam
os rebeldes, foi nomeado para o STJ pelo amigo e então presidente
José Sarney, hoje presidindo o Congresso e aliado de Lula
na briga pela adesão pemedebista. Para compensar estes laços
afetivos, os rebeldes cruzaram os laços familiares –
e contrataram o advogado Erik Vidigal, filho de Edson, para assinar
o recurso contra a decisão do pai. Pensavam que o presidente
do STJ, por isso, se consideraria sob suspeição –,
mas a ousadia produziu efeito contrário. Com os olhos marejados
pela circunstância de ter que decidir contra o filho, Edson
rejeitou a petição de Erik – e a convenção
do PMDB caiu num limbo jurídico que aguarda o próximo
lance na Justiça, que pode chegar ao Supremo Tribunal Federal.
Até lá, ninguém sabe quem manda em quem no
PMDB.
Na dúvida, Lula conversa com a porção simpática
ao Planalto – os ministros Eunício Oliveira (Comunicações)
e Amir Lando (Previdência) e os líderes no Senado,
Renan Calheiros, e na Câmara, José Borba, além
do próprio Sarney. “Agora sei em quem confiar, separando
o joio do trigo”, disse Lula, numa conversa de hora e meia
no Planalto, a sós com os cinco, na noite da segunda-feira.
O presidente queixou-se dos governadores de Brasília, Joaquim
Roriz (“pedi que o Palocci atendesse tudo o que ele pedia”),
e do Paraná, Roberto Requião (“segurei várias
vezes uma intervenção federal no porto de Paranaguá,
dirigido pelo irmão de Requião”), e elogiou
muito o de Santa Catarina, Luiz Henrique, que segurou 24 dos 27
convencionais no seu Estado (“ele fez a parte dele”).
Renan anunciou ao presidente que estava negociando o transbordo
de Ciro Gomes para a conturbada nau peemedebista, e Lula nem piscou.
Mas o presidente deu uma boa-nova ao quinteto: “Roseana Sarney
está 90% certa no Ministério.” Isso quer dizer
que a senadora do Maranhão, filha de Sarney, deve sair nos
próximos dias do PFL para aguardar, sem partido, o bilhete
de ingresso no primeiro escalão, na minirreforma que Lula
promete para o início do ano. Ninguém vai perder seu
emprego nas festas de Papai Noel: “Quero descansar no fim
do ano. Reforma, só em janeiro”, avisou Lula. Roseana
viajou para o réveillon na sua terra sem saber, ao certo,
seu destino na tripulação: ou a vaga de Guido Mantega
no Planejamento ou a cadeira de Patrus Ananias no Desenvolvimento
Social. Confortado com tanta deferência, o pai da senadora
finalmente reconheceu na quinta-feira 16 que o melhor candidato
para sucedê-lo na presidência do Congresso é
o líder Renan Calheiros: “É um grande nome”,
admitiu. Para afagá-lo, Lula quer botar o manso Sarney no
lugar do rebelado Michel Temer, presidente do PMDB. Isso, se o PMDB
não afundar antes, tornando mais revoltas as águas
de 2006. |