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| Prestígio: Danda,
Cláudia, FHC, dona Ruth e Maria Teresa na festa de 60
anos |
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| Mercado |
| Tradição
combativa |
Com seis décadas de
existência,
Brasiliense
renova seu catálogo |
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| Luiz Chagas |
Na festa de 60 anos da Editora Brasiliense, realizada no ano passado
na Casa de Portugal, em São Paulo, mais de 600 pessoas –
entre elas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dona Ruth
Cardoso e a secretária de Estado da Cultura, Cláudia
Costin – se acotovelaram entre figuras históricas da
militância de esquerda. A própria diretora-presidenta
Yolanda Cerquinho da Silva Prado, a Danda, viveu exilada em Paris
durante toda uma década. Desde a sua fundação,
em novembro de 1943, tendo como sócios o historiador Caio
Prado Jr., pai de Danda, o avô desta, Caio Prado, além
de Leandro Dupré, Hermes Lima e Arthur Neves, a Editora Brasiliense
primou pela combatividade e pelas idéias originais. Em seu
primeiro endereço, na rua D. José de Barros, servia
como uma espécie de “fachada” para a redação
do jornal Hoje, do proscrito Partido Comunista. A entrada
do escritor Monteiro Lobato três anos depois, trazendo consigo
os livros do Sítio do Picapau Amarelo, que foram transformados
em coleção, acelerou esse processo.
É de Lobato a idéia da venda de livros de porta em
porta. Nas décadas seguintes, coleções preciosas
como Marcha do tempo e Jovens do mundo todo, criadas
nos anos 1960 por Danda, em uma rápida passagem pela editora,
levaram ao público médio nomes como Mark Twain e Rudyard
Kipling. Na época, Caio Prado Jr. exercia sua militância
na Revista Brasiliense, fechada pelo regime militar em
1964. Seu filho, Caio Graco, liderou a editora em seu período
de maior popularidade, nos anos 1980, publicando o jornal Leia
Livros e ditando modas literárias, como o boom da literatura
beat, em que Charles Bukowski pegou carona. Com a morte do irmão,
Danda, psicóloga de formação, assumiu a empresa
e, ao lado da sócia e vice-presidenta, Maria Teresa Batista
de Lima, cuidou de manter a tradição de combatividade
enquanto imprimia sua marca pessoal.
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| Feminista, psicóloga de formação
e exilada em Paris por uma década, Yolanda Prado, a Danda,
assumiu a editora em 1992, logo após a morte do irmão
Caio Graco |
Paralelamente, a editora – agora sediada no Tatuapé
– conservou as coleções infantil e adulta de
Lobato, cheias de histórias publicadas em avulso dentro da
série Rocambole, e deu continuidade às criações
de Caio Graco, responsável por coleções como
a fundamental Primeiros Passos e Encanto Radical, formada por biografias
de pessoas já mortas, escritas por admiradores. Os títulos
já lançados de Primeiros Passos foram atualizados
e vêm aí volumes sobre mangá, dramaturgia, educação
popular e literatura de cordel. Da outra série encontram-se
no prelo as biografias Mao Tsé Tung, por Márcio
Naves, Jack Kerouac, por Antonio Bivar, e Buda, por Heródoto
Barbeiro. Caio Prado Jr. mereceu uma biografia em separado, escrita
por Paulo Lumatti. Entre outros novos títulos, destacam-se
Bioética – ensaios, de Débora
Diniz, assunto que tem recebido atenção especial da
editora; Redescobrindo sua beleza, de Jacqueline Dupuy-Couturier,
sobre cirurgia plástica; e Abrigo no Brasil, de
Gudrun Fischer, sobre uma comunidade de judias alemãs refugiadas
do nazismo. Além da reedição das obras completas
de Cassandra Rios, autora perseguida por seus temas ousados, em
especial o lesbianismo, organizada por Rick Santos. |