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Por Tales Faria – Colaboraram: Mário Simas Filho e Weiller Diniz
 
Aldo na berlinda
Acendeu a luz vermelha no gabinete do coordenador político do Palácio do Planalto, ministro Aldo Rebello. Acossado pelo PT, ele apostou todas as suas fichas na coalizão formal com o PMDB, tendo como interlocutores privilegiados o líder do governo no Senado, Renan Calheiros, e o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira. Mas estes foram derrotados na reunião da Executiva do partido, na quarta-feira 8, que confirmou a Convenção Nacional do domingo 12. O racha no PMDB deixou claro que Renan, Eunício e o presidente do Senado, José Sarney, não conseguem trazer para o governo o PMDB razoavelmente unificado. Os petistas agora fazem coro: a base governista está de cabeça para baixo e não é mais possível deixar de responsabilizar o coordenador político do Palácio. Até então, Aldo vinha conseguindo fugir do tiroteio, com a imagem de vítima dos ataques petistas. Mas o problema objetivo é que, com a encrenca em torno do PMDB, ele voltou a figurar na lista de ministros que podem ser removidos na próxima reforma ministerial.
 
 
 
André Dusek  

Candidato
Secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o ministro petista Jacques Wagner (foto) está candidatíssimo ao lugar de Aldo Rebello como coordenador político do governo. O presidente da Câmara, João Paulo Cunha, pode ocupar seu lugar. Com a mexida, Lula recomporia o esquecido “núcleo duro do governo”. Só com petistas.
 
 
Reforma a conta-gotas
A confusão com o PMDB pegou o governo desprevenido. Ninguém do alto
comando do Palácio (até porque o presidente Lula tem se fechado em copas)
sabe exatamente as consequências da encrenca na reforma ministerial.
A única aposta em curso é uma só: a reforma ministerial, nos moldes em
que era pensada, será adiada. Deve ocorrer a conta-gotas.
 
 
Leopoldo Silva  

Mercadante planejou
Foi idéia do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (foto), transferir José Dirceu para o Ministério do Planejamento na reforma ministerial.Mas nem Dirceu nem Lula gostaram: “Eu jamais pensaria uma coisa dessas, presidente”, esquivou-se Dirceu. Ante um Lula carrancudo, Mercadante assumiu: “É verdade, não falei com o Dirceu sobre isso.”
 
 
Lula não cede
O presidente Lula mandou avisar aos oposicionistas do PMDB: não vai ceder a cabeça dos governistas do partido. Qualquer negociação com os governadores ou com a ala oposicionista não pode incluir a demissão dos peemedebistas que estão no governo. Fracos ou fortes, eles ficam onde estão.
 
 
Rápidas

• O ex-presidente do PSDB Pimenta da Veiga tem dito a amigos que o candidato do partido à Presidência será o senador Tasso Jereissati. É o único que não tem nada a perder se for derrotado por Lula em 2006..

• Líder do PSDB na Câmara no governo Fernando Henrique, Jutahy Magalhães Filho (BA) aposta: FHC não será candidato a presidente. “Mas, como precisaremos vencer em São Paulo, o PSDB acabará exigindo que ele seja candidato a governador.”

• Sucessão na presidência do PT no Rio. Há candidatos de todas as tendências e uma unanimidade: Wladimir Palmeira tem que ser candidato a governador. O ex-deputado, que jura ainda não ter se decidido, tem conversado com José Dirceu.

• Cotado para coordenador político do governo, o ministro Jacques Wagner também quer a vaga do PT da Bahia para concorrer a governador. Procurou o oposicionista Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) falando em um possível encontro com Lula.

• Com Roseana Sarney como sua provável ministra, e Ciro Gomes já na equipe, Lula já contabiliza dois candidatos a vice em 2006 sob seu arco de influência. Mas acha que ainda dá para atrair mais nomes.”

 
Charge: O pára-quedas de Lula