Parabéns, pela matéria de capa “Ninguém está seguro” (ISTOÉ 1834). Esta é a sensação que nós temos. Apesar de utilizarmos todos os meios de segurança, ainda somos surpreendidos por pessoas que optaram por essa alternativa de sobrevivência em um país, que deveria ser de todos. Enquanto políticos travam batalhas em busca de poder e segurança própria, a sociedade aguarda por medidas que reduzam ou amenizem o cenário violentíssimo em que o País se encontra.
Cleusa C. Amaral
Goiânia – GO
Enquanto a segurança pública for tratada pelos governantes
exclusivamente
como caso de polícia e não como um problema socioeconômico,
infelizmente continuaremos a ver tristes reportagens como a apresentada
por ISTOÉ.
Gastos milionários com viaturas e equipamentos, destinados
na maioria
das vezes apenas para serem usados como marketing político
do que como
solução para os problemas de fato, jamais serão
suficientes para combater
a violência. Enquanto a violência for tratada como causa,
e não como consequência de um verdadeiro caos social,
fruto da má distribuição de renda e da omissão
do Estado nos seus deveres constitucionais basilares (alimentação,
habitação, saúde e educação),
estaremos reféns da insegurança. A tão almejada
segurança somente será possível se governos
e sociedade diminuírem o enorme abismo da segregação
socioeconômica existente, promovendo a legítima inclusão
social. “Todo mundo é alvo” (ISTOÉ 1834).
Marcelo Gomes Lopes
Campo Grande – MS
A reportagem aponta como principal causador da criminalidade a desigualdade social. É interessante pensar que combater a criminalidade com mais armas e mais policiais, isto é, com mais violência, só ira gerar mais violência. Mas então o que fazer para acabar com a violência? Em minha opinião, para acabar com a desigualdade social deve-se investir em saúde, infra-estrutura, projetos sociais e principalmente em educação. No entanto, nada disso irá existir em nosso país enquanto houver tanta corrupção nos mais diferentes níveis de poder.
Rodrigo Andolfato
Uberlândia – MG
A insegurança que vive o Brasil é reflexo de anos de leniência e de descaso com que o problema foi encarado pelas autoridades e pelos nababos que se locupletaram da desgraça da população local. A violência que hoje não observa estrato social só corrobora a tese de que no Brasil somente a desgraça é democrática.
Lander das Dores Silva
Contagem – MG
Acordei às três horas da manhã, ainda com a matéria de capa da ISTOÉ na cabeça. Remoía minha indignação com a hipocrisia com que o assunto violência vem sendo tratado pelos três níveis de governo. Decidi então escrever-lhes na tentativa de que alguém se importasse com o que pensa o cidadão comum, que não tem nenhuma vinculação político partidária e por isso está pouco se lixando se situação e oposição se devoram mutuamente. Eu simplesmente me recuso a aceitar que os atuais níveis de violência são um problema da vida moderna ou típicos de cidade grande. Esse é mais um discurso hipócrita de quem não consegue resolver o problema seja por inépcia, incompetência, impotência ou mesmo por falta de vontade. É verdade. Estou indignado, infeliz, impotente, com a auto-estima no pé, sem orgulho de ser brasileiro. Os valores morais que recebi de meus pais, que os receberam dos seus pais e que tento passar a meus filhos não se confirmam na sociedade. Eles têm o meu exemplo, mas confesso que tenho medo de perder essa guerra para os exemplos dos espertos, dos intocáveis.
Ricardo de Carvalho Oliveira
Santa Luzia – MG
O PIB acumula expansão de 5,3% sobre o mesmo período de 2003, dólar em queda, inflação sob controle à custa de juros dignos dos grandes agiotas, superávit fantástico nas contas externas. Este é o quadro econômico do Brasil. Entretanto, este crescimento não ajuda em nada os 60% de brasileiros que vivem à margem da sociedade, e ainda servem de blindagem para a marginalidade que toma conta das favelas. Enquanto os ricos se trancam dentro de condomínios fechados, cercados por todos os tipos de proteção, a pobreza é obrigada a obedecer às ordens do poder paralelo do crime, que assumiu o comando nas grandes cidades, graças à criminosa omissão dos políticos e economistas que só pensam no seu bem-estar pessoal. Ricos escondidos dentro de suas trincheiras milionárias, pobres entregues à própria sorte sem proteção nenhuma e a marginalidade cada vez mais criativa e violenta projetam um futuro de crueldade sem limites para a sociedade brasileira.
Wilson Gordon Parker
Nova Friburgo – RJ
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