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| Museu do Ipiranga: Eduardo
Bittencourt (à esq.) e Jacques Kaufmann integram o primeiro
grupo de parkour do País |
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| Aventura |
| Desafio nas alturas |
O Le Parkour, prática de origem
francesa que consiste
em saltar de obstáculos de concreto, faz a cabeça
da
moçada no Brasil |
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Anderson Fornazari e Mariana Abreu Sodré
Colaborou: Felipe Gil |
Ruy Ohtake e Oscar Niemeyer, ícones da arquitetura brasileira, ficarão, no mínimo, intrigados se virem como seus monumentos estão sendo interpretados por alguns jovens de capitais do Brasil. O negócio desses garotos é usar obras notáveis e elementos urbanos como obstáculos e ferramentas para saltar, rolar e girar nas alturas. Ou, nas palavras deles, praticar Le Parkour (palavra inspirada no francês parcour, que significa percurso). A “brincadeira” já se difundiu pela Inglaterra e pelos Estados Unidos e começa a ganhar adeptos por aqui. Os parkours, como eles se chamam, desafiam a gravidade e a sorte pulando, escalando e explorando com manobras o cenário de cidades como Brasília, São Paulo e Florianópolis. E isso sem nenhum aparato de segurança.
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Catedral de Brasília:
João Paulo
(à esq.) explora as inúmeras opções
que o cenário da capital federal oferece |
Por enquanto, a turma brasileira é pequena. Mas chama atenção
de quem passa por prédios e monumentos onde se concentram
os praticantes. Tal qual o inventor da modalidade, o parisiense
David Belle, os adeptos, em sua maioria, tiveram contato com artes
marciais ou ginástica olímpica. “Já fiz
kung fu e ginástica olímpica. Uso minhas experiências
nesses esportes como base”, afirma o animador gráfico
Jacques Kaufmann, 27 anos, de São Paulo. Ele, o publicitário
Rodrigo Bélgamo, 29, e o psicanalista Eduardo Bittencourt,
28, formaram em fevereiro, na capital paulista, o grupo pioneiro
da modalidade no País. “Começamos saltando de
alturas e espaços de meio metro. Hoje, encaramos quatro metros”,
diz Bittencourt.
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| Começo, meio e fim: Eduardo
Bittencourt salta de uma laje para a outra na Universidade de
São Paulo, ponto de encontro dos adeptos para os treinos |
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Os parkours ressaltam que é preciso
treinar para desenvolver habilidades que resguardam o praticante
de acidentes. Um dos truques é rolar o corpo nas quedas para
amortecer o impacto contra o chão. Além disso, deve-se
recorrer ao bom senso. Eles podem dar um salto maior do que a perna.
O problema é exagerar na distância. Com tudo isso,
os estragos não são poucos. Eles vão de uma
torção até fraturas (por ora, não se
sabe de mortes). Segundo o publicitário João Paulo
da Silva, 25 anos, um dos praticantes de Brasília, oito de
seus colegas estão machucados. “Às vezes, a
gente tem a certeza de que consegue completar a manobra, mas se
machuca”, diz. Por envolver tantos acidentes, o médico
Moisés Cohen, da Universidade Federal de São Paulo,
desconsidera o parkour como esporte. “Não há
regras nem aparatos de segurança. Qualquer descuido pode
ser fatal. Desaprovo totalmente”, critica.
Apesar dos perigos, os parkours celebram o caráter artístico dessa aventura urbana. Há coreografia nos movimentos, algo que consideram tão importante quanto a ousadia. É evidente, porém, que eles são seduzidos por riscos e por sua consequente adrenalina. Muitos destacam a superação pessoal e a apropriação do espaço urbano entre os motivos que fazem o desafio valer a pena. Desafios, aliás, não faltam. A começar pelas autoridades que não acham graça alguma em ver marmanjos dependurados em patrimônios públicos. “Subir em monumentos sem cercados não é crime. Mas danificá-los é uma infração prevista na lei”, pondera a delegada Elizabeth Sato, do 78º Distrito Policial de São Paulo. Lá fora, os parkours estão mais à vontade. Em Londres, por exemplo, um grupo conseguiu autorização para explorar monumentos e telhados de museus. Experientes, os estrangeiros estão ousando mais. Chegam a descer altos edifícios saltando de sacada em sacada. Qualquer semelhança com os personagens da trilogia Matrix não é mera coincidência. |