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Manifestação no Rio em 1968;
e a foto histórica
de Neruda morto (1973) |
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| Fotografia |
| Foco na história |
O repórter fotográfico Evandro Teixeira
completa 45 anos de carreira com mostra e
documentário sobre sua vida e obra
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| Celina Côrtes |
Há fotógrafos que cultuam a beleza das paisagens
ou das curvas femininas. Outros optam por engrossar seu saldo bancário
com imagens de publicidade. Mas existem os de faro jornalístico
aguçado, cuja obra acaba se tornando uma espécie de
patrimônio histórico. É o caso do baiano Evandro
Teixeira, 68 anos, que completa 45 de atividade profissional cheio
de razões para comemorar. Na segunda-feira 2 será
inaugurada uma retrospectiva de suas melhores fotos no Centro Cultural
da Justiça Federal, no Rio de Janeiro, mesmo dia do lançamento
do documentário Instantâneos da realidade –
sobre a vida e a obra do repórter fotográfico –,
que entra em cartaz nos cinemas do Rio e São Paulo na sexta-feira
6. Com depoimentos de personalidades como o compositor Chico Buarque
e o fotógrafo Sebastião Salgado, o filme do cineasta
Paulo Fontenele, diretor da produtora Canal Imaginário, traz
em uma de suas abordagens o reencontro de Teixeira com os velhinhos
que lutaram ao lado de Antônio Conselheiro e foram retratados
no livro Canudos 100 anos, lançado em 1997.
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| Acima, aqueda do policial, instantâneo
de Teixeira, feito em 1966, que se tornou imagem clássica |
Na mostra, destacam-se as fotos da tomada
do Forte Copacabana durante o regime militar, em 1964, e um registro
especialíssimo, que se transformou em furo internacional,
ocorrido à época do golpe militar no Chile, em 1973.
Todos achavam que Pablo Neruda se encontrava preso. Mas Teixeira
descobriu, por uma brasileira casada com um militar chileno, que
o poeta estava à morte, internado num hospital em Santiago.
Não deixaram que o fotografassem, porque Neruda era um desafeto
do regime. “Liguei para o hospital às 22h30 e soube
que Neruda tinha morrido. Corri para lá e vi seu corpo jogado
no chão”, lembra Teixeira, emocionado. “Esse
material é comentado até hoje. Uma produtora italiana
quer usá-lo para fazer um documentário.” O fotógrafo
ainda se destacou pela cobertura da Copa do Mundo de 1962, registrando
a maestria de craques como Garrincha e Pelé.
Nascido em Iratu, interior da Bahia, na verdade ele queria ser
escultor. Começou a aprender o ofício aos 16 anos
com Nestor Rocha, tio do falecido diretor Glauber Rocha. Veio para
o Rio de Janeiro em 1957, onde ingressou em O Jornal. “Saía
para fotografar casamentos. O diretor-geral dizia que podia ser
de pobre, de rico, mas preto não valia”, recorda. Certa
vez, passou um dia rodando a cidade até encontrar um mulato
de cabelo pixaim, que se casava com uma loura. O laboratorista transformou
o mulato em branco, mas, quando a foto chegou à mesa do chefe,
os cabelos do noivo o traíram e Teixeira acabou demitido.
Tempos depois, seus melhores momentos começaram a acontecer
a partir da contratação pelo Jornal do Brasil,
há 42 anos. Foi lá que ele registrou uma histórica
manifestação ocorrida em 1968, material que até
o fim do ano deverá resultar no livro 68 destinos, Evandro
Teixeira na passeata dos 100 mil, trazendo imagens e depoimentos
dos manifestantes. |