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Tábata (à dir.) e os colegas no palco:
“A gente se solta, troca experiências” |
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| Inclusão |
| Uma tribo especial |
Deficientes físicos descobrem no
teatro uma maneira de se expressar
na sociedade |
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| Patrícia Pappalardo |
Um palco, um texto e uma platéia são só o
que um grupo de jovens especiais precisa para mostrar que as adversidades
não acabam com a alegria de viver. Ao contrário, o
Grupo Cadeirantes realiza um trabalho teatral com bom humor e muita
arte sem se incomodar com os obstáculos. No ano passado,
Deto Montenegro, 41 anos, um dos fundadores do Grupo Oficina de
Menestréis – companhia-escola de teatro de São
Paulo –, decidiu reunir pessoas portadoras de deficiência
(PPD) para representar. “Minha intenção, desde
o início, não era fazer caridade. Queria trabalhar
o potencial artístico de cada um. A única diferença
é que eles são cadeirantes e nós, andantes”,
diz Deto. O projeto deu tão certo que Deto adaptou a peça
Noturno – de autoria de seu irmão e sócio, o
cantor Oswaldo Montenegro – para Os Cadeirantes. Eles se reapresentam
em 18 de junho no teatro Dias Gomes, na capital paulista, e para
o segundo semestre já estão montando o próximo
texto, Good morning, São Paulo.
O teatro mudou a vida dessas pessoas. Elas criaram laços,
aprenderam a viver em turma. “A gente se solta, troca experiências.
Ninguém sabe do que é capaz, até experimentar”,
diz Tábata Contri, 23 anos, uma das primeiras alunas. A amiga
Carolina Ignarra, 25, faz coro. “Faço tudo com mais
vontade, dou aulas de educação física e aplico
o que aprendo na minha profissão de professora”, afirma
Carolina. União é a palavra que usam para explicar
o seu sucesso. Foram 14 apresentações entre dezembro
de 2003 e março deste ano, com um público de três
mil pessoas. Mas eles não querem ser vistos como bizarros
nem ser poupados. Alex Porahy, 33 anos, pretende ser dublador e
alega que seria difícil fazer um curso com andantes. Por
isso, a oportunidade do Oficina veio ao encontro de suas aspirações.
“Não somos uma lição de vida. Faço
teatro porque gosto e por uma necessidade minha”, retruca.
Todos concordam que correm atrás de seus sonhos como qualquer
pessoa.
A maioria são jovens de classe média. Alguns dirigem
carro, têm estilo,
vaidade e também enfeitam suas cadeiras. Adoram sair em bando
para
a balada, como uma verdadeira tribo. Lotam elevadores de shoppings
e atravancam também seus corredores. Outro dia, embaraçaram
os garçons
de uma grande lanchonete, que não sabiam como acomodar 30
cadeirantes
de uma só vez. Fazem sua própria inclusão social.
Eles querem participar, e não são os únicos.
De acordo com o Censo 2000, do IBGE, cerca de 15% da população
do País possui algum tipo de deficiência. São
nove milhões de PPD em idade produtiva, dos quais 11% exercem
atividade remunerada e apenas 200 mil têm registro em carteira.
Esses brasileiros movimentam anualmente em média R$ 1 bilhão
no mercado consumidor. Apesar do preconceito, da falta de acessos
e informação, o Grupo Cadeirantes prova que as pessoas
especiais superam seus limites diariamente, assumindo um papel ativo
na sociedade, sem paternalismo. São estrelas que brilham
tanto no palco como na vida. |