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| Dono de um site com 1,4 milhão de
visitas mensais. Campos exibe laptop com foto de Tosatti, o
brasileiro que se destaca por aprimorar o sistema Linux |
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| Especial |
| Mundo livre S/A |
Um movimento antimonopólio arrasta
governos, empresas, instituições
e usuários comuns, e coloca o
Brasil como precursor na opção
pelos softwares livres |
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Eduardo Marini e Luiza Villaméa
Colaborou: Leonel Rocha (DF) |
Computador, mouse, conexão, banda larga. Servidores e navegações
pelo mundo virtual. Nos últimos anos, os brasileiros mergulharam
fundo, por necessidade, impulso ou mero prazer, na tarefa de aprender
o significado de conceitos do gênero. Efeito da onda criada
pela obrigação de se preparar para entrar na era da
internet e da informatização em massa. Agora, com
a bênção oficial do governo, empresas públicas
e privadas, Estados, municípios, universidades e entusiastas
da tecnologia começam a transformar o Brasil num dos precursores
de uma nova onda dentro desse universo fascinante e aparentemente
interminável. É o movimento dos adeptos dos softwares
livres. Ao contrário dos programas de empresas proprietárias,
como os da Microsoft e Adobe, que possuem os códigos de comando
fechados para modificações dos clientes, os softwares
livres permitem que qualquer um faça uma cópia, use-a
como quiser e a distribua, na forma original ou com modificações,
sem pagar royalties ou licenças. Eles já fazem parte
da rotina de instituições como as universidades de
São Paulo (USP), Brasília (UnB), Rio de Janeiro (UFRJ)
e do Tribunal de Contas da União (TCU). Lá fora, mostram
resultado na Bolsa de Valores de Nova York, na gigante IBM, nos
servidores que alimentam os 30 mil terminais do Google, o maior
site de busca do mundo, e no sistema de defesa virtual da Casa Branca.
No Brasil, até a Receita Federal colocou uma versão
livre do programa para a declaração de imposto de
renda pela internet.
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| Criador de rede operada com software livre
em Solonópole, o prefeito Odorino (no alto, à esq.) com pescadores
beneficiados pelo projeto e o agricultor Silva (abaixo) |
Software livre e gratuito não são a mesma coisa.
Muitos programas oferecidos de graça têm o código
fechado. Por outro lado, empresas que trabalham com software livre
não cobram propriedade intelectual (licenças ou royalties),
como os proprietários, mas os serviços de treinamento,
assistência técnica e instalação são,
em alguns casos, remunerados. Há milhares de programas livres
no mundo, mas nada representa melhor o novo movimento do que o simpático
pinguim preto e amarelo do Linux, símbolo do sistema operacional
criado e disponibilizado em 1991 pelo matemático finlandês
Linus Torvalds, hoje com 35 anos. Desde então, Torvalds e
equipe trabalham simultaneamente em duas versões do programa,
com sugestões de mais de 100 mil linuxmaníacos espalhados
pelo mundo. Os serviços da versão de desenvolvimento
são liderados pelo finlandês. A outra, chamada de estável,
colocada à disposição dos usuários,
é aprimorada atualmente por um grupo liderado pelo brasileiro
Marcelo Tosatti, 21 anos, um paranaense de cabelos longos e desgrenhados
que arrumou seu primeiro emprego de programador, num provedor de
internet de Curitiba, aos 13. “O software livre, além
de eficiente, é também uma plataforma da pluralidade
intelectual. Atrás de um computador, mandando sugestões,
pode estar um menino precoce, um técnico de uma grande empresa
ou um acadêmico de respeito”, filosofa o programador.
Quando atinge o equilíbrio, a versão de Torvalds é
lançada ao consumo. Em seguida, Tosatti passa a trabalhar
em outra e começa tudo de novo. No Brasil, a página
sobre software livre mais procurada, com 1,4 milhão de visitas
mensais, é a www.br-linux.org,
do analista de sistemas Augusto Campos. “Trabalho para mostrar
que o software livre é vantajoso em várias situações
e, na maioria das vezes, consigo provar isso”, diz Campos.
“Penso, porém, que as pessoas devem usar o aplicativo
que resolva seus problemas, seja ele qual for.”
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