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| Triagem: Cavagnari quer
saber quais os interesses da ONGs |
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Mário Simas Filho
A proliferação de organizações não-governamentais
estrangeiras na região amazônica preocupa militares
e acadêmicos do Brasil. Em áreas indígenas de
Roraima, por exemplo, chama a atenção a quantidade
de europeus e americanos que circulam sem embaraço por lugares
que brasileiros têm dificuldade para entrar, em razão
de resistências impostas pelas próprias comunidades
assistidas pelas ONGs. O informe secreto número 157/2001,
emitido pelo Sétimo Comando Aéreo Regional em 13 de
agosto de 2001, faz um relato que demonstra com clareza os motivos
da preocupação dos militares. O documento narra que,
em 14 de março de 2001, um avião C-98 Caravan da Força
Aérea Brasileira perdeu o controle durante pouso em Paa-Piú
Novo, a cerca de 250 quilômetros de Boa Vista. Para recuperar
o avião, militares da Aeronáutica foram levados à
região e lá montaram acampamento. “No reconhecimento
da região foi observada a presença atuante da ONG
Médecins du Monde, da Comunidade Européia, que ocupa
casa de madeira e ‘cuida’ da saúde dos índios
ianomâmis”, relatam os militares. Eles constataram que
a entidade mantém laboratórios bem equipados na região
e levantaram indícios de que “existe um rigoroso acompanhamento
biológico dos índios com análises sanguíneas
e avaliações dos princípios ativos dos remédios
naturais utilizados pelos silvícolas”.
Os militares relatam, ainda, que diversos “estrangeiros presentes
na região tentavam se esconder” quando eram vistos
e dois brasileiros funcionários da ONG e identificados apenas
como José Melo e Elissandra lhes negavam qualquer informação
sobre o grupo. “Um nosso oficial conseguiu conversar com uma
senhora francesa e, quando lhe perguntou como se sentia na condição
de estrangeira em uma localidade tão inóspita, ela
lhe respondeu que ali não era estrangeira, pois a região
amazônica também era dela”, descreve o informe
secreto. Na frente da sede da ONG encontrava-se o logotipo da entidade
e a bandeira da Comunidade Européia; não havia, no
entanto, nenhuma bandeira do Brasil. Ao serem questionados, os funcionários
da organização não-governamental responderam
que não havia a bandeira nacional porque “o Brasil
não ajuda em nada”. Mais adiante, o documento diz:
“No interior da casa de madeira foi observado um mapa do Brasil
com a inscrição ‘Brasil 500 anos... O Brasil
que nós queremos são outros 500’ e com o Brasil
politicamente dividido sem a região Amazônica.”
Revoltados, os militares hastearam uma bandeira do Brasil na porta
da entidade.
“É preciso haver uma triagem e saber exatamente quais
os interesses que estão por trás dessas entidades.
Há muita ONG picareta”, afirma o coronel da reserva
Geraldo Cavagnari, membro do Núcleo de Estudos Estratégicos
da Unicamp. A Médecins du Monde é uma respeitada ONG
e o informe secreto da Aeronáutica não prova que a
entidade esteja cometendo atos ilegais no Brasil, mas não
deixa de ser absurdo o fato de ela ostentar uma bandeira da Comunidade
Européia em pleno território nacional. |