Veja também outros sites:
Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO Nº 1797
 Capa
 Índice
 ISTOÉ São Paulo
 Exclusivo Online
 EDITORIAS
 Artes & Espetáculos
 Brasil
 Ciência & Tecnologia
 Comportamento
 Economia & Negócios
 Internacional
 Medicina & Bem-Estar
 SEÇÕES
 A Semana
 Avenida Brasil
 Cartas
 Editorial
 Em Cartaz
 Entrevista
 Fax Brasília
 Gente
 Século 21
 Viva Bem
 SERVIÇOS
 Edições Anteriores
 Biblioteca
 Fale Conosco
 Newsletter
 Assinaturas
 Publicidade
 Expediente
 
 Busca
 Procure outras matérias
 CIÊNCIA, TECNOLOGIA & MEIO AMBIENTE 17/03/2004
Revolução

  Wesley Bocxe/Sipa Press
  Ecológico: num eventual derramamento, os nanoímãs poderiam sugar o óleo e preservar a água limpa
Quem plantou a primeira semente da nanotecnologia foi o americano Richard Feynman, Nobel de Física de 1965. Ele deixou a comunidade científica perplexa ao propor a manipulação de átomo por átomo. Decifrador de hieróglifos maias, dançarino e tocador de bongô, o físico que esteve duas vezes no Brasil foi taxado de louco. O assunto ficou adormecido até que, em 1992, o físico Eric Drexler chocou o Senado americano ao difundir a idéia de construir nanorrobôs que manipulam moléculas, como se fossem peças de Lego, só que com dimensões atômicas.

Formigas – “A idéia da nanotecnologia é imitar o comportamento da natureza”, explica o engenheiro Edval J. P. Santos. Coordenador do laboratório de dispositivos e nanoestruturas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Santos explica: “Uma formiga sozinha não faz nada, mas um grupo delas pode construir estruturas gigantescas.” O Brasil tem quatro redes de pesquisa em nanotecnologia. São 300 cientistas de Norte a Sul trabalhando em projetos voltados para agropecuária, comunicações, petroquímica, informática, saúde, indústria e aeronáutica. Se comparada às grandes potências, a verba brasileira é irrisória. O plano original era grande, mas os cortes da equipe econômica reduziram o repasse. Agora, o governo promete investir módicos R$ 9 milhões em 2004. “Isso pode custar ao Brasil a chance de se igualar aos países mais avançados”, reclama Rogério Cerqueira Leite, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde está o Laboratório de Luz Síncrotron, único da América Latina com aparelhos para trabalhar com estruturas invisíveis a olho nu.

Os críticos alegam que o País derrapa em definir prioridades e nichos
nos quais poderia competir com outras nações. Antes de investir
em pesquisa, o Brasil precisa renovar seus laboratórios. Por envolver partículas tão minúsculas, essa nova divisão exige equipamentos
como os microscópios atômicos. Um deles será inaugurado durante
o 1º Congresso Internacional de Nanotecnologia, que acontece
em São Paulo, no próximo dia 23. Promovido pela Universidade de São Paulo (USP) e pelo Instituto Tecnológico Brasil-Alemanha (ITBA), o congresso terá a participação de uma das maiores autoridades no assunto, Harald Fuchs, diretor do Centro de Nanotecnologia da Universidade de Münster, na Alemanha, que doou um microscópio atômico aos engenheiros da USP. “O Brasil não tem tempo a perder.
A nanotecnologia vai revolucionar as pequenas e médias empresas”, explica Werner Schwarz, presidente do ITBA.

Apesar das dificuldades, o Brasil criou um produto que ganhou reconhecimento mundial. A língua eletrônica desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) imita o paladar humano. Reconhece sabores salgados, doces, amargos e azedos e consegue diferenciar vários tipos de café, vinho e água mineral. Entre vinhos da mesma marca, ela determina qual a safra de procedência e distingue entre um tinto Cabernet Sauvignon ou um Chardonnay. Sua sensibilidade é até dez mil vezes maior do que as papilas gustativas. Tanto que, a partir deste ano, a indústria do café vai usá-la na degustação. “A língua não substituirá os especialistas de carne e osso”, diz Luiz Henrique Capparelli Mattoso, coordenador do projeto que estará disponível para uso industrial em três anos. Agora, os pesquisadores criam sensores para a língua artificial analisar leite e sucos de uva e de laranja.

Outra idéia que parece tornar realidade o sonho dos ecologistas são os nanoímãs que absorvem o petróleo e as substâncias tóxicas despejadas na água por acidente. Envoltos numa microcápsula vazada, feita de um tipo de plástico chamado polímero, eles podem ser modificados quimicamente para repelir a água. No caso de derramamento de óleo, essas minúsculas cápsulas, com um ímã em seu interior, seriam espalhadas na mancha. O ímã atrai o óleo, que é sugado por filtros, que purificam a água. Na indústria farmacêutica, os brasileiros trabalham na criação de cápsulas que carregariam moléculas de um princípio ativo até o órgão doente, reduzindo os efeitos colaterais. Os mesmos nanotubos feitos de moléculas de carbono que filtram o rim dos pacientes na hemodiálise ajudariam a substituir estruturas metálicas na engenharia. É na eletrônica, porém, que a revolução será avassaladora. Em vez de computadores que cabem na palma da mão, a tendência são os chips um milhão de vezes menores que o menor chip de hoje. Isso multiplicaria por mil a capacidade de processamento das máquinas atuais. Os chips se espalhariam por todos os cantos, em particular pelos carros, onde controlariam quase tudo, do sistema de frenagem até os air-bags. Os Audi A4, A6 e A8 já trazem algumas dessas novidades. A mais banal delas é a cobertura do vidro nos carros conversíveis, que impede o reflexo dos raios solares no cockpit. Ao regular a luminosidade interna, a película ultrafina reduz a temperatura do carro, o que diminui o consumo de ar condicionado e de combustível. As possibilidades são muitas para a indústria automobilística e parecem ficção. O melhor exemplo é a tinta inteligente, coberta de sensores capazes de se recuperar sozinhos em caso de arranhões na pintura e que mudariam de tonalidade dependendo do humor do motorista.

Tradicional adepta das novas tecnologias, a indústria bélica esbanja criatividade. Um dos produtos mais inovadores é o uniforme à prova de balas com sensores eletrônicos capazes de detectar explosivos ou gases tóxicos. A roupa monitora o contato do soldado com agentes biológicos e possui um sistema de primeiros socorros para estancar hemorragias e iniciar a cicatrização de ferimentos. Um dos protótipos transforma o tecido numa espécie de tala para engessar o soldado que sofrer uma fratura. O pitoresco é que o uniforme se recobre de miniespelhos que refletem o seu redor, dando a ilusão ótica de invisibilidade.

Anterior | Próxima
 
O QUE VESTIR?

Teste as opções do guia da Moda de ISTOÉ e confira como é fácil se vestir sem
medo de errar

HOMEM MULHER
ENQUETE

Para evitar os spams, Bill Gates sugeriu a cobrança de uma taxa – como fazem os Correios para enviar uma carta. Isso reduziria o tal “lixo eletrônico”?

ENTREVISTA

Às vésperas de deixar o cargo, o procurador Luiz Marrey critica políticos que querem restringir ação do MP

PESQUISA

Cerca de 20 mil trabalhadores ficarão sem emprego com o fechamento dos bingos. Pela lei, é o governo que terá de arcar com os encargos das demissões. O que você acha disso?

DIVIRTA-SE

Você consegue identificar uma
fraude fotográfica?

AMOR PERFEITO
Avalie se você, de fato, conhece sua cara metade
INTERATIVOS
Kama Sutra
Altar virtual
Jardim Perfumado
Tarô
Realejo
 
| ISTOÉ DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL |
© Copyright 2004 Editora Três