| BRASIL |
03/03/2004
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| Congresso |
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Transparencia
já
Escândalos que envolvem operadores
de campanha
e fragilizam partidos tiram do forno reforma política |
Florência
Costa e Juliana Vilas
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Proposta: Caiado, com o presidente do PMDB,
Michel Temer (acima.), quer financiamento público total e punição
rígida para infratores. Genoino (abaixo) elogia alternativa |
Na política, assim como na saúde pública,
as doenças são globalizadas. Quando surge uma epidemia
em um distante país da Ásia, seja Sars, seja gripe
do frango, o perigo de a enfermidade se espalhar pelos quatro cantos
assusta o mundo. As pragas que contaminam os corpos políticos
em todos os países, ricos e pobres, minam a credibilidade
das instituições. Líderes políticos
do chamado Primeiro Mundo que fizeram história na década
de 90 foram contaminados, como o ex-primeiro-ministro alemão
Helmut Kohl (Partido Democrata-Cristão, CDU), conhecido como
o “pai da reunificação” da Alemanha após
a queda do muro de Berlim. Kohl foi acusado e acabou admitindo ter
recebido para o caixa do CDU a bolada de US$ 1,2 milhão –
uma contribuição não computada na prestação
de contas de seu partido. Na França, o presidente Jacques
Chirac teve seu nome envolvido em um escândalo de financiamento
de campanha, em 1996, protagonizado por Jean-Claude Méry,
arrecadador de contribuições para o partido gaullista
(RPR). Nos Estados Unidos, o escândalo da gigante Enron acabou
revelando sua atuação suspeita como grande financiadora
em campanhas políticas. A influência do dinheiro em
eleições nos EUA sempre foi notória e esse
escândalo acabou forçando o governo a promover mudanças
na legislação eleitoral. Por isso, o presidente George
W. Bush promulgou, em 2002, uma lei que reforma o financiamento
das campanhas com o intuito de diminuir a força das verdinhas
na eleição, implementando limitações
às doações privadas.
Vale-tudo – No Brasil, o Carnaval, infelizmente,
não se limita às
folias nos sambódromos, nos trios elétricos e nas
ruas: a festa
com o dinheiro arrecadado, de origem legal ou não, invade
a passarela das campanhas eleitorais, nos planos municipal, estadual
e federal. O enredo é sempre o mesmo: depois de revelado
o toma-lá-dá-cá, com direito a tráfico
de influência e privilégios de todas as formas, vêm
as eternas discussões sobre ter ou não ter CPIs, o
que, além de paralisar
o País, invariavelmente acaba em balcões de negócios,
nivelando por baixo qualquer governo.
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| Morcego
negro: PC protagonizou crise que levou Collor ao impeachment
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O mais notório escândalo dessa natureza foi
o que envolveu PC Farias, ex-tesoureiro de campanha de Fernando
Collor, que acabou sofrendo impeachment em 1992. Na última
eleição presidencial também surgiram denúncias
contra Ricardo Sérgio, caixa de campanhas tucanas. Historicamente
comprometido com
a defesa da ética na política, o PT não está
imune a esses descompassos. O último protagonista deste desfile
de escândalos foi Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil,
flagrado em fita de vídeo pedindo ao empresário Carlos
Ramos, o bicheiro conhecido como Carlinhos Cachoeira, propina para
si e para políticos. São escândalos que se repetem
ciclicamente.
Com a explosão da bomba detonada por ilegalidades em financiamento
de campanha, uma das várias reformas que hibernam no Congresso
foi resgatada à cena: a política. O presidente da
Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), convocou
uma reunião com líderes dos partidos para quinta-feira
4. Em pauta, a urgência em votar a reforma política
para colocar em prática uma nova legislação
eleitoral no pleito de 2006 para presidente da República,
governadores, senadores e deputados federais e estaduais. A espinha
dorsal do atual projeto de reforma política – que começou
a ser discutido na Comissão Especial há exatamente
um ano – é a polêmica proposta de instituir o
financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais.
Assim, o dinheiro para bancar as eleições viria apenas
dos cofres do Orçamento da União: seria proibida qualquer
contribuição privada e instituídas severas
punições aos infratores, sejam partidos, candidatos,
pessoas físicas ou jurídicas.
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