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  COMPORTAMENTO 28/01/2004
Esporte

Tacada notável
Golfista amadora de apenas 14 anos rouba a cena em etapa do torneio masculino dos EUA

Henrique Fruet

  Ronen Zilberman/EFE
  Por uma única tacada, Michelle
Wie não foi para as finais. Seu sucesso é comparado ao do campeão Tiger Woods

Uma simpática estudante de Honolulu, no Havaí, é a sensação do momento nos EUA. Com apenas 14 anos, a golfista americana Michelle Wie foi a principal atração do Sony Open do Havaí, a segunda etapa do ano do circuito da PGA (Profissional Golfers Association), a associação americana de golfistas profissionais, que ocorreu da quinta-feira 15 ao domingo 18 no campo do Waialae Country Club.

Na ausência do astro principal do esporte, o americano Tiger Woods, que não participou desse torneio por estar de férias, todos os holofotes se viraram para a jovem. Não foi por acaso. Wie ainda é amadora e foi a única mulher – ou melhor, garota – a jogar entre 143 golfistas profissionais. Por uma única tacada não se classificou para os dois últimos dias do campeonato. E, apesar disso, não fez feio. Além de acertar golpes de mais de 300 metros – algo raro entre as mulheres –, Wie empatou com campeões como Jim Furyk e Bem Curtis e deixou para trás outros como Craig Stadler e Jeff Sluman. “Tenho que trabalhar mais para entrar no círculo dos vencedores. Mas não me senti deslocada”, disse Wie.

Nem mesmo a decisão apertada que deu o título (e US$ 864 mil) para o sul-africano Ernie Els tirou o foco de Wie. “Ela tem uma das mais belas tacadas que eu já vi”, elogia Davis Love III, que ficou em terceiro lugar no Havaí e levou US$ 326 mil para casa. “Wie eletrizou o torneio, maravilhou os espectadores e solidificou seu lugar como a mais comentada golfista amadora desde o surgimento de Tiger Woods”, avaliou o jornal americano The New York Times.

No golfe, homens e mulheres não costumam competir na mesma categoria. Isso só começou a ocorrer no ano passado, quando a
atual campeã da liga profissional feminina americana, Annika Sorenstam, da Suécia, se tornou a primeira mulher a disputar tacada a tacada
com os homens da PGA. Depois, foi a vez da americana Suzy Whaley, também profissional. Nenhuma delas passou o corte para as finais.
Ambas tinham muitos anos de experiência em torneios profissionais,
o que não é o caso de Wie. Seus críticos afirmam que ela pode estar trocando os pés pelos tacos ao se meter no meio dos profissionais masculinos antes de vencer os principais torneios amadores femininos. Sua principal vitória da carreira foi no ano passado, quando se tornou, aos 13 anos, a mais jovem golfista a vencer um título de um dos torneios da associação dos amadores americanos.

Wie só participou do Sony Open por causa de um convite dos patrocinadores. Como se trata de uma amadora, não poderia receber nenhum prêmio em dinheiro caso fosse bem-sucedida. “Foi uma bela jogada promocional, mas eu acho que não se deve misturar homens e mulheres no mesmo torneio, pois isso não acontece no circuito feminino”, diz o golfista brasileiro Jaime Gonzalez, que trabalha como profissional do São Fernando Golfe Clube, na Grande São Paulo, e é autor do DVD Aprenda golfe com Jaime Gonzalez, o primeiro vídeo de golfe produzido no País. “A Michelle Wie é um fenômeno. Tem muito potencial de jogo. Resta saber se vai continuar progredindo”, diz Gonzalez, que já participou do circuito profissional nos EUA e na Europa.

 
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