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Tacada
notável
Golfista amadora de apenas 14
anos rouba a cena em etapa do torneio masculino dos EUA |
Henrique Fruet
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Por
uma única tacada, Michelle
Wie não foi para as finais. Seu sucesso é comparado ao do campeão
Tiger Woods |
Uma simpática estudante de Honolulu, no Havaí, é
a sensação do momento nos EUA. Com apenas 14 anos,
a golfista americana Michelle Wie foi a principal atração
do Sony Open do Havaí, a segunda etapa do ano do circuito
da PGA (Profissional Golfers Association), a associação
americana de golfistas profissionais, que ocorreu da quinta-feira
15 ao domingo 18 no campo do Waialae Country Club.
Na ausência do astro principal do esporte, o americano Tiger
Woods, que não participou desse torneio por estar de férias,
todos os holofotes se viraram para a jovem. Não foi por acaso.
Wie ainda é amadora e foi a única mulher – ou
melhor, garota – a jogar entre 143 golfistas profissionais.
Por uma única tacada não se classificou para os dois
últimos dias do campeonato. E, apesar disso, não fez
feio. Além de acertar golpes de mais de 300 metros –
algo raro entre as mulheres –, Wie empatou com campeões
como Jim Furyk e Bem Curtis e deixou para trás outros como
Craig Stadler e Jeff Sluman. “Tenho que trabalhar mais para
entrar no círculo dos vencedores. Mas não me senti
deslocada”, disse Wie.
Nem mesmo a decisão apertada que deu o título (e
US$ 864 mil) para o sul-africano Ernie Els tirou o foco de Wie.
“Ela tem uma das mais belas tacadas que eu já vi”,
elogia Davis Love III, que ficou em terceiro lugar no Havaí
e levou US$ 326 mil para casa. “Wie eletrizou o torneio, maravilhou
os espectadores e solidificou seu lugar como a mais comentada golfista
amadora desde o surgimento de Tiger Woods”, avaliou o jornal
americano The New York Times.
No golfe, homens e mulheres não costumam competir na mesma
categoria. Isso só começou a ocorrer no ano passado,
quando a
atual campeã da liga profissional feminina americana, Annika
Sorenstam, da Suécia, se tornou a primeira mulher a disputar
tacada a tacada
com os homens da PGA. Depois, foi a vez da americana Suzy Whaley,
também profissional. Nenhuma delas passou o corte para as
finais.
Ambas tinham muitos anos de experiência em torneios profissionais,
o que não é o caso de Wie. Seus críticos afirmam
que ela pode estar trocando os pés pelos tacos ao se meter
no meio dos profissionais masculinos antes de vencer os principais
torneios amadores femininos. Sua principal vitória da carreira
foi no ano passado, quando se tornou, aos 13 anos, a mais jovem
golfista a vencer um título de um dos torneios da associação
dos amadores americanos.
Wie só participou do Sony Open por causa de um convite
dos patrocinadores. Como se trata de uma amadora, não poderia
receber nenhum prêmio em dinheiro caso fosse bem-sucedida.
“Foi uma bela jogada promocional, mas eu acho que não
se deve misturar homens e mulheres no mesmo torneio, pois isso não
acontece no circuito feminino”, diz o golfista brasileiro
Jaime Gonzalez, que trabalha como profissional do São Fernando
Golfe Clube, na Grande São Paulo, e é autor do DVD
Aprenda golfe com Jaime Gonzalez, o primeiro vídeo
de golfe produzido no País. “A Michelle Wie é
um fenômeno. Tem muito potencial de jogo. Resta saber se vai
continuar progredindo”, diz Gonzalez, que já participou
do circuito profissional nos EUA e na Europa.
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