| Ricardo
Bellino |
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| Um
louco de sucesso |
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Representante
do bilionário americano Donald Trump
no Brasil, Ricardo Bellino é um homem ousado, de idéias
grandes e lucrativas
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Henrique
Fruet
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Quem conhece o empresário carioca Ricardo Bellino, atualmente
presidente da Trump Realty Brazil, certamente já o considerou
louco. O que dizer de alguém que, aos 21 anos, pensou em
trazer a megaagência de modelos americana Elite Models para
o Brasil, sem falar inglês nem ter um tostão no bolso?
Bellino apostou nessa idéia mirabolante, abandonou a faculdade
de economia, mudou-se para São Paulo e teve sucesso, a ponto
de se tornar amigo pessoal de John Casablancas, dono da Elite. Bellino
trouxe também para o País a campanha das camisetas
do câncer de mama, colocando o famoso símbolo do alvo
no peito de milhares de brasileiras. Depois, ainda criou a primeira
modelo virtual, a Webbie Tookay, sucesso no mundo todo e estrela
de uma campanha da Nokia. Atualmente, aos 38 anos, o empresário
encara o seu maior desafio, que é construir o primeiro empreendimento
imobiliário do bilionário americano Donald Trump no
Brasil. O Villa Trump, que será erguido em Itatiba, é
um projeto de US$ 40 milhões. Vai ter um campo de golfe desenvolvido
por Jack Nicklaus, considerado o maior golfista de todos os tempos,
hotel de alto padrão, spa e tudo o mais de luxo que o dinheiro
pode oferecer para 500 sócios escolhidos a dedo. Bellino
ainda achou tempo em sua concorrida agenda para escrever o livro
O poder das idéias (Editora Campus), que conta um
pouco do segredo de seu sucesso e traz depoimentos de personalidades
como John Casablancas, Donald Trump e Jack Nicklaus. Nesta entrevista
a ISTOÉ, Bellino fala de seus projetos e dá dicas
de como transformar uma idéia num empreendimento de sucesso
e de como usá-la nas empresas.
ISTOÉ – Qual foi o seu primeiro projeto de
sucesso?
Ricardo Bellino – Quando tinha 12 anos percebi que
meus colegas
de escola traziam dos EUA videogames Atari e videocassetes.
Eram aparelhos adaptados ao sistema americano de vídeo, o
NTSC, incompatível com o sistema brasileiro, o Palm-m. Fiz
um acordo com
uma oficina próxima à escola que se dedicava à
transcodificação.
Eu achava clientes, levava os aparelhos para a loja de ônibus
e ficava com parte do lucro.
ISTOÉ – O que o sr. fez com o dinheiro?
Bellino – Troquei tudo em dólares por causa
da inflação. Quando tinha 15 anos, usei esse dinheiro
para comprar equipamentos de som. Como eu era muito tímido,
ia às festas e, em vez de tirar as meninas para dançar,
ficava conversando com o DJ. Com isso, acabei participando de uma
equipe de som. Meu negócio era alugar equipamento para festas,
mas fazia também o papel de animador e relações-públicas.
Isso me fez ter a idéia de lançar camisetas temáticas
e vendê-las. Foi um sucesso. Num GP Brasil de Fórmula
1 que o Piquet venceu, eu e meus amigos vendemos até as camisetas
do corpo.
ISTOÉ – Como veio a idéia de trazer
a Elite Models para o Brasil?
Bellino – Eu frequentava bailes e desfiles e fiquei
encantado com esse negócio. Na casa de um amigo, li uma revista
de moda francesa e lá estava a história da Elite.
Fiquei extasiado. Li nas entrelinhas da matéria que havia
um concurso de modelos. Fiquei alucinado com a possibilidade de
trazer um negócio daqueles para o Brasil. Tinha 21 anos.
Percebi que a agência poderia aproveitar os talentos nacionais.
ISTOÉ – Qual foi a reação de
seus parentes e amigos quando
o sr. falou da Elite?
Bellino – Acharam a idéia completamente maluca,
uma loucura total. Achavam que não tinha lógica eu
tentar estabelecer uma base no Brasil para um negócio enorme,
que faturava US$ 100 milhões por ano, apenas por ter tido
uma vontade.
ISTOÉ – E o sr. não desistiu?
Bellino – Não. Escrevi uma carta ao John Casablancas,
fundador da empresa, pedi para um amigo traduzir para mim e mandei
por telex. No terceiro telex, a secretária confirmou o recebimento
da carta e disse que o John responderia na volta de uma viagem de
negócios. Propus então uma reunião, mesmo sem
ter um tostão no bolso.
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