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 ENTREVISTA
21/01/2004
Ricardo Bellino
Um louco de sucesso

Representante do bilionário americano Donald Trump
no Brasil, Ricardo Bellino é um homem ousado, de idéias
grandes e lucrativas

Henrique Fruet

  Ricardo Giraldez

Quem conhece o empresário carioca Ricardo Bellino, atualmente presidente da Trump Realty Brazil, certamente já o considerou louco. O que dizer de alguém que, aos 21 anos, pensou em trazer a megaagência de modelos americana Elite Models para o Brasil, sem falar inglês nem ter um tostão no bolso? Bellino apostou nessa idéia mirabolante, abandonou a faculdade de economia, mudou-se para São Paulo e teve sucesso, a ponto de se tornar amigo pessoal de John Casablancas, dono da Elite. Bellino trouxe também para o País a campanha das camisetas do câncer de mama, colocando o famoso símbolo do alvo no peito de milhares de brasileiras. Depois, ainda criou a primeira modelo virtual, a Webbie Tookay, sucesso no mundo todo e estrela de uma campanha da Nokia. Atualmente, aos 38 anos, o empresário encara o seu maior desafio, que é construir o primeiro empreendimento imobiliário do bilionário americano Donald Trump no Brasil. O Villa Trump, que será erguido em Itatiba, é um projeto de US$ 40 milhões. Vai ter um campo de golfe desenvolvido por Jack Nicklaus, considerado o maior golfista de todos os tempos, hotel de alto padrão, spa e tudo o mais de luxo que o dinheiro pode oferecer para 500 sócios escolhidos a dedo. Bellino ainda achou tempo em sua concorrida agenda para escrever o livro O poder das idéias (Editora Campus), que conta um pouco do segredo de seu sucesso e traz depoimentos de personalidades como John Casablancas, Donald Trump e Jack Nicklaus. Nesta entrevista a ISTOÉ, Bellino fala de seus projetos e dá dicas de como transformar uma idéia num empreendimento de sucesso e de como usá-la nas empresas.

ISTOÉ – Qual foi o seu primeiro projeto de sucesso?
Ricardo Bellino –
Quando tinha 12 anos percebi que meus colegas
de escola traziam dos EUA videogames Atari e videocassetes.
Eram aparelhos adaptados ao sistema americano de vídeo, o NTSC, incompatível com o sistema brasileiro, o Palm-m. Fiz um acordo com
uma oficina próxima à escola que se dedicava à transcodificação.
Eu achava clientes, levava os aparelhos para a loja de ônibus e ficava com parte do lucro.

ISTOÉ – O que o sr. fez com o dinheiro?
Bellino –
Troquei tudo em dólares por causa da inflação. Quando tinha 15 anos, usei esse dinheiro para comprar equipamentos de som. Como eu era muito tímido, ia às festas e, em vez de tirar as meninas para dançar, ficava conversando com o DJ. Com isso, acabei participando de uma equipe de som. Meu negócio era alugar equipamento para festas, mas fazia também o papel de animador e relações-públicas. Isso me fez ter a idéia de lançar camisetas temáticas e vendê-las. Foi um sucesso. Num GP Brasil de Fórmula 1 que o Piquet venceu, eu e meus amigos vendemos até as camisetas do corpo.

ISTOÉ – Como veio a idéia de trazer a Elite Models para o Brasil?
Bellino –
Eu frequentava bailes e desfiles e fiquei encantado com esse negócio. Na casa de um amigo, li uma revista de moda francesa e lá estava a história da Elite. Fiquei extasiado. Li nas entrelinhas da matéria que havia um concurso de modelos. Fiquei alucinado com a possibilidade de trazer um negócio daqueles para o Brasil. Tinha 21 anos. Percebi que a agência poderia aproveitar os talentos nacionais.

ISTOÉ – Qual foi a reação de seus parentes e amigos quando
o sr. falou da Elite?
Bellino –
Acharam a idéia completamente maluca, uma loucura total. Achavam que não tinha lógica eu tentar estabelecer uma base no Brasil para um negócio enorme, que faturava US$ 100 milhões por ano, apenas por ter tido uma vontade.

ISTOÉ – E o sr. não desistiu?
Bellino –
Não. Escrevi uma carta ao John Casablancas, fundador da empresa, pedi para um amigo traduzir para mim e mandei por telex. No terceiro telex, a secretária confirmou o recebimento da carta e disse que o John responderia na volta de uma viagem de negócios. Propus então uma reunião, mesmo sem ter um tostão no bolso.

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