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 EDITORIAL
17/12/2003

Brasileiro do Ano

Antônio Palocci é o escolhido de ISTOÉ como Brasileiro do Ano 2003. Ministro da Fazenda do governo que completa seu primeiro aniversário, ele se destacou em um ano difícil, em que polêmicos ajustes econômicos foram efetuados, com resultados estupendos na credibilidade externa, penosos reflexos no panorama doméstico e a expectativa de 170 milhões de brasileiros de que, depois da dureza do arado, o terreno esteja devidamente preparado para o começo da colheita em 2004, que deve ser o ano do crescimento. Em meio à aplicação do que ele mesmo definiu como remédio amargo, referindo-se à alta e à manutenção dos juros estratosféricos até metade do ano, Palocci foi vítima de ataques e pressões que obrigaram Lula a sair em sua defesa: “Eu tenho um ministro em quem confio plenamente. Muitas vezes tem mais bom senso e é mais equilibrado até do que eu”, disse o presidente em Genebra, em junho. Sob fogo pesado, o ministro se saía com respostas do tipo: “Não considero isso críticas, mas, sim, contribuições para o debate”, exibindo uma de suas qualidades, a diplomacia. Mantida a calma, o resultado veio naturalmente: os juros apontaram para baixo e iniciaram o processo de queda, trazendo no vácuo a inflação. Agora esperam-se investimentos, produção e empregos. Principalmente empregos.

Esta tranquilidade demonstrada por Palocci é também um dos principais atributos de outro dos escolhidos. Brasileiro do Ano na categoria Administração Pública, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, revelou a ISTOÉ o segredo da eficiência de sua administração e do seu consistente crescimento político, que aponta para altos patamares da vida pública. Alckmin carrega na carteira um bilhete que recebeu de seu pai aos 24 anos, quando era vereador em Pindamonhangaba. Nele, Geraldo Alckmin, pai, aconselha o filho a nunca decidir com a emoção e ensina a aguardar com calma e seguir a razão para ter a perspectiva adequada para a tomada de decisão.

A governadora do Rio, Rosinha Matheus, foi escolhida na categoria Política. Filha de um ferroviário e de uma dona-de-casa, ela é casada com o ex-governador Garotinho e consegue a incrível proeza de aliar o desafio que é tocar um Estado como o Rio de Janeiro a uma tarefa não menos hercúlea, que é cuidar de nove filhos. Depois de ter trocado o PSB pelo PMDB, conseguiu melhorar seu trânsito em Brasília e diz que, apesar de 2003 “ter sido um horror, com recessão e desemprego, Lula é bem-intencionado e torço para ele fazer o Brasil crescer”.

Na categoria Terceiro Setor foi escolhido Raí por repetir – agora à frente, junto com Leonardo, da Fundação Gol de Letra – a elegância, a competência, o espírito solidário e a capacidade de conseguir vitórias que demonstrava, quando vestia a camisa 10 do São Paulo Futebol Clube ou da Seleção Brasileira.

Bernardo Rocha de Resende, o técnico da vitoriosa seleção brasileira de vôlei, foi escolhido na categoria Esporte. Bernardinho é um técnico vencedor e um professor das artes da persistência e obstinação que valem para qualquer tipo de atividade. Mestre do trabalho em grupo, ele valoriza o indivíduo em prol do time, o que também serve de exemplo para o nosso dia-a-dia.

Edemar Cid Ferreira, escolhido na categoria Cultura, é o banqueiro que tem atravessado fronteiras para levar o nome do Brasil para o mundo, com uma capacidade empreendedora que é bem definida por ele próprio: “A cultura é um abre-alas. A gente vem atrás fazendo negócio. E o meu negócio é abrir as portas do Brasil no Exterior.”

Néstor Kirchner, presidente da Argentina, é homenageado como Personalidade Latino-Americana. Lula em recente entrevista à ISTOÉ disse que nunca as relações Brasil-Argentina foram tão saudáveis. E isto graças aos dois presidentes, que sem arrogância e bairrismos, vêm trabalhando juntos para fortalecer o poder de negociação num mundo bastante conturbado e em nítida transformação, onde saber antecipar os caminhos é fundamental para recuperar a economia e a auto-estima de brasileiros e argentinos.

Hélio Campos Mello, Diretor de Redação

 
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